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Porto Velho,  qui,   20/fevereiro/2020     
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Um bairro que só é jardim no nome

7/7/2007 16:56:47
Por Gessi Taborda
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Assim como tantos outros, o Jardim Santana é um exemplo de evidente abandono. Os “jardins” que existem por lá não passam dos limites dos terrenos baldios tomados pelo matagal que serve, muitas vezes, para esconderijos de bandidos que atormentam os moradores. 


 Criado nos tempos em que Jerônimo Garcia de Santana, o Bengala, foi prefeito de Porto Velho, o Jardim Santana surgiu como uma opção para frear o volume de invasões estimuladas por políticos, como o ex-deputado Índio, num tempo em que a cidade crescia em ritmo frenético. Os primeiros terrenos foram distribuídos por uma associação onde a então primeira-dama Palmira Santana, imaginava que executava uma política de assistência social em favor do governo de seu marido.

Ao contrário dos bairros criados pelo processo de invasão, o Jardim Santana nasceu de um arremedo de planejamento urbano, com lotes demarcados, ruas abertas e dotadas de posteamento. Muitos dos agraciados com os terrenos acabaram desistindo de morar no local, porque o Jardim Santana não passava de mais um daqueles capítulos que ninguém sabe ninguém viu. Várias pessoas apenas usaram o terreno que recebeu do poder público para negociá-los por qualquer preço.

Passados vários anos, o Jardim Santana de hoje continua enfrentando problemas existentes desde os tempos de sua criação. Possuí apenas a rua central asfaltada, sua população tem de conviver com malcheirosas valas por onde o esgoto escorre a céu aberto e, no tempo das chuvas, com a constante inundação que transformam quase todas as ruas em imensos lamaçais.

SÓ PROMESSAS

Quando chega o tempo das eleições os moradores do Jardim Santana são bombardeados com todo tipo de promessa de que suas vidas serão transformadas. Isso é o que dona Vanderléia Araújo Monteiro, morando a 10 anos na rua Granada, garantiu para Imprensa Popular, quando confessou que a população está cansada de pedir providências à prefeitura “e ouvirem sempre as mesmas promessas”.

– Sabe Deus quando teremos algum prefeito disposto a trabalhar em benefício dos moradores daqui. Esse prefeito de agora, quando era candidato, visitou a minha rua, prometendo que faria os trabalhos de drenagem necessários. Não aconteceu nada. A nossa vida está a mesma coisa de sempre e continuamos esquecidos das autoridades. Aqui, quando chove, é um Deus nos acuda, principalmente para quem precisa sair de casa. É lama pura.

Além dos problemas do próprio bairro, a dona Vanderléia garante que a população sofre com “a lerdeza” da prefeitura na reforma do Posto de Saúde do “Tancredo Neves”, pois tem de procurar socorro ainda mais longe. No bairro, afirma, não existe nenhum tipo de socorro para quem precisa de médico ou remédios.

Mas nem todos os políticos são criticados por essa dona de casa. Se para ela o prefeito “não faz nada”, pelo menos o vereador Zequinha Araújo acaba sendo alvo de um elogio seu. “Ele é o único político que está sempre aqui por perto, procurando ajudar a população com um trabalho assistencial na comunidade”. É, como afirmou Vanderléia, o único vereador “que tem feito um esforço para a construção da quadra e sua iluminação”. Também o nome de Haroldo Santos (ex-deputado) foi lembrado com gratidão por essa moradora, “porque dá atendimento naquele hospital dele, ali no bairro JK”.

SEM MUDANÇAS

Na avenida Amazonas as gêmeas Cristiane e Cristine Peixoto Ramos mostram-se resignadas. As duas moram a 7 anos no Jardim Santana. Segundo afirmaram a Imprensa Popular, já aprenderam a suportar tanta carência. “De que adianta, diz Cristiane, reivindicar se ninguém vai atender nossos pedidos?”. As duas moças só não mostram desilusão quando o assunto é a construção das Hidrelétricas do Rio Madeira. Ai elas começam a acreditar que “o desemprego vai acabar e a vida de todo mundo vai melhorar muito”.

Na rua Tocantinópolis quem traduz o sentimento de indignação com o abandono do bairro é Isaias Alves, de 22 anos. Ele não sofre apenas o problema de viver numa rua “que fica toda alagada” no período chuvoso. Outro drama desse jovem é o desemprego, embora afirme ser um profissional da mecânica. Com esta pouca idade, Isaias diz que está cansado de ver “o povo do Jardim Santana” pedir mais atenção do prefeito e dos vereadores, “sem conseguir nada”. Segundo ele, há muito tempo “um pessoal da prefeitura” foi na rua Tocantinópolis para abrir “uma vala” mas “uma vizinha criou o maior qüiproquó e o pessoal foi embora, deixando o serviço sem terminar”. Agora, acrescentou, “a situação ficou pior e isso alaga tudo nas chuvas”.

No tocante ao desemprego Isaias Alves ainda não está desiludido. Para as possibilidades de melhora estão próximas, com a construção das hidrelétricas do Madeira. “Eu fiz um curso ai da prefeitura, e acho que vou trabalhar em furnas. Afinal eu tenho experiência em carteira assinada. Agora, pra quem não tem isso, eu acho que esses cursos não vai resolver nada, é uma só uma maneira de enganar as pessoas. Afinal uma empresa grande como Furnas não cai contratar ninguém sem experiência, não é isso?”.

ATRÁS DAS GRADES


Não é exagero. Na rua Araguaina o comerciante Francisco Fernandes de Souza atende os clientes protegido por uma grade de ferro. Ele não esconde o temor de conversar com a reportagem de Imprensa Popular, como se isso pudesse chegar ao conhecimento de marginais do bairro, provocando algum tipo de retaliação. Dono de uma “bodega”, Francisco adotou o estilo “cadeia” no seu estabelecimento após sofrer inúmeros assaltos numa região onde até a polícia costuma evitar.

Para ele, a falta de creches, áreas de lazer, linha de ônibus deficiente, falta de água tratada, de posto de saúde e tantas outras carências não são os problemas mais sérios do Jardim Santana. A falta de segurança e de policiamento é, na sua opinião, o mal maior. Sobre a ação da prefeitura a opinião de Francisco se confunde com a dos demais moradores do bairro: “Existe prefeitura? Bom deve existir, pois em todo o tempo em que Roberto Sobrinho está na prefeitura, a única coisa que fizeram aqui foi jogar um cascalho na rua. Eu nunca vi nada, além disso”.

Nos quatro anos à frente de um pequeno supermercado na rua Raimundo Cantuária, Juliano Silva Ferreira esqueceu o tanto de vezes que teve seu estabelecimento assaltado. Nesse ano – conta ele – foram três arrombamentos e um assalto à mão armada. E não adianta chamar a polícia, “por que ela não vem e, quando vem, demora tanto que não resolve nada”, completou.

Juliano garante que está cansado. “Tem momentos que penso ser melhor baixar as portas, mas a gente não pode fazer isso porque precisamos sobreviver”. Para ele, o atual prefeito não realizou nada que contribuísse para melhorar a vida dos moradores do Jardim Santana. “Este lugar tem iluminação, mas mesmo assim é dominado por assaltantes, na maioria jovens desempregados e drogados. Mas isso não chama a atenção das autoridades”, concluiu.


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