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Porto Velho,  sáb,   28/novembro/2020     
opinião

Srs. Deputados, não desprezem o sinal de alerta dado pelo povo

24/11/2006 16:29:23
Imprensa Popular
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Os novos deputados podem melhorar o desempenho da Assembléia após o período turvo que se encerra este ano. É preciso que cada parlamentar entenda que nem sempre os melhores caminhos da política são os mais curtos ou os mais fáceis. 


 Apenas cinco deputados estaduais – de um total de 24 – foram reeleitos no pleito passado. O alto índice de renovação do parlamento deixou claro que a imagem dos deputados integrantes dessa legislatura que chega ao fim foi estraçalhada. Não pense que todos os reeleitos podem ser aceitos como exceções que se desviaram da lama que convulsionou o sistema parlamentar estadual.

Entre comentaristas políticos e lideranças mais atentas da sociedade civil organizada já se ouve opiniões nada animadoras do que virá por ai com a próxima legislatura. É que alguns dos eleitos chegam chamuscados por denúncias de terem escolhido caminhos tortuosos para uma vitória mais fácil.

A principal crise que convulsionou o sistema legislativo estadual rondoniense foi a reta dos recursos “extrafolha”, também conhecida como “sistema gafanhoto” pelo qual milhões em recursos públicos foram desviados, de acordo com as revelações da “Operação Dominó”, realizada pela Polícia Federal.

Este tipo de fraude, além de outros escândalos – como o do propinoduto – marcou a legislatura atual como “a pior” desde a instalação do poder legislativo, com a transformação de Rondônia em estado.

A ação dos parlamentares desta legislatura certamente derivou-se de uma prática antiga de parlamentares antecessores que atuaram na boca do varejão onde conseguiam pedaços desiguais do bolo custeado pelo “cofre da viúva” e com isso mantinham funcionando instituições fajutas de benemerência, usadas para a cooptação de votos das pessoas mais necessitadas e mais néscias.

Aqueles aquinhoados com estas benesses agiram com total subserviência ao Executivo, sem o menor temor que a marca de negocista pudesse maculá-lo e também desacreditar a instituição.

O resultado eleitoral determinando uma renovação tão alta no parlamento estadual é uma prova eloqüente de que o eleitor rondoniense rejeita a desintegração ética e moral daqueles representantes do povo que não diferenciam recursos públicos dos privados.

Não pensem aqueles que chegam pela vez primeira ao parlamento que sua eleição zera a conta do nosso parlamento para com o povo rondoniense. Não pensem que poderão repetir esquemas de cooptação com os demais poderes do estado sem sofrerem lá na frente a punição das urnas.

Nenhum esforço parlamentar terá sentido se não for pautado pela intenção de restaurar a dignidade da Assembléia Legislativa. O povo não aceita mais a impunidade em nome do corporativismo.

O deputado, quando abdica de sua identidade, seja pela subserviência aos poderes que deve fiscalizar ou pela negociação escusa de vantagens para apoiar a “governabilidade” macula o lugar que habita. O mesmo acontece quando, em nome do corporativismo, passa a proteger colegas que precisam ser investigados, processados e punidos.

Não é preciso ocupar todos os dias a tribuna para deixar de ser baixo clero. Não é necessário produzir em massa projetos de lei para ser reconhecido. Basta cumprir fielmente as funções constitucionais.

Nossa democracia abriga mazelas que mancham algumas de suas virtudes. Por isso, no mapa da representação eleita se vê que certos perfis já começam a desonrar o mandato. Sob a democracia, os melhores têm vez, mas calhordas também proliferam.

A cada eleição, porém, é arquivada uma banda da velha política. Nos últimos tempos, pela lupa da mídia, as impurezas sobem à superfície. Eis um sinal de alerta, srs. parlamentares. Reflitam sobre a mais premente reforma que o país está a aguardar: a mudança nos costumes políticos.

Srs. parlamentares que irão compor a bancada da oposição, não façam política com o fígado. O fel que jorra na ressaca da derrota turva as cabeças e não serve à democracia. A força do oposicionismo se alimenta do poder das idéias. Conclamem a base governista para a arena de lutas, mas usando as armas do debate franco. Cobrem a apuração de denúncias sem fazer da tribuna palco para desfile de egos. Neste momento o estado rondoniense quer enterrar a crise moral que quase solapou as instituições.

Srs. Deputados que integrarão a bancada da situação, não sejam vaquinhas de presépio. Pelo fato de pertencerem à base governista, evitem ser polichinelos e mercadores do mandato. Como dizia o espanhol Pedro Calderón de la Barca: “Ao rei (Costa e Silva), tudo, menos a honra”.

Srs. Deputados da próxima legislatura: Querem resgatar a imagem da nossa Assembléia Legislativa? Não se considerem extensões do Executivo. Não receiem defender o ideário democrático, assentado nas liberdades, nos direitos e deveres dos cidadãos. Não endossem discursos de mentes retrógradas que defendem a expansão do tamanho do Estado e a mordaça na mídia, sob o sutil conceito de “democratização dos meios de comunicação”.

As instituições, incluindo o próprio parlamento, não têm o direito de abocanhar o orçamento, inviabilizando investimentos fundamentais para o crescimento do estado. Rondônia precisa crescer, precisa impulsionar as atividades produtivas para gerar melhores condições de vida para seu povo. Quando a população elegeu em sua maioria novos representantes para a Assembléia Legislativa deixou claro, também, sua expectativa de que a próxima legislatura não passará simplesmente uma borracha nas mazelas conhecidas de todos.

Chega de impunidade, inclusive para aqueles que retornaram, mesmo depois de participarem dos escândalos que macularam a instituição.

O povo e a imprensa não deixará de acompanhar a atividade dos nobres representantes do povo.


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