Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  ter,   25/fevereiro/2020     
opinião

Editorial: A pílula dourada da “aceleração” do crescimento rondoniense

8/12/2007 10:45:07
Imprensa Popular
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Este ano será encerrado com os rondonienses cheios de perspectivas com o anunciado novo “boom” econômico no Estado. Poucos estão realmente conscientes de que mais uma vez nos servem uma pílula convenientemente dourada pelos políticos governistas. 


 Foram tantos debates públicos e seminários os mega-projetos anunciados para Rondônia neste ano, especialmente por parte de políticos alinhados com o governo federal que os rondonienses estão verdadeiramente convencidos de que o novo ano abrirá uma nova era de desenvolvimento para todos que moram nestas plagas.

E este sentimento tem toda a razão de ser. Afinal, fora os dois grandes projetos dos shopping-centers de Porto Velho (em implantação), teremos também o início da construção do chamado Complexo Energético do Rio Madeira, a retomada das obras de duplicação da BR; a construção das pontes (ainda apenas promessas) sobre o mesmo rio, a implantação das obras de saneamento básico (água e esgoto) em 100% da área urbana da capital; o início da construção do centro administrativo do estado; a construção da nova sede do Poder Legislativo e até a de uma nova rodoviária, digna da expressão econômica de um município que, como se afirma, receberá investimentos da ordem de bilhões nos próximos 10 anos.

A maioria dos políticos, já contaminada pelo clima pré-eleitoral, trabalha no sentido de dourar a pílula, procurando assim conquistar simpatias eleitorais junto a um público que continua fazendo péssimo juízo dos políticos como um todo, idéia que não será mudada com campanhas publicitárias como aquela veiculada no momento com o dinheiro do legislativo estadual.

Na verdade poucos são os políticos que falam dessa esperada “aceleração” do crescimento sem dourar a pílula, refletindo sobre a realidade em que nos debatemos e as conseqüências negativas que devemos esperar em decorrência dos impactos causados pelo abrupto crescimento econômico que deverá ocorrer a partir de 2008.

Ora, convenhamos que a administração pública municipal de Porto Velho chega ao seu ocaso com poucas realizações para o enfrentamento das mazelas mais visíveis da cidade. Na verdade, esta administração de Roberto Sobrinho vai pelo mesmo caminho das anteriores, que somente despertaram para algumas realizações no período pré-eleitoral, repetindo o velho costume de ludibriar, com as obras eleitoreiras, a cidadania até então agastada com políticos que não fazem *m nenhuma.

Foram praticamente três de uma gestão que não tomou atitude para coibir prosaicos dilemas existentes nas áreas da saúde, da educação, da cultura, da segurança pública, da geração de empregos, das melhorias urbanas em setores como transporte, limpeza pública, trânsito, poluição (sonora e visual), lazer e até embelezamento urbano da capital.

Tirando uns poucos gatos-pingados da política (como o deputado Jesualdo Pires e vereadores como Kruger Darwich e Mário Jorge), a maioria não se posiciona e não cobra aqueles que têm em mãos as chaves para a solução dos graves problemas sociais existentes e que, certamente, serão ampliados num grande diapasão com o esperado “boom” econômico do qual tanto se fala e tanto se decanta nos dias de hoje.

Nosso burgomestre mantém o costume de esperar que os problemas que afetam especialmente a parte mais carente da população, sejam resolvidos com as benesses de Brasília ou com “doações” de complexos corporativos da iniciativa privada que deverão, como também se afirma, participar dos tais mega-projetos de infra-estrutura nacional que terão de ser construídos aqui.

Mesmo as iniciativas anunciadas com tanta insistência, especialmente pela banda governista, para resgatar as carências urbanas mais visíveis não deveriam ser tidas pela opinião pública como favas contadas. É certo que dinheiro não parece ser o maior entrave nestes tempos de prosperidade econômica do mundo. Todavia, ressalte-se, que a liberação desses recursos dependem fundamentalmente da existência de projetos bem feitos por parte do poder público.

E elaborar bons projetos não é uma virtude da administração municipal. Ela, ao longo do tempo, demonstrou isso nos vários projetos anunciados, alguns iniciados e suspensos, pelos tradicionais vícios de superfaturamento ou direcionamento de licitações. Não se pode, ao se tocar nesse assunto, deixar de relembrar que a atual administração não conseguiu, sequer, aprovar pelos métodos naturais uma simples licitação para a veiculação das campanhas oficiais na mídia da capital. Em se tratando de grandes obras, basta lembrar o que aconteceu com o chamado complexo turístico da avenida Beira Rio, projeto que acabou ficando só na conversa fiada, com o município tendo de devolver recursos aos cofres públicos da União.

É, portanto, difícil de acreditar que a gestão atual consiga elaborar e maturar projetos com valores na casa dos milhões de reais para resolver sérios casos de drenagem, de corredores especiais de transporte, de parques temáticos (dignos desse nome), de infra-estrutura turística em pouco tempo e capazes de suportar o olhar mais agudo dos órgãos públicos de auditoria, com soem ser o Tribunal de Contas da União ou do próprio Estado.

Portanto, pelo menos naquilo que compete ao município, as afirmações de que há uma ação determinada para se dotar a Capital das condições mínimas para suportar os impactos de um novo “boom” econômico não passa, como já dissemos, de uma mera tática de dourar a pílula, quando não de simples sofisma.

A sorte dessa administração atual é a inexistência prática de “oposição” na Câmara Municipal, onde grande parte dos vereadores acha mais cômoda a posição de áulicos de um Executivo que, chegando ao seu ocaso, não realizou 10% das obras necessárias a transformar Porto Velho numa capital paradigma das demais existentes no país.


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: