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O crepúsculo do “Príncipe Operário” é o Lulagate

3/10/2006 01:58:01
Pedro Porfírio
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Nem uma virgem da várzea acreditará que o Sr. Luiz Inácio não tinha conhecimento desse episódio macabro muito semelhante ao caso Watergate. 


 Lamento por tudo quanto é sagrado: mas o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que se pretendeu um príncipe operário, vive seu momento crepuscular e não tem mais condições institucionais para ser o chefe de Estado da República Federativa do Brasil. A situação é particularmente delicada em face das eleições do próximo dia 1º. No entanto, neste caso, o que paradoxalmente menos conta é o resultado das urnas.

Como esse nó pode ser desatado, eis o desafio. Lutamos e sofremos mais da conta para reconquistar a democracia, a liberdade e o direito de escolha de nossos governantes e representantes. Mas a democracia por que lutamos - que me custou a própria liberdade - não comporta esse cenário tão desolador: homens da copa e da cozinha do presidente foram pilhados numa “operação suja”, que, como disse Helio Fernandes, precisa ser rapidamente esclarecida, sobretudo quanto à origem dos 1 milhão e 700 mil reais (R$ 1,16 milhão mais 248 mil dólares).

Nem uma virgem da várzea acreditará que o Sr. Luiz Inácio não tinha conhecimento desse episódio macabro muito semelhante ao caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Nixon, em 8 de agosto de 1974.

Naquela tentativa de instalação de microfones de espionagem na sede do Partido Democrata, de oposição, foi preciso a ação decidida de dois jornalistas para que se chegasse até o presidente norte-americano.

No episódio brasileiro, não: a tentativa de compra de um dossiê ao delinqüente que subornou deputados e senadores envolve gente que não teria se metido nessa sem o conhecimento do chefe, cuja maior obstinação é perpetuar-se no poder para além de um segundo mandato. No caso do dinheiro apreendido, que, inacreditavelmente, não foi fotografado, já se sabe quais os bancos brasileiros onde foram sacados os reais.

Mas e os dólares? Um leitor me fez chegar o seguinte comentário: “As cintas douradas de papel que prendiam os maços de dólares apreendidos pela Polícia Federal trazem duas pistas para se descobrir quem deu os recursos para a compra do dossiê”.

1) Indicam que o dinheiro foi sacado em um banco nos EUA;

2) Como a numeração das notas é seqüenciada, rastreá-las é tão fácil quanto tirar pirulito das mãos de uma criança. Os US$ 139 mil apreendidos eram divididos em pacotes de US$ 10 mil, os quais estavam presos em cintas com a inscrição: ‘BEP - One Hundred - $ 10,000’. BEP é a sigla do Bureau of Engraving and Printing, a casa da moeda dos EUA.

Os especialistas são unânimes em descartar que os dólares tenham passado por doleiros no Brasil. Esse tipo de dinheiro circula de forma similar ao contrabando: em aviões privados ou carros, quando se tem fronteira terrestre pouco vigiada”. Trata-se, portanto, de uma tramóia muito mais explosiva do que aparenta à primeira vista. E uma operação dessa envergadura não pode ser abafada com uma simples e repetida queimação de subordinados.

DOCE É O PODER

O princípio de qualquer investigação é a quem interessa o crime. Certamente, não é ao Sr. Freud Godoy, o “sombra” do presidente, nem ao Sr. Oswaldo Bargas, um-ex-sindicalista ladino que sempre esteve por trás do Lula desde São Bernardo e da CUT, nem ao Sr. Ricardo Berzoini, presidente do partido que mandou a ética às favas.

Interessa, sim, com todas as elementares evidências, àquele que quer ser reeleito no primeiro turno e a partir daí passar a trabalhar pelo terceiro mandato, como tentaram FHC, Menen e Fujimori. Se não ganhar dia 1º, Lula terá todo mundo contra ele. E isso pode ameaçar seu atual “favoritismo”. Portanto, quanto antes “liquidar a fatura”, melhor. Esclareça-se que esse favoritismo é irreal: sua “maior força” nas pesquisas se dá onde há maiores dificuldades com as urnas eletrônicas, mais votos nulos e em branco.

E o terceiro mandato? As vitórias de Serra em São Paulo, Aécio em Minas Gerais, e Requião no Paraná tornam esse sonho mais difícil. Os três são potenciais candidatos em 2010. E não vão aceitar novas investidas, como as de FHC, que comprou a reeleição, ou as práticas recentes dos “mensaleiros”.

Se enfraquecesse o candidato oposicionista, favorito no maior Estado do Brasil, se garantisse um segundo turno, tudo poderia acontecer. Eleito no primeiro, Lula poderia investir lá com todas as suas “tropas”. E com São Paulo na mão, Minas e Paraná não teriam cartuchos para o confronto, tal como aconteceu na batalha de Xangai, que definiu a vitória de Mao Tse-Tung na China.

A natureza dessa operação, valendo-se de um bandido sem qualquer escrúpulo, e a lista dos seus operadores já são elementos de sobra para tornar vulnerável a figura de Lula como chefe de Estado de um país da importância internacional do Brasil.

Por menos disso, caiu o seu poderoso ministro da Fazenda. Por menos disso, desabaram seus áulicos prediletos, encabeçados pelo Zé. Em todas as investigações, que mostraram nos dois últimos anos a miséria moral da política, gregos e troianos trataram de poupar a figura do presidente da República, até por primário oportunismo político. Os artistas das CPIs, que só queriam aparecer, não contavam com a astúcia de um homem realmente inteligente, ambicioso, deslumbrado, para quem o Brasil só existe depois que ele foi inventado no ABC.

Nesse caso, não quero nem saber se o ex-ministro Serra tinha ou não culpa no cartório. A gravidade da tentativa de compra da pasta e a negociação de sua publicação com duas revistas envolvendo homens do presidente remetem essa questão para um plano secundário, tal como aconteceu na hora em que Palocci cometeu o abuso infantil de quebrar o sigilo bancário do caseiro.

Mesmo assim, há uma lógica em favor de José Serra: se estava na mamata, por que o delator premiado nada revelou antes? Resta saber o que as instituições farão para manter a integridade do estado democrático, quando o presidente da República e os parlamentares perderam o respeito e estão irremediavelmente prostrados pela avalanche de escândalos que se tornaram temas de chacotas e péssimos exemplos para a sociedade.

(Publicado na edição nº 90, de 28/9 a 8 de outubro de 2006)


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