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Porto Velho,  qua,   5/agosto/2020     
reportagem

Natal do medo para 250 trabalhadores: ameaça de demissão nas empresas de transporte urbano

25/12/2007 18:29:24
Por Aldrin Willy
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Ameaça de desemprego paira sobre 250 pais e mães de família. 


 Um novo modelo de ônibus coletivo estreou nas ruas de Porto Velho desde o início de dezembro. A notícia, que poderia gerar alguma alegria por se tratar de mais veículos novos e modernos a serviço da população, trouxe angústia para a classe dos cobradores. Nos novos ônibus, a cadeira deles simplesmente não existe.

É o que poderá constatar qualquer pessoa que tomar o coletivo da linha que atende ao bairro União da Vitória, passando pelo Jardim Ipanema, uma das quatro linhas inaugurais para os quatro novos ônibus inicialmente adquiridos pela empresa Três Marias.

A catraca pela qual os usuários passam após pagar sua passagem, com uso do cartão “Leva Eu” ou em espécie, foi movida para frente, ficando próxima da poltrona do motorista.

Em vez de pagar sua passagem ao cobrador, os usuários agora o fazem diretamente ao motorista, nos casos em que o pagamento é feito em espécie, sem o uso do cartão “Leva Eu”.



ANGÚSTIA E REVOLTA

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Urbanos de Rondônia (SITETUPERON) protestou contra a iniciativa da Três Marias. Em recurso encaminhado ao secretário municipal de Transportes, Cláudio Carvalho, o presidente do sindicato, José Ribamar, pediu que os ônibus fossem imediatamente removidos de circulação.

A solicitação do sindicato foi atendida e os ônibus saíram de circulação. Porém, poucos dias depois, estavam de volta às ruas da capital. Questionado pelo sindicato, Carvalho respondeu apenas que não podia proibir a empresa de usar os novos ônibus, pois o contrato de concessão de serviço não prevê esse impedimento.

Ribamar não se contentou com o desfecho e disse que “não vamos aceitar a implantação desses ônibus na Capital porque é mais uma manobra para demitir cobradores”. O sindicato conseguir então um acordo com as empresas de que não colocariam mais nenhum micro-ônibus – “grandes” ou “pequenos” – para rodar na cidade além dos que já estão em atividade. Atualmente, circulam pelas ruas de Porto Velho, incluindo os novos, 21 micro-ônibus.

Segundo o sindicato, a empresa Três Marias está se utilizando de um artifício para burlar a legislação. Está usando ônibus, considerados convencionais pelo sindicato, como se fossem micro-ônibus.

Os motoristas apelidaram os novos veículos de “micrão”, pois mesmo sendo do tamanho de ônibus convencionais, com 35 cadeiras, não têm – como nos micro-ônibus – vaga para cobrador e possuem apenas a porta dianteira. Essa última característica, de acordo com o Sitetuperon, inviabiliza o transporte de idosos sem o cartão “Leva Eu”, militares sem a farda, funcionários da própria empresa e deficientes físicos.

Ainda conforme o sindicato dos funcionários empresas de transporte coletivo, nos novos ônibus, os motoristas são obrigados a desempenhar a função de duas pessoas sem receber a mais por isso.

Os cobradores dos coletivos estão apreensivos. Eles somam hoje cerca de 250 funcionários nas duas empresas que operam o transporte público na cidade. Funcionários da empresa Rio Madeira sentem insegurança com a nova tendência adotada pela Três Marias. Uma cobradora da empresa Rio Madeira, que preferiu manter-se anônima, contou à reportagem como está o ânimo dos colegas com a notícia dos novos ônibus.

“Estamos todos com medo, apreensivos. Não se tem nenhuma segurança sobre nossos empregos”, conta a funcionária. “Essa nova tática é mais uma tentativa para cortar despesa tirando nossos empregos. Metade dos trabalhadores ficará desempregada. E o Poder Público não faz nada para impedir”.

O conflito de interesses entre empresas e funcionários tem gerado elevada tensão entre o sindicato e as duas companhias de transporte público. O clima ficou ainda pior quando o diretor de uma delas, a Três Marias, Ronaldo Perina, disse em entrevista que os motoristas recebem hoje R$ 2.500,00 e os cobradores R$ 1.200,00. O Sitetuperon afirma que os vencimentos de motoristas e cobradores não ultrapassam R$ 1.150,00 e R$ 680,00, respectivamente.

Os cobradores, apreensivos, depositam o pouco de esperança que têm no projeto de Lei proposto pelo vereador Hermínio Coelho, que pretende obrigar as empresas de transporte coletivo a colocar as catracas na parte traseira dos ônibus. Essa medida inviabilizaria o uso pelos empresários dos micro-ônibus.



POPULAÇÃO DESAPROVA

Mesmo vislumbrando uma possível redução da tarifa por conta da diminuição do custo das empresas, os usuários do transporte coletivo não vêem com bons olhos a novidade introduzida pela Três Marias.

A professora Inês Gonçalves Santos avalia que a tática das empresas se traduz numa “exploração do motorista que vai estar fazendo o trabalho de duas pessoas”. Em sua opinião, é preciso considerar também que “muitos pais de família perderão seu ganha pão”.

A estudante Gláucia Farias Vieira também interpreta negativamente a vinda dos novos ônibus. Estudante de Química da Universidade Federal de Rondônia, Gláucia utiliza todos os dias o transporte coletivo. Para ela, um problema que vai pesar muito será o atraso dos novos ônibus.

“Quem tem horário a cumprir e não pode chegar atrasado às aulas, por exemplo, vai sentir muito porque nem todo mundo tem [cartão] “Leva Eu” e aí o motorista tem de parar para dar o troco”, diz a estudante. Outra questão crucial segundo Gláucia é quanto à segurança, pois ela acha pouco confiável dar dois trabalhos conflitantes ao motorista.


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