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Porto Velho,  qua,   3/junho/2020     
reportagem

Vazamento de radiação no Cemetron

4/10/2007 07:41:34
Por Aldrin Willy
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No setor de Raios-X, as paredes não seriam à prova de radiação. 



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Pelo menos três exames de raios-x teriam sido feitos no Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron) sem que houvesse a porta de chumbo que protege os arredores de receber radiação. A informação é de funcionários do hospital que, temendo represálias, pediram anonimato.

A porta teria sido tirada a fim de ser substituída por outra. Os exames de raios-x, entretanto, não foram de início suspensos na sala, apesar dos protestos de funcionários. Assim, ao menos três radiografias teriam sido tiradas na sala sem a porta de chumbo, deixando que a radiação emanada pela máquina atingisse os arredores do setor.

Fontes ouvidas pela reportagem dizem que há bastante tempo o setor de radiologia vem experimentando uma série de falhas. Escassez de material, não-alternância de turnos dos funcionários, máquinas obsoletas e um clima intimidador dentro da instituição seriam alguns dos problemas.

Segundo um dos funcionários ouvidos por Imprensa Popular, desde que trabalha ali, há coisa de três ou quatro anos, os técnicos em radiologia – responsáveis por fazer as radiografias – nunca usaram dosímetro, instrumento que mede a quantidade de radiação recebida pelo corpo.

O uso desse dispositivo é necessário para garantir a existência de condições satisfatórias de trabalho a partir da estimativa das doses recebidas. Sem ele não há como saber se o profissional recebeu mais radiação do que devia, possibilitando situações anormais de exposição à radiação, os acidentes.

VAZAMENTO DE RADIAÇÃO

As pessoas ouvidas por Imprensa Popular disseram suspeitar de que as paredes da sala de raios-x não sejam efetivamente “baritadas”, isto é, revestidas de um material que impede o vazamento de radiação. A desconfiança quanto à segurança das paredes permanece, para elas, apesar de haver um laudo, datado de 10 de abril de 2006, da Agência Estadual de Vigilância em Saúde, afixado na máquina de raios-x, atestando que “não há vazamento de radiação ionizantes durante as exposições”.

A suspeita tem por base um teste informal que um especialista fez, dias antes do realizado pela Vigilância Sanitária. Segundo as fontes, ele colocou um objeto na sala vizinha à de raios-x, apontou a máquina para a parede e a acionou. Quando revelaram a radiografia, lá estava o objeto, para surpresa de todos. Mesmo assim, o laudo da agência estadual afirma não existir qualquer vazamento de radiação da sala de raios-x.

A inspeção do órgão de vigilância sanitária, entretanto, foi realizada antes que houvesse um enorme buraco na parede, resultado da instalação precária de uma pia. A própria presença da pia na sala é motivo de discórdia entre os funcionários que trabalham no setor. Não se sabe bem por que, a pia que fora pedida para a sala de câmara escura, onde são reveladas as radiografias, acabou sendo instalada na sala de radiografia, onde as películas de raios-x são batidas.

Se realmente estiver ocorrendo vazamento de radiação, os funcionários do Cemetron que trabalham nas salas próximas podem estar correndo um grande risco. Toda vez que a máquina de raios-x é acionada, há emissão de radiação. A exposição freqüente a ela pode ocasionar diversos problemas de saúde, de esterilidade a câncer.

Não obstante todos os problemas, o pior de tudo, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, é o clima de intimidação existente no hospital. Qualquer um que reclame dos problemas é repreendido, quase sempre sofrendo alguma retaliação.

SEM RESPOSTA

Imprensa Popular
tentou entrar em contato com a direção do hospital para falar a respeito das denúncias, mas não conseguiu. O diretor da unidade, Gilberto Miotto, pode perder o cargo em função da Lei Anti-nepotismo, uma vez que é irmão do deputado Jair Miotto. O caso de Miotto foi parar na Justiça, onde recorre de decisão que determinou sua demissão.

A reportagem entrou em contato com o Conselho Nacional dos Técnicos em Radiologia (CONTER), que fiscaliza a atuação dos profissionais da área de radiologia. O órgão disse, através de sua assessoria, que a fiscalização dos estabelecimentos que empregam raios-x em diagnósticos é atribuição do órgão de Vigilância Sanitária. Ainda assim, a presidente do Conter, Valdelice Teodoro, solicitou à Secretaria de Vigilância Sanitária que apure a situação do setor de radiologia do Cemetron.

Imprensa Popular também tentou contato com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), mas até o final desta edição não recebeu qualquer resposta.


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