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entrevista

A educação pública foi planejada para ser ruim, diz pesquisador

1/7/2007 21:17:07
Por Aldrin Willy
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O professor universitário e pesquisador Antonio Carlos Maciel diz que não se surpreende com os baixos índices de aproveitamento apresentados pelos alunos do ensino básico do Brasil. Para ele, isso já era esperado, uma vez que, como afirmou, o ensino público foi planejado para ser ruim. 



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Formado em Pedagogia e Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas, o professor doutor Antonio Carlos Maciel, hoje docente da Universidade Federal de Rondônia, se dedica a pesquisas na área de educação.

Seu foco é a aplicação da pedagogia histórico-crítica – método educacional proposto pelo educador Dermeval Saviani – em escolas públicas de Rondônia. Um experimento com esse método está sendo testado em uma escola de Ariquemes, cidade do interior de Rondônia, distante cerca de 300 km da capital.

Nesta entrevista, Maciel afirma que o quadro negativo da educação brasileira hoje é reflexo de desmazelos cometidos pelos administradores públicos ao longo das décadas. E revela que, na verdade, a educação de massa foi pensada para ser o que é: péssima.

O pesquisador, entretanto, diz que a tendência da educação pública do Brasil é melhorar. “No Brasil, a educação básica, de modo geral, sempre foi muito negligenciada. Está havendo um esforço na tentativa de recuperar a atenção com esse setor da educação, mas nós sabemos, de antemão, que o Brasil tem uma tradição de fragilizar e desqualificar o sistema público de ensino de modo geral”.

Um sério entrave à qualidade do ensino público passa pela gestão da escola. De acordo com Maciel, as atuais administrações escolares estão repletas de vícios e carecem de uma abordagem profissional por parte dos diretores, supervisores e demais profissionais da administração escolar.

“A forma de execução das políticas públicas ainda está muito a desejar, principalmente em se tratando da gestão das organizações escolares públicas”, afirma.

DIVISOR DE ÁGUAS

Segundo Maciel, a qualidade da escola pública tem dois momentos, antes e depois de 1972, época da implantação da lei 5692. “Até aquele momento, a escola pública era uma escola extremamente elitista. Havia poucas escolas, e mais do que isso, havia muito poucas boas escolas públicas”, explica.

“O sistema público de ensino era muito restritivo, praticamente às classes médias. De modo geral, até o começo da década de 70, a grande massa da população que se encontram no âmbito das classes trabalhadoras não tinham acesso a uma formação integral de ensino fundamental”, afirma Maciel.

A entrada em vigor da lei 5692, segundo o pesquisador, pôs fim a um instrumento decisivo no pensamento da educação até então: o exame de admissão aplicado quando o aluno terminava o quinto ano de ensino.

— Então quem era filho de trabalhador praticamente nunca ultrapassava o exame de admissão. Os nossos pais, principalmente a grande maioria que se encontrava no âmbito das classes trabalhadoras, não iam além da quinta série. A pessoa só fazia o primeiro ano do ginasial, se passasse no exame de admissão. O vestibular era lá no começo, em função de não haver escolas. Com a 5692 há uma expansão do ensino muito grande. Há criação de escolas, investimento. Mas foi um investimento quantitativo. E aí um dado interessante: como aquela escola pública de elite se acaba ali, o Brasil cria uma bifurcação. O sistema privado de ensino para educação básica tem uma expansão muito grande, e o sistema público também tem uma expansão muito grande. Só que uma expansão grande desqualificada. Para que o sistema não seja todo comprometido, evidentemente aqui e acolá se encontra uma escola que dá acesso a grandes cursos da sociedade. Mas, de um modo geral, de 1972 aos dias atuais, esse sistema tem sido paulatinamente degradado.


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