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Porto Velho,  qua,   22/janeiro/2020     
opinião

Editorial: Imagem longe de ser recuperada

25/12/2007 18:22:46
Imprensa Popular
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N√£o ser√° uma campanha publicit√°ria mal feita que resgatar√° a imagem do legislativo rondoniense. N√£o ser√° negligenciando a opini√£o p√ļblica que se conseguir√° mudar a avers√£o das pessoas pela nossa pol√≠tica. 


 A Assembl√©ia Legislativa de Rond√īnia est√° interessada, de verdade, em melhorar sua imagem junto √† popula√ß√£o do Estado e at√© mesmo do pa√≠s. E este n√£o √© um empenho sem raz√£o. A Casa, que j√° abrigou personalidades da pol√≠tica rondoniense que honraram a c√Ęmara alta do Congresso brasileiro como senadores, de onde um deles chegou √† posi√ß√£o de Ministro de Estado (isto sem falar naqueles que chegaram ao Governo rondoniense), acabou vivendo um longo per√≠odo (praticamente toda a legislatura passada) no p√Ęntano da corrup√ß√£o.

Ainda neste ano, quando uma nova legislatura foi iniciada, a Assembl√©ia n√£o escapou dos holofotes negativos, especialmente pelas trapalhadas nos momentos de grandes decis√Ķes, como o da indica√ß√£o de um de seus integrantes na composi√ß√£o dos Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado ou na implanta√ß√£o de uma CPI destinada a investigar ind√≠cios de corrup√ß√£o numa entidade representativa de um segmento de servidores p√ļblicos do estado.

Muitos outros epis√≥dios serviram, neste ano, para desgastar ainda mais aquela casa, desta vez, convenhamos, com menos intensidade do que nos casos registrados na legislatura passada, quando muita coisa escabrosa tornou-se p√ļblica gra√ßas √† opera√ß√£o ‚ÄúDomin√≥‚ÄĚ, realizada pela Pol√≠cia Federal.

Certamente os atuais deputados estão conscientes de que a Assembléia Legislativa precisa urgentemente resgatar sua imagem. E por isso ficaram até certo ponto convencidos de que a massiva publicidade iniciada em novembro foi a decisão correta para tal.

A campanha, realizada por ag√™ncia publicit√°ria de pouca relev√Ęncia ‚Äď especialmente em marketing pol√≠tico ‚Äď gerou e ainda gera muitas cr√≠ticas da opini√£o p√ļblica mas agradou, ao que parece, o corporativismo parlamentar, de onde n√£o saiu nenhum palavra discordante sobre o assunto. Bom, √© assim mesmo: o corporativismo nunca foi uma virtude nas institui√ß√Ķes p√ļblicas da democracia.

A campanha, paga em altas cifras pela Assembl√©ia Legislativa, deveria consubstanciar a id√©ia de constru√ß√£o de uma nova pol√≠tica, mostrando uma Assembl√©ia realmente preocupada com coisas que s√£o importantes para o conjunto da sociedade ao inv√©s de se prender √†s mesquinharias do xenofobismo, com uma mensagem que serve apenas para alimentar egos ‚Äď e bolsos ‚Äď de indiv√≠duos mals√£os.

√Č claro que o criador dessa ignom√≠nia n√£o se fez de rogado. Apresentou argumentos simpl√≥rios sustentando aquilo que batizou de campanha e que invadiu as tvs e as p√°ginas dos jornal√Ķes da capital, sugando milh√Ķes do gordo er√°rio p√ļblico. E n√£o √© que a tal palestra do ‚Äúpublicit√°rio‚ÄĚ (???) acabou transformando, em poucos minutos, deputados em profissionais da propaganda, dispostos a ‚Äúaplaudir‚ÄĚ a tal campanha do ‚Äúsou daqui e exijo respeito‚ÄĚ. Teve at√© um que j√° quis reviver, e logo, aquele famigerado e repulsivo slogan da ditadura, aquele do ‚ÄúBrasil, Ame ou Deixe-o‚ÄĚ.

Ora, uma verdadeira campanha publicit√°ria se explica sozinha, n√£o precisa de ‚Äúsemin√°rios‚ÄĚ e muito menos de palestras.

Mas tamb√©m, entre os escribas de final de carreira, pelo menos um apresentou-se como da esp√©cie dos ‚ÄúAdulatoris Babaovis‚ÄĚ na busca pelo trof√©u do Campeonato do Bajulador. Essa racinha √© assim mesmo. Est√£o sempre por ai √† espreita, sempre dispostos √†s mesuras falsas e servilismos, doidos para fazer uma lisonja, doidos para agradar o chefe. Subservientes por desgra√ßa da natureza, os escova-botas s√£o aqueles que elogiam toda e qualquer porcaria que os diretores de cria√ß√£o produzem em dias menos inspirados.

Quem √© verdadeiramente profissional de propaganda certamente viu logo na tal ‚Äúcampanha‚ÄĚ um fracasso em seu objetivo. √Č claro que os deputados n√£o s√£o respons√°veis pelo grande fiasco, pois certamente n√£o tinham como opinar sobre um assunto que desconhecem. Afinal, de propaganda eles entendem tanto como dos cangurus pugilistas ou da geografia da lua.

S√≥ uma inten√ß√£o predadora poderia justificar a concord√Ęncia em torrar milh√Ķes, dinheiro que sai do bolso dos contribuintes, numa ‚Äúcampanha‚ÄĚ que nenhuma ag√™ncia com pedigr√© teria coragem de por em seu portf√≥lio. Quem gestou a famigerada ‚Äúcampanha‚ÄĚ ainda n√£o descobriu que a m√≠dia em nossa sociedade funciona sempre de forma enunciadora, oferecendo a si mesma como refer√™ncia e como fator explicativo universal de todos fatos sociais.

N√£o √© necess√°rio uma ‚Äúan√°lise t√©cnica‚ÄĚ da ‚Äúcampanha‚ÄĚ desencadeada pela ag√™ncia contratada pela Assembl√©ia para concluir que ela serve simplesmente ao desperd√≠cio de dinheiro p√ļblico. O que √© inexplic√°vel e inaceit√°vel, at√© agora, √© que verificado o custo econ√īmico dessa campanha e seu claro direcionamento aos jornal√Ķes, o Minist√©rio P√ļblico n√£o tome a decis√£o de por fim a esta sinecura, a este novo ralo por onde se escoa tanto dinheiro p√ļblico.


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