Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  qui,   16/julho/2020     
artigos

Governo gasta mais e desempenho do Brasil piora nas Olimpíadas

2/9/2008 10:29:24
Aldrin Willy
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



A triste participa√ß√£o do Brasil nas Olimp√≠adas mostra o quanto o pa√≠s est√° distante de uma pol√≠tica nacional s√©ria para o esporte. 


 O p√≠fio desempenho do Brasil nas Olimp√≠adas de Pequim deixou mais do que claro a falta de seriedade com que o governo trata o esporte. A mediocridade dos resultados brasileiros na maioria das modalidades em disputa nos jogos ol√≠mpicos deste ano mostra tamb√©m a carga de cinismo dos dirigentes √† frente do esporte no pa√≠s.

Cinismo estampado na declara√ß√£o do presidente do Comit√™ Ol√≠mpico Brasileiro (COB), Carlos Alberto Nuzman, para quem o Brasil teve em Pequim ‚Äúsua melhor participa√ß√£o em jogos ol√≠mpicos‚ÄĚ. Nada poderia ser mais canhestro.

A verdade √© que, como bem escreveu Barbara Gancia, colunista da Folha de S. Paulo, essa Olimp√≠ada foi boa para ser esquecida. Mas n√£o para os cartolas que comandam as confedera√ß√Ķes esportivas pelo pa√≠s. Para eles, este ciclo ol√≠mpico foi bastante vantajoso, haja vista o volume recorde de dinheiro que o pa√≠s empenhou na prepara√ß√£o dos atletas dos chamados esportes de "alt√≠ssimo rendimento".

Fazendo a contabilidade dos gastos, chega-se a absurda conta de quanto custou-nos 13 das 15 medalhas ‚ÄĒ as duas do futebol n√£o contam porque a Confedera√ß√£o Brasileira de Futebol (CBF) n√£o recebeu recursos p√ļblicos ‚ÄĒ conquistadas nesta edi√ß√£o dos jogos ol√≠mpicos: nada menos que R$ 692,58 milh√Ķes. Uma m√©dia de R$ 53,28 milh√Ķes cada.

Foi a mais cara campanha brasileira em uma olimp√≠ada. Este ciclo ol√≠mpico foi o primeiro da hist√≥ria completamente beneficiado pela Lei Piva, que reserva 2% das loterias federais para o esporte. Entre 2004 e 2008, os cofres do COB e das outras confedera√ß√Ķes esportivas foram alimentados com fartos R$ 300,04 milh√Ķes.

O dinheiro para estas Olimp√≠adas n√£o foi pouco. Tanto que o pa√≠s chegou a manter em Pequim a chamada ‚ÄúCasa Brasil‚ÄĚ, uma esp√©cie de centro de apoio ao atleta nacional, ao custo de R$ 10,4 milh√Ķes.

As altas somas destinadas a financiar o esporte podem, contudo, induzir-nos a achar que nossos atletas, desta vez, tiveram todo o apoio que precisaram. N√£o foi bem assim. Do jud√ī, por exemplo, vem um exemplo irretorqu√≠vel das distor√ß√Ķes que permeiam a distribui√ß√£o de recursos no setor desportivo.

A confedera√ß√£o brasileira da modalidade recebeu cerca de R$ 10,86 milh√Ķes do COB e de patroc√≠nio da Infraero. Entretanto, apesar do aporte de dinheiro, o judoca Eduardo Santos, um dos esportistas que foram a Pequim defender as cores do Brasil, n√£o tinha R$ 1,5 mil para trocar de faixa e precisou se endividar para poder ir aos jogos.

O mesmo se repete com outros esportistas. O medalhista de ouro na natação César Cielo é outro exemplo de como o volume recorde de verbas para o esporte não chegou na ponta do problema. O nadador se preparou nos Estados Unidos, tendo um australiano como técnico e com recursos pagos por uma universidade norte-americana.

Como tudo leva a concluir, a maior parte dos R$ 692,58 milh√Ķes n√£o ficou nas m√£os de nossos esportistas, que, salvo poucas exce√ß√Ķes, precisaram executar verdadeiros malabarismos para representar seu pa√≠s nos Jogos de Pequim. Enquanto houver na dire√ß√£o das confedera√ß√Ķes desportivas do pa√≠s castas intoc√°veis ser√° dif√≠cil acreditar em um significativo avan√ßo do Brasil no cen√°rio do esporte no mundo.


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: