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Porto Velho,  seg,   6/abril/2020     
opinião

Rádio comunitária não resiste à censura

4/10/2007 08:09:19
Aldrin Willy
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Constituída sob a figura das “rádios comunitárias”, a Rádio Transamazônica desvirtua sua função ao se submeter à censura. 


 Era para ser diferente. As chamadas rádios comunitárias foram concebidas para servir de instrumento de inclusão às comunidades a que servem, especialmente dando-lhes voz e meios de exercer o direito de livre opinião e manifestação do pensamento.

A lei que as rege (Nº 9.612 de 19 de fevereiro de 1998) determina, por exemplo, que “qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito a emitir opiniões sobre quaisquer assuntos [...], bem como manifestar idéias, propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações”.

No programa Em cima da hora do último dia 31 de agosto, apresentado por Lucivaldo Souza, conheceu-se um pouco daquilo que não deveria acontecer em uma rádio dita comunitária.

Duas semanas antes, o próprio apresentador convidou o jornalista Gessi Taborda a ingressar no corpo de comentaristas do programa. Taborda aceitou o convite, dispondo-se a participar do programa às sextas-feiras.

Esta seria apenas mais uma experiência comum ao jornalista que soma mais de 40 anos de profissão, com passagens em jornais e rádios importantes do país. Mas o desfecho da participação de Taborda foi bem diferente ao que ele está acostumado. No dia em que faria sua terceira participação (31/8), o jornalista recebeu, poucas horas antes do início do programa, o telefonema que poria fim a sua curta passagem pelo programa de comentários e análises das notícias do dia.

No outro lado da linha, o apresentador Lucivaldo Souza se esmerava para tentar “desconvidar” Taborda. O jornalista, conhecido pelo estilo combativo, então disse: “Diga logo, de quem partiu a pressão para me cortar?” Ao que Souza apenas desconversou, dizendo que não se tratava de nada daquilo, mas acabou citando “um diretor” da emissora.

Ficou claro que Lucivaldo sofreu pressões para retirar de seu programa a participação de Gessi Taborda. Interesse para isso não falta, especialmente de certos políticos contrariados com os comentários feitos pelo jornalista na rádio. Até porque Lucivaldo disse-lhe, enquanto o “desconvidava” por telefone, que tentaria ter a sua presença como entrevistado ocasional, em edições esporádicas do programa.

Vale ressaltar a importância da Rádio Transamazônica no cenário radiofônico de Porto Velho. Embora possa suscitar alguma discussão sobre o real valor para a comunidade de parte de sua programação, é inegável a abertura que a rádio possibilita a segmentos da cultura antes completamente ignorados pelas outras emissoras.

Mas, há de se convir que a censura é inadmissível em qualquer situação. Muito menos numa emissora “comunitária” que não pode ter finalidade comercial. Uma estação como a Transamazônica, pela sua constituição especial, tem, mais do que as emissoras comerciais, o dever de preservar os valores essenciais da democracia. Entre eles, claro, o da liberdade de informação, opinião e de expressão.


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