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opinião

Editorial: Deputados insensíveis à lucidez

31/7/2007 20:28:56
Imprensa Popular
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A vocação é que afirma o triunfo em todas as profissões, porque a aptidão é a terapia da inferioridade nos ofícios. 


 A legislatura iniciada neste ano tinha a obrigação de suplantar os antigos deputados estaduais que desmoralizaram a Assembléia Legislativa de Rondônia, servindo-se de seu poder como se estivessem num oásis de prazer onde tudo era possível.

Aliás, foi por essa falta de respeito cívico e galhofa com o primado da ética que na legislatura atual, os marinheiros de primeira viagem são a maioria dessa nau a espera de um rumo seguro. O povo, na sua sabedoria coletiva, deu oportunidade a essa gente nova com a esperança de que não se extraviariam da razão, dignificando cada voto recebido nas urnas.

No primeiro semestre dessa nau, capitaneada por Noedi Carlos – um homem que sempre cultivou a grandeza da humildade e a sensibilidade cristã – foi fácil constatar que muitos dos novos parlamentares desperdiçaram oportunidades de crescimento político pela pura insensibilidade à lucidez, principalmente aquele lucidez fundamental que existe na liderança popular autêntica.

É claro que os personagens principais do parlamento estadual – especialmente os noviços – têm pela frente o tempo necessário para corrigir os rumos equivocados da ação política desse primeiro semestre. Primeiro, estes debutantes a vida pública deveriam preferir um assessoramento profissional, aos conselhos dos áulicos, sempre pródigos no elogio fácil e na concordância mentirosa.

O primeiro semestre terminou com vários deputados agindo como nômades errantes no deserto, condenados a uma insolação política, perdidos na miragem do oportunismo onde o “simun” multiplica os comentários políticos desairosos, corroendo aos poucos o cacife eleitoral de cada um. Quem age assim será estorricado pelo próprio fogo de suas ambições.

É fácil identificar a quem se endereça esta advertência. Este não é, entretanto, o papel do jornal e muito menos o objetivo desse editorial que trata desta reflexão no coletivo.

Não é difícil, por exemplo, admirar a criatividade do “empresário” que está no político equivocado e confunde o dinamismo do “empreendedor” com a atividade do líder popular. Principalmente quando nas entrelinhas dessa “criatividade” aflora o sonho de se galgar com o tempo o posto mais importante do poder. E ai surge idéias como a “Lei da Fome”, a sangria no miserável salário dos barnabés, a moralização que só chega aos bagrinhos e livra os cardeais. Quando o “empresário” está no político deve ponderar que gabinetes oficiais são mais delicados que escritórios de negócios e é onde as versões valem mais que os fatos no julgamento coletivo.

O qüiproquó maior de falta de lucidez do primeiro semestre foi a CPI, que antes de começar recebeu um golpe quase fatal da Justiça.

O segundo turno vai começar e ela (a CPI) continuará com a forma do dilema nasceu sem a vontade das cabeças mais lúcidas do parlamento.

Mesmo não sendo um mero esforço de denuncismo, pelo menos é o que se pensa, na cabeça do povão vai se formando a idéia de que tudo não passou do interesse de dois deputados em lavar a honra atingida pela brutalidade das antigas acusações de lideranças sindicalistas (e políticas) radicais. Tudo isso, até agora, serviu apenas ao reprovável festival de acusações, estampado em outdoors, servindo apenas para apequenar instituições tão importantes para a sociedade organizada.

Outro grande pecado (fruto da falta de lucidez) nos anais do primeiro semestre foi a restrição à presença de jornalistas próximos do plenário. A limitação à mobilidade da imprensa – que pode ser revista após o recesso – tem os ingredientes naturais do cinismo autoritarista que não deveria medrar num poder que é essência da vitalidade democrática.

Há até mesmo deputados que entendem que a Assembléia não funcionou a contento e mereceu muitas das críticas produzidas pela mídia. Todavia, a Assembléia Legislativa é a caixa de ressonância dos anseios da população, é a Casa do Povo. É preciso que seus integrantes retornem, no segundo semestre, convencidos da necessidade de reafirmar a independência do parlamento, rejeitando qualquer iniciativa visando transformar a tal Casa do Povo num sindicato de deputados. Quem entrou na vida pública e nela pretende permanecer é bom anotar: o sistema é cruel e a cada eleição os insensíveis à lucidez costumam ser substituídos por novos atores.


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