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Porto Velho,  sáb,   28/novembro/2020     
reportagem

A guerreira Heloisa Helena, candidata a presidente pelo PSOL

6/8/2006 23:23:59
Por Im]p
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Aqui, num bate papo descontraído, revelamos muito do que pensa esta mulher das Alagoas, que preferiu deixar de concorrer ao governo do seu Estado ou renovar seu mandato no senado, com ampla chance de vitória, para sair em pregação pelo Brasil. 


 Ela criou para si uma imagem dura. Esconde a beleza juvenil - corpinho de 18 aos 43 - atrás dos óculos de míope e do cabelão preso. Heloísa Helena parece desejar que só vejam nela a senadora séria e temida. Já ameaçou cortar a língua do prefeito paulistano, José Serra, chamou o senador ACM de capitão-domato e pôs a nu o governo Lula. Levada ao que chama de "tribunal de inquisição petista", acabou expulsa. É brava na CPI, aguda na condenação da bandalheira federal.Por isso, virou a senadora mais famosa da República e entrou para a história como a primeira mulher a criar um partido no Brasil, o PSOL.

UMA MULHER RARA

Que mulher, da geração dela, foi mãe de- leite? Heloísa amamentou duas crianças - uma cega -, além dos próprios rebentos, Sacha, 22 anos, e Ian, 19, a quem "amamenta" ainda. "Ensino que podem chorar e, se quiserem felicidade, têm que entender: mulher é diferente de homem." Ian passou 15 dias numa UTI, em coma, por causa de um acidente. "Pensei que morreria junto", conta ela, que é enfermeira. "Meus pivetes adivinham o filme que quero ver, sugerem o rock que ouço no carro." (Ela vai ao volante, dispensou o motorista do Senado.) Heloísa ganhou um piano de um amigo. Só amigo, senadora? "Um amigo fofo que vive na França... infelizmente não consigo amá-lo como ele merece." Teve dois maridos. Admira o pai dos filhos e preserva a relação com o segundo. "Ele casou com uma amiga nossa, sou madrinha do nenê deles." No entanto, revela, nunca houve divisão de tarefas: "Fui pai e mãe. Sempre". A alagoana não tem tempo para si, passa o dia à base de leitinho pingado de café. Fazia aulas de remo no lago Paranoá, porém teve de deixar depois da surra que tomou da polícia no protesto contra a reforma da Previdência: "O joelho estourou". Parece exagerar quando diz que coleciona "dunas de celulite e trilhas de estrias", porque anda quilômetros para acampar nos Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul, e para ver a floração dos cactos na caatinga.

FILHA DE COSTUREIRA

Heloisa não pensava em ser política. Candidatou-se "para xingar os usineiros" e virou vice-prefeita de Maceió. É filha de dona Helena, costureira arretada que a mandou devolver seis contas que sobraram de um bordado. "Não pude fazer um vestido para a Susi que achei no lixo." Com 2 meses perdeu o pai. Aprendeu a ler com freiras e descobriu o Nordeste devorando "o comunista Graciliano Ramos". Hoje é pop, dá autógrafo e seria facilmente reeleita, mas deve disputar a Presidência para consolidar o PSOL. Se fosse carreirista, jamais assumiria a tarefa, com mínima chance de vitória, tempo curto na TV e poucos recursos." Se perder, voltará para a universidade. "Vou comer pó de giz com os alunos e cuidar dos pobres na rede de saúde." Fará muita falta à vida pública nacional.

O QUE ELA FALA SOBRE

Infância: "Nasci como nascem milhares de meninas brasileiras... marcadas para cumprir o destino do quartinho de empregada ou da venda do corpo por um prato de comida. Fui uma criança muito doente, diziam que eu morreria antes dos 7 anos, tinha asma, problemas renais, complicações para todos os gostos. Meu pai, Luiz, era funcionário público, morreu de câncer quando eu completei dois meses. Cosme, meu irmão mais velho, foi assassinado ainda menino. Ficamos eu, meu irmão, Hélio, e minha mãe. Filha de trabalhadores rurais, ela aprendeu a ler junto comigo. Minhas brincadeiras eram correr com cabras no sertão. Muitas vezes, pulava dos trens na cidade, brigava na rua e... apanhava em casa. Engolia meus medos e protegia os mais fracos. Era uma magrelinha sobrevivente! Canhota, tomava uns tapas na mão para aprender a usar a direita - minha mãe achava que eu morreria de fome se não fosse costureira e, como a indústria não fabrica tesouras para costureiras canhotas, eu estaria sem profissão."

Lições: "Em casa, dividíamos o pouco que tínhamos com os outros. Minha mãe tinha criado os irmãos no cabo da enxada, sabia o que era dificuldade. Era durona, não dava moleza, não: ensinou que honestidade estava em primeiro lugar. Ela bordava os vestidos das madames eu ficava encantada, queria usar parte daquelas continhas para fazer uma roupa para a minha boneca Suzi, velhinha e linda, que encontrei no lixo. Minha mãe não permitia, colocava as pedrinhas no saquinho para devolver."

Mulher na política:
"No mundo machista da política, a gente sente raiva e chora. Mas ali, as lágrimas nunca ajudam. É preciso decidir enfrentar ou não as regras dos homens. Eu prefiro enfrentá-las sem esconder o que sou. Argumento sem ter medo das línguas maldosas que condenam, movidas pela perversidade e pela inveja da liberdade da mulher. Muitos dos farsantes abraçam depois tentam ferir a minha honra pelas costas. Já padeci perseguições infames no Congresso. Hoje, tento diminuir o sofrimento, mesmo assim somatizo, adoeço. Mas estou bem, me trato com homeopatia."

Casamento: "Casei duas vezes com pessoas que foram e são muito importantes na minha vida. Nunca aceitei casamento de mentira, de fachada. Aprendi que não adianta sofrer para preservar convenções medíocres. E logo cedo entendi que quando perdemos o coração de alguém, temos que deixá-lo seguir. No momento, não estou namorando, só tenho tempo para o trabalho, para os filhos e para PSOL."

Lazer:
"Gosto de costurar com minha madrinha Glorinha. Faço as blusas que visto. Quando estou descansando em Alagoas, cuido dos meus bichos (dez cães da raça rottweiler) que ficam na casa do meu irmão, Hélio. Ouço casos e histórias contados pelos mais velhos da família, leio, ando de madrugada pela caatinga para ver a floração dos cactos. Também vejo o pôr-do-sol nas nossas praias e lagoas, ou o espelho da lua cheia no rio São Francisco. Coisas de sertaneja."

PSOL: "Vamos nos afirmar como o partido capaz de realizar o que inspirou a vitória traída de 2002: a ruptura com o modelito neoliberal iniciado por Collor, consolidado por FHC e aprofundado por Lula. Estaremos do lado dos corações generosos que renascem todos os dias com o sol, em coragem e solidariedade e lutam para fazer deste país maravilhoso uma Pátria soberana, ética, igualitária e fraterna. Portanto, fé em Deus e fé na luta do povo."


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