Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  seg,   6/abril/2020     
artigos

Propaganda: é tão ruim que chama atenção

10/10/2007 14:25:48
Aldrin Willy
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



As peças publicitárias de Porto Velho conseguiram, com seu ridículo, chegar ao conhecimento do mundo. Agora, gente de todo o planeta pode arrepiar-se com a ruindade. 


 Não é preciso ser nenhum expert em comunicação para saber que aquilo que se vê na televisão de Rondônia, em termos de publicidade, é um assombro. Não que cause medo, mas o ridículo é de espantar qualquer um. O que nos é dado a perceber, aliás, é que aparentemente não existe senso de ridículo na maior parte dos comerciais feitos por aqui.

Sabe-se lá Deus como são elaborados os “conceitos” das peças que vão ao ar. As idéias, se é que se pode assim chamá-las, não têm pé nem cabeça. Uma dessas “pérolas”, produzida para uma grande rede de lojas da capital, começa com uma moça dizendo: “Você é daqueles que precisa ver para crer, certo?”. Até aí, nada de mais. O problema é o que vem a seguir, que, por maior esforço interpretativo que se faça, não tem qualquer nexo com a fala de abertura do comercial.

E esse é um dos exemplos do que se poderia chamar de “light” da nossa propaganda, em termos de ruindade. Há outros bem piores, que se encaixam mais no que gente entendida do assunto classifica de “trash” – o termo em inglês para lixo ou porcaria.

Nesta categoria, uma das propagandas que mais facilmente se encaixaria é a da Karolaine Financeira. Nas cenas, surge, sem maiores explicações, um anão a falar da “boa vida” dos idosos, tentando convencê-los a contrair dívidas na respectiva empresa. Nunca ficou claro o porquê do uso nos comerciais daquele indivíduo “verticalmente prejudicado” – para atender ao “politicamente correto”. Talvez a presença do dito cujo seja para dar um tom mais cômico às peças: ele já apareceu de bon vivant, carateca, noivo e, por fim, idoso.

Não faltam exemplos da propaganda ruim produzida aqui. Uma outra que fez muito “sucesso” há algum tempo foi a de uma papelaria. Aliás, neste ramo de atividade parece haver uma disputa entre os empresários para ver quem produz a pior publicidade. Até o momento, a Holanda tem-se saído vencedora na disputa, com a aparição insólita da “Bailarina da Praça” em seus comerciais. Mas as concorrentes não ficam muito atrás, a exemplo da Prisma, cujas peças – justiça seja feita – apesar da falta de um acabamento profissional, tornam-se mais digeríveis pela presença de lindas criancinhas.

Mas propaganda ruim, em Rondônia, independe do ramo de atividade. Ela está presente em todas as áreas, até mesmo onde menos se espera. É o caso de uma marca nacional de óculos, a Chilli Beans. O comercial foi tão mal elaborado que não se sabe realmente que intenção tinham seus produtores. Se era vender a marca, falharam feio. Neste caso, a bem da verdade, a propaganda é oriunda de São Paulo. Uma evidência de que publicidade ruim não é exclusividade nossa.

RAZÕES

Na Internet, multiplicam-se sites, blogs, comunidades (algo como grupos de discussão) no Orkut – o maior site de relacionamentos da rede – sobre o mundo publicitário rondoniense. Alguns comerciais já estão disponíveis para quem quiser no www.youtube.com, o site de vídeos de maior sucesso na Internet.

Em todos eles, as razões da publicidade ruim de Rondônia é um dos temas que dominam as discussões dos internautas. Na comunidade do Orkut “As Piores Publicidades de PVH”, criada pelo publicitário Alexandre Rotuno, tenta-se responder a essa questão.

Uma das razões seria a falta de profissionalismo do mercado publicitário no estado. Aqui, de acordo com eles, o setor de publicidade é “prostituído”. Anunciantes, agências e veículos não respeitam seus lugares na escala de produção e brigam entre si, gerando, para as agências, concorrência desleal.

Outro motivo apontado culpa um tipo de anunciante comum em Rondônia. Em vez de deixar a elaboração da propaganda inteiramente a cargo dos publicitários, ele prefere ditar as regras. “Ou meu filho aparece no comercial, ou não tem comercial” – brinca um internauta com uma típica imposição dessa espécie de anunciante.

Todos, entretanto, reconhecem o baixo profissionalismo de algumas agências de publicidade de Porto Velho. Essa falha é representada principalmente na precária estrutura de produção de que dispõem, complementada pela falta de criatividade.

Claro que nem todo mundo concorda e acha, por ingenuidade ou conveniência, que não é bem assim. Respondendo a um produtor que não gostou de sua crítica, o criador da comunidade no Orkut, Alexandre Rotuno, escreveu:

“Você pode atingir um público com uma campanha peba ou com uma supercampanha, daí é que entra a sua criatividade. Se você colocar uma melancia na cabeça, ficar de cueca vermelha e de botas cano alto, berrando lá na praça do Baú “SALVEM O PROFETA! SALVEM O PROFETA!”, vai chamar tanto a atenção que todos vão querer saber quem é o profeta.... O que nós criticamos aqui na publicidade não é o fim e sim o MEIO, porque, ao contrário do que dizia Maquiavel, os FINS não justificam os MEIOS.”

AS PIORES

Na comunidade criada por Rotuno, outro tema que consegue atenção é a escolha dos piores comerciais, o que dá nome ao grupo. As dez propagandas mais lembradas são: Uniron (comercial veiculado no ano passado), Chilli Beans, Polo Frio, Irmãos Gonçalves, Cooptaxi, Tonin Soldas, Prisma, Center Luz, Fimca e São Lucas.

Já entre os melhores, figuram menos comerciais: Ameron, Unimed, Panificadora Roma, Ceron e Uniron (o mais recente).


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: