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Porto Velho,  ter,   15/outubro/2019     
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Fim dos tempos: advogado prefere ditadura a democracia

3/9/2008 10:42:51
Aldrin Willy
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Sintoma da mediocridade que avança sobre o ensino superior no país, falta de consciência política ganha terreno entre novos advogados. 


 Imagine a surpresa do repórter ao ouvir de certo indivíduo o desejo de ver o país retornar aos tempos da ditadura militar que predominou no Brasil por mais de 21 anos, entre 1964 e 1985.

O mais assombroso é o ofício professado por esta pessoa: diz-se advogado. Para ele, que atua na seara trabalhista de Porto Velho, a democracia, em vez de promover avanços, “estragou” o Brasil. O advogado é assíduo freqüentador do Bar do Bigode, local propício para o mais amplo exercício da democracia que o “doutor” diz preterir.

Questionado como um operador do Direito pode defender tamanho absurdo, ele parte para um campo em que a lógica e a razão não tem espaço. “Essa é minha opinião pessoal. Como advogado, jamais defenderia tal tese”, justifica.

Interessante, contudo, é tentar entender como a pessoa consegue fazer uma dissociação tão drástica entre o advogado e o cidadão. É como se um e outro não fossem umbilicalmente ligados, ou como se sua vida profissional fosse apenas uma encenação: para não entrar em conflito com seus pares, defende pensamentos que não os seus.

Tal conduta lembra o que o escritor George Orwell (1903-1950) chamou de “duplipensar”, em sua obra política mais importante, “1984”. Assim, para o estado totalitário satirizado por Orwell, era importante despir as pessoas de um senso crítico que pudesse pôr a perder o domínio do Partido sobre o povo.

“Duplipensar” — escreveu Orwell — “é a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e aceitá-las ambas.”

Se o tal advogado é apenas uma voz isolada em seu meio, isso é o que menos importa. Preocupante, sim, é o fato de haver pessoas, entre elas advogados, que tenham um pensamento tão pernicioso em tempos que vemos regimes totalitários ganharem nova força ao redor do mundo.

A valorização da democracia precisa ser retomada sem demora, antes que mais portadores de diploma de nível superior, especialmente os que estudam o Direito, saiam dos bancos escolares com uma visão política tão deformada das coisas.


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