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Porto Velho,  ter,   21/novembro/2017     
opinião

A eleição sem campanha prejudica o uso consciente do voto

12/8/2008 09:18:46
Gessi Taborda
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Com o jornalismo anódino e insosso, o cidadão fica sem os instrumentos fundamentais na definição de seu voto, fato típico de uma sociedade desinformada. 


 A praticamente 50 dias para a ida às urnas, onde serão escolhidos os novos vereadores e o novo prefeito (com seu vice), o cenário de Porto Velho em quase nada demonstra que estamos numa campanha eleitoral. Este é o resultado de uma campanha em que tem predominado o silêncio, não só dos próprios candidatos e também da imprensa, impedindo que se abra a discussão sobre programas e idéias de cada candidato.

Nunca se viu um processo eleitoral como esse, com uma carência de informação extrema, impedindo o eleitor de fazer escolhas mais criteriosas.

Quem, daqui a alguns anos, se detiver na análise desse processo eleitoral vai constatar que os frutos saídos das urnas de 2008 maturaram ao acaso e não pelo adubo do debate, do contraponto, dos compromissos e das idéias. Este é o resultado de um processo eivado de limitações absurdas, destinadas, como dizem, a reduzir o impacto da corrupção e da influência do poder econômico.


DESEQUILÍBRIO

As limitações impostas durante esse processo eleitoral servirão, isso sim, para aprofundar ainda mais o desequilíbrio entre os candidatos que são apoiados pela situação, pelas máquinas públicas, daqueles candidatos da oposição que não têm sequer o mínimo de estrutura ou condições.

Nas ruas de Porto Velho quem aparece são aqueles pouquíssimos candidatos que conseguiram adesivar a maior quantidade de carros. E mesmo assim, essa postura corporativa só beneficia os mais conhecidos, independente de ser um não ser um representante engajado com as aspirações da sociedade. Esta é, portanto, uma campanha de estilo "mantenedor", na qual quem não se fez conhecido antes do pleito eleitoral dificilmente vai chegar a algum lugar.


A IMPRENSA

Temerosa dos percalços que a Justiça Eleitoral pode infligir às empresas jornalísticas em decorrência uma cobertura eleitoral que busque interpretar a realidade para fornecer ao eleitor elementos decisivos neste momento máximo do exercício da cidadania, o eleitorado se vê ainda mais privado da chamada decisão consciente, pois não tem parâmetros comparativos sobre quem está na disputa.

A grande imprensa (??) domesticada com as verbas publicitárias recebidas parece unida neste complô do silêncio, preferindo praticar o jornalismo inodoro e insosso, onde todo debate e todo confronto de idéias é evitado.

Apenas um jornal diário da Capital – o quase centenário Alto Madeira – tem publicado matérias que expõe a candidatura oficial à opinião pública, questionando o oba-oba dos demais veículos. E mesmo tendo uma tiragem menor do que os demais "jornalões", o Alto Madeira tem enfrentado riscos diários por ter adotado a postura de não mascarar a realidade.

Há, ao que parece, uma deliberada manobra da grande mídia para calar as oposições. Não se sabe se por medo ou se por conveniência. A verdade é que há polêmica está banida em todos os meios e níveis de comunicação, porque há um deliberado interesse numa sociedade desinformada.

Por tudo isso, ai está uma eleição fria e não morna como dizem alguns.


EXPLICAÇÕES

Nenhum jornalão procurou, até agora, pelo menos explicar aquilo que parece óbvio: que o candidato oficial não pretende ficar mais do que um ano e meio na prefeitura, pois seu projeto é já em 2010 disputar o senado ou o governo, dependendo dos arranjos políticos que se farão.

Nenhuma grande matéria, nenhuma reportagem especial, nenhum jornalismo sobre o assunto. E de repente o eleitor não percebe que corre o risco de votar no titular para ser governado pelo vice.

Os tais "jornalões" fazem tudo, até agora, para evitar a discussão sobre o programa de governo de cada candidato. Na verdade, segundo se afirma, tem candidato que nem mesmo tem programa.

É impossível ao eleitor praticar o chamado voto consciente se não estiver municiado para levantar questões, dirimir dúvidas. Sem uma cobertura mais densa da mídia, o eleitor continuará perdido nesse mar de candidatos e votará sem ao menos conhecer o perfil de cada pretendente tanto ao Executivo como ao Legislativo.


DIA-A-DIA

Quem folheia os jornais diários (os grandões) verá que não se faz nada para apurar fatos e ocorrências dos candidatos.

Quando se fala em campanha, o que se vê é o jornalismo burocrático onde apenas pesquisas, marqueteiros e coordenadores de programa falam. Todas as matérias parecem feitas pelo telefone.

Desse jeito, com o eleitor sem informações da mídia e sem o praticar o salutar costume de trocar idéias com os amigos e conhecidos sobre as eleições, a tão sonhada representatividade dos que serão eleitos não passa de uma falácia.


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