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Porto Velho,  sex,   20/setembro/2019     
entrevista

A agressão do prefeito "é um ato abominável em todos os aspectos"

29/5/2008 20:43:16
Por Gessi Taborda
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Na opinião de Adilson Siqueira, mestre da Unir, a intolerância do prefeito é conseqüência do desespero e do desequilíbrio de alguém que no poder esqueceu os preceitos democráticos que defendia quando estava na esquerda. 



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O professor da Unir e também presidente do PSOL no estado, Adilson Siqueira, falou ontem com exclusividade a este jornal, quando confessou-se surpreso com o ato praticado pelo prefeito no último dia 28, agredindo o repórter Paulo Andreolli, editor de um site informativo de Porto Velho, em plena via pública, quando fazia política em torno do evento conhecido como Dia do Desafio.

Para o professor Adilson, o jornalista estava questionando legitimamente o prefeito sobre um adesivo claramente usado em benefício eleitoral de Roberto Sobrinho, ferindo a legislação eleitoral, por se caracterizar como "propaganda antecipada" do pleito onde o prefeito pretende disputar a reeleição.

"O repórter tem legitimidade para questionar, para buscar a verdade, de forma tão profunda quanto seja possível alcança-la, pois este é compromisso basilar do jornalismo e, por isso, o repórter deve se comportar como um auditor da sociedade", destacou Adilson Siqueira para acrescentar que "a autoridade precisa ser tolerante com o profissional que faz até perguntas desagradáveis".

UMA ABERRAÇÃO

Adilson Siqueira fez questão de lembrar a formação acadêmica do prefeito ("ele é um psicólogo") para classificar seu ato de intolerância como "insanidade e estupidez injustificáveis" na figura de um prefeito de capital que, por sua formação, "deveria conhecer terapias para enfrentar momentos de estresse sem perder o bom senso e o equilíbrio em público". Siqueira ainda lamentou a falta de respeito do chefe do Executivo de Porto Velho com os profissionais da "imprensa" no cumprimento de suas prerrogativas. "Repórter não tem a obrigação de perguntar somente aquilo que agrada a autoridade. E o prefeito, até pelo seu passado de militante da esquerda, deveria ter aprendido isso", aprofundou Adilson Siqueira.

Garantindo ter visto o vídeo onde foi documentada a agressão verbal e física do prefeito ao repórter, Siqueira classificou o fato como "abominável sob todos os aspectos".

Ele disse ter esperança numa investigação por parte da Justiça Eleitoral e do próprio Ministério Público Eleitoral, "porque ficou evidente a decisão do grupo do prefeito de antecipar a campanha eleitoral, com a propaganda ilegal que pode estar acontecendo não só com a distribuição de adesivos, mas até com comícios fora de época".

AMESTRADOS

Adilson Siqueira tem uma opinião muito própria sobre a reação raivosa do prefeito contra Paulo Andreolli, um repórter sempre disposto a criticar sua administração, através de seu blog e seu site na Internet:

- O prefeito foi cooptado pelo Poder. Passou a acreditar na isenção de prestar conta de seus atos à sociedade. Tudo leva a crer que está completamente atrelado aos interesses de pequenos grupos econômicos ligados ao transporte coletivo, à limpeza pública e outros monopólios. Sua administração é uma construção de marketing que não se sustenta na realidade. Então o prefeito só consegue conviver bem com a mídia amestrada, aquela para qual ele canaliza o grosso do dinheiro público que paga essa imensa publicidade. Ela imagina poder pautar essa mídia. Quando se depara com uma mídia capaz de questiona-lo ele perde as estribeiras e tira a máscara, revelando-se não um democrata e sim um mero déspota tentando copiar seu líder maior, que é o Lula. A imagem positiva de Roberto Sobrinho – um camarada que não teve respeito nem com a sua vice – é fruto de uma imprensa que está refém de sua vontade, pelo volume de dinheiro que recebem da prefeitura, sabe-se lá se é mesmo da publicidade veiculada.

MAU PRESSÁGIO

Insistindo na tese de que "o Ministério Público, tanto do estado como da Justiça Eleitoral" precisam auditar a publicidade da prefeitura e "ver que ela tem sido usada para a promoção pessoal" e não para "informar, conscientizar e promover campanhas educativas para a população", numa ação antidemocrática que "acaba amordaçando essa imprensa", cúmplice de uma estratégia política para esconder "a incúria e a incompetência política", responsável pelo travamento da melhoria de qualidade de vida de nossa gente.

"Quando o prefeito perde totalmente o senso de responsabilidade e adota reações indignas para quem representa o município" é sinal de medo "é um mau presságio", sublinhou Adilson Siqueira.

Para ele "uma autoridade de uma cidade como Porto Velho" quando é "amada pelo povo" não precisa de um "verdadeiro pelotão de segurança" para sair às ruas e se colocar no meio do povo. Siqueira disse ter ficado pasmo com o número de seguranças utilizados pelo prefeito em seus deslocamentos. No caso do prefeito Roberto – continuou explicando Adilson – é uma situação ainda mais inusitada, "pois ele era homem simples enquanto estava no movimento sindical e agora, ao ter medo do povo, ao agredir jornalista, vê-se claramente que ele, prefeito, se deslumbrou com o Poder e foi cooptado pela burguesia. Deve estar apavorado com a possibilidade real de perder o cargo, de não ter mais condições de ter um diálogo baseado na verdade com a população".

SEGUNDO TURNO

Ninguém deve esperar, na visão de Adilson Siqueira, uma retomada do prefeito "ao postulados da humildade. Na visão do professor, "o prefeito já está convencido de que haverá segundo turno" na decisão sucessória da capital e isso "causa um verdadeiro terror" no alcaide, "porque significa uma grande possibilidade de derrota".

O prefeito – como se afirma entre analistas respeitáveis – está ainda na liderança da corrida eleitoral. Mas seus índices não são consagradores. Na lógica, a tendência é que os índices de Roberto caiam enquanto os de seus concorrentes aumente.

Nesse cenário de muitas incertezas, é natural o estresse do chefe do município, mesmo havendo hoje em Porto Velho quase 40 pessoas inscritas no bolsa-família. Então, especula Adilson Siqueira, "o prefeito pode, daqui pra frente, se tornar mais agressivo com outros segmentos, além do da imprensa. Ele vai cada vez mais se tornar refratário a qualquer coisa capaz de ser identificada como de oposição".


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