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Porto Velho,  sex,   7/agosto/2020     
política

Editorial: Decisão açodada: o que pode existir debaixo desse angu?

31/7/2007 20:27:18
 
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O prefeito escolheu uma sexta-feira 13 para liberar a licença em favor do shopping dos canadenses, sem esperar a conclusão das investigações abertas pelo Ministério Público. 


 Vivemos num país onde homens públicos (políticos) demonstram uma fértil criatividade para usar o poder em benefício próprio, praticando imoralidades de toda ordem, acreditando estar acima das leis. Este tipo de comportamento deveria ser intolerável. Afinal, as leis existem para assegurar que o interesse público deve prevalecer sobre o interesse de pequenos grupos ou do eventual chefe de poder.

Esta é uma reflexão muito a propósito sobre o tipo de tratamento que o prefeito Roberto Sobrinho dispensa ao grupo empresarial ligado ao projeto do chamado “shopping dos canadenses”, projeto que tem alimentado intensa polêmica, especialmente em temas como preservação ambiental, grilagem de terras públicas, etc., etc.

Não é surpresa para ninguém que o prefeito Roberto Sobrinho (PT), de Porto Velho, está fazendo tudo motivado pelo desejo pessoal de permanecer à frente da administração da capital. Tudo, mas tudo mesmo, é feito agora com vistas à possível reeleição no processo eleitoral do próximo ano.

Nenhum outro grande empreendimento comercial realizado em Porto Velho foi premiado com um tratamento tão especial da parte do prefeito, como acontece com este. O interesse desmesurado do chefe da administração municipal em eliminar os obstáculos de ordem legal colocados diante do grupo Ancar motiva as mais diversas especulações, levando alguns analistas locais a imaginar que aqui, nesse caso, começa a se descortinar gênesis de práticas condenáveis, como as verificadas em Brasília, pelas quais o ex-governador Joaquim Roriz acabou sacrificando, agora recentemente, seu mandato de senador, enquanto Gim Argello, seu suplente, também já está na alça de mira do Conselho de Ética do Senado.

Que tipo de caroço está por baixo desse angu? A esta pergunta feita cada vez com mais intensidade nos bastidores da política é impossível dar uma resposta definitiva, pelo menos agora. Na política ramerrame a que estamos acostumados, comentários de que o prefeito será beneficiado com gordas contribuições dos empreendedores do shopping dos canadenses para o projeto de reeleição não podem ser levados totalmente a sério e nem simplesmente descartados.

No caso desse negócio da iniciativa privada, o prefeito age com mais denodo do que quando trata das coisas públicas. Afinal, qual outro grande empreendedor conseguiu anunciar seus projetos, em caráter festivo, no próprio gabinete do prefeito? Só com esse pessoal da Ancar isso aconteceu. Assim, sempre restarão dúvidas sobre o que motiva tanto entusiasmo da prefeitura petista no apoio aos interesses de um grupo econômico que escolheu uma área com tantos óbices de natureza legal para desenvolver o seu projeto. Que tipo de caroço está por trás desse angu?

O comportamento de Roberto Sobrinho não é o de chefe da administração pública. Parece mais com o de garoto propaganda ou de “sócio” do empreendimento. E isto dificilmente acontece só para agradecer a caneta Mont Blanc que recebeu dos homens da Ancar no coquetel de apresentação do projeto a empresários de Porto Velho. Que outras compensações deve esperar o prefeito?

Desde quando começou a polêmica em torno desse assunto, todos os porta-vozes da municipalidade, apoiados por uma mídia claramente amestrada, operaram no sentido de desmontar e desconstruir as vozes discordantes, apontadas como inimigas do progresso ou meros fascistas sem nenhuma razão. Quem critica a forma como tudo isso começou ou avança passou a ser tratado como personas non gratas à administração de Roberto.

Ora, em sã consciência, ninguém é contra a implantação de qualquer iniciativa que represente investimentos em favor do avanço econômico do estado, desde que tais projetos observem o cumprimento das leis vigentes.

A decisão do prefeito na rápida liberação das licenças desconsiderou até mesmo o processo instaurado pelo Ministério Público Estadual, no último dia 04 desse mês de Julho, através da 6ª Promotoria de Justiça, para investigar eventuais desrespeitos à legislação de proteção ao meio-ambiente, especialmente danos eventuais praticados pela empresa de um curso natural de água denominado Canal da Penal, localizado no Bairro Flodoaldo Pontes Pinto.

Melhor seria que a administração municipal esperasse que tudo fosse devidamente esclarecido para autorizar o início daquele empreendimento, especialmente dando ao Ministério Público o tempo necessário para concluir a investigação em andamento.

No caso presente, certamente instituições como o Ministério Público (inclusive o federal) estarão atentos e prontos a agir para evitar fatos semelhantes aos escândalos verificados em capitais como Brasília (DF) e Florianópolis (SC), motivando ações da polícia federal (Santa Catarina), e revelando escândalos políticos, como o que apresentava envolvimento do ex-governador Joaquim Roriz, em Brasília.

Para a platéia, a justificativa para todas as tentativas de atropelo ou de descaracterização dos argumentos daqueles que exigem o cumprimento da lei, os “donos do poder” afirmam sempre que o povo quer que o tal shopping seja construído exatamente naquele local. É uma estranha posição para quem, antes de tudo, tem de obedecer à legalidade.

Certamente, a promotora de Justiça Aidee Maria Moser não será influenciada por este açodamento motivado por visíveis interesses políticos, suspendendo ou desistindo do feito.


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