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Porto Velho,  qua,   26/junho/2019     
entrevista

Amado Rahal: “A saúde estaria melhor se o município cumprisse com sua parte”

7/7/2007 16:54:25
Por Aldrin Willy
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Numa avaliação da saúde pública nos seis primeiros meses de 2007, o médico Amado Rahal, diretor do Hospital de Base, considera que a situação estaria melhor se o município cumprisse com sua parte no trato da saúde pública. 


 O primeiro semestre do ano está terminando e o diretor do Hospital de Base “Dr. Ary Pinheiro”, médico Amado Rahal, aproveita para fazer uma avaliação da saúde pública nesse período. Novos equipamentos, novos procedimentos médicos que são agora realizados no hospital, e outras melhorias no setor são alguns dos pontos nos quais o médico se baseia para formar sua opinião: as coisas estão melhores, pelo menos no Hospital de Base.

Entre as melhorias conquistadas no primeiro semestre, Rahal destaca a ala de oncologia implantada no HB. “Desde janeiro deste ano, nós tratamos nossos pacientes portadores de câncer”, diz. “São 22 leitos, com suporte tanto para a parte cirúrgica quanto para a clínica”. Hoje o hospital já atende, conforme o médico, a cerca de 300 consultas mensais e realiza uma média de 150 cirurgias ao ano apenas na área referente ao câncer.

Outro avanço da saúde pública na primeira metade do ano, de acordo com Rahal, foi a implantação, no Hospital de Base, de cirurgias de joelho por vídeo, antes realizadas apenas na rede particular.

OBRIGAÇÃO DO MUNICÍPIO

A situação só não está melhor, diz o médico, porque o município ainda não cumpre totalmente com sua parte no trato com a saúde pública. “Os serviços que são obrigação do município ficaram como responsabilidade do Estado”, diz. “Por isso o Estado sempre vai ser penalizado com lotação do pronto-socorro João Paulo II, lotação do Oswaldo Cruz, lotação do Hospital de Base e Cosme e Damião. Porto Velho ainda é a única capital em que o município não tem seu pronto-socorro próprio”.

De acordo com o diretor do Hospital de Base, não adianta aumentar o número de leitos do Hospital de Base se o município também não o fizer em sua rede de saúde. Isso porque, segundo ele, os atendimentos de alta complexidade realizados pelo HB sempre serão prejudicados porque o hospital precisará ficar cedendo seus leitos para atender a procedimentos básicos, os chamados tratamentos de baixa e média complexidade, cuja obrigação em oferecer atendimento, segundo o médico, cabe ao município.

Rahal, entretanto, não tem apenas críticas ao município. Segundo ele, a entrada em funcionamento da maternidade municipal desafogou a maternidade do Hospital de Base, que hoje pode atuar mais em sua área fim – gravidez de alto risco.

Ainda assim, o médico afirma que se houvesse pelo menos mais policlínicas do município funcionando, os serviços dos hospitais do Estado – destinados a tratamentos de alta complexidade – poderiam ser mais bem aproveitados.

Segundo Rahal, os dados do Hospital de Base demonstram claramente o que afirma. Do total de atendimentos realizados pelo hospital, cerca de 85% das ocorrências são originadas por habitantes de Porto Velho, deixando o resto do Estado responsável por apenas 15% dos atendimentos restantes.

“Sabemos que hoje há policlínicas que estão sendo reformadas. Com isso fica uma policlínica para mais de 100 mil habitantes, o que é altamente inviável”, afirma Rahal.

SEM TEMPO

A realidade da saúde municipal, diz Amado, lamentavelmente não terá grandes mudanças daqui até o final do atual mandato do prefeito Roberto Sobrinho. Isso porque, diz o médico, não há mais tempo suficiente para se fazer as mudanças necessárias a fim de dispor a população de uma saúde eficiente.

“A prefeitura, nesse mandato, pouca coisa pode ser feita. O que eles podem fazer é aumentar o número de partos, melhoras as policlínicas – terminando as obras em que algumas estão”, diz. “É preciso investir mais e mais na saúde, caso contrário vamos ter um colapso”.

USINAS

Para o médico Amado Rahal, uma coisa de vital importância ainda não foi adequadamente levada em consideração: a chegada das Usinas Hidrelétricas e contingente populacional que virá junto com elas.

A preocupação do médico foca o fato de que hoje o aparelho público de saúde é insuficiente para a nossa população atual. A vinda de migrantes ocasionada pelo início da construção das obras das hidrelétricas trará um sério problema de saúde pública, pois até o momento ainda não se avaliou que estrutura será oferecida a essa população.

“Para se ter idéia do tamanho do problema, apenas na Policlínica Oswaldo Cruz fazemos 15 mil consultas por mês. Então imagine bem, se os postos, as unidades de saúde do município não forem reequipadas, recebendo mais profissionais, com certeza será uma dificuldade muito grande e, com certeza, até uma piora no atendimento”.

Sobre essas questões, Rahal diz que tem conversado com o secretário de saúde do município. Porém acredita que deve haver uma conversação mais produtiva. “Dou-me muito bem com o secretário municipal de saúde, aliás, ele é funcionário nosso, é da casa, sabe as dificuldades que se enfrenta tanto no município quanto no Estado”, revela Amado. “Mas é preciso uma discussão mais profunda. Isso tem que ser debatido imediatamente. A gente está sempre com as portas abertas para debater com todas as áreas do município para poder melhorar o sistema de saúde. Nós não podemos deixar essa população desamparada.”

RESIDENTES

Quanto à polêmica envolvendo médicos residentes, Rahal afirma que tudo é uma questão de interpretação legal. O caso consiste em que médicos que estão em residência médica (estágio necessário para a completa formação profissional) no Hospital de Base deflagraram greve como forma de protesto contra o que consideram um abuso por parte do hospital.

Segundo Amado, os residentes estariam assumindo compromissos de trabalho em outros estabelecimentos ao mesmo tempo em que fazem residência no HB. Isso seria ilegal, pois, conforme Rahal, eles devem cumprir um número preciso de horas de residência e, ao acumularem outros compromissos, estariam extrapolando esse limite de horas. Essa prática, como afirma o médico Amado Rahal, é irregular.

Para pôr fim à discussão, Amado diz que está esperando um parecer da Comissão Nacional de Residência Médica sobre o caso.


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