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entrevista

Farmacêutica alerta para crescimento de problemas no uso de remédios

28/9/2008 19:15:18
 
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A farmacêutica, que representa Rondônia no Plenário do CFF, apelou às autoridades rodonienses, no sentido de que dêem um choque de gestão no setor de saúde, qualificando a assistência farmacêutica pública. 


 “Por que, ultimamente, a imprensa do mundo inteiro tem falado tanto dos problemas decorrentes do uso de medicamentos?”. A questão em tom reflexivo foi levantada pela Diretora Secretária-Geral do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Lérida Vieira. Segundo ela, o interesse crescente da imprensa pelo assunto reflete o temor da humanidade em relação aos efeitos colaterais e outras conseqüências negativas do uso de produtos farmacêuticos. A Dra. Lérida Vieira afirma que a orientação é a alternativa para dar segurança ao usuário de medicamentos.

A farmacêutica, que representa Rondônia no Plenário do CFF, apelou às autoridades rodonienses, no sentido de que dêem um choque de gestão no setor de saúde, qualificando a assistência farmacêutica pública. Lérida Vieira lembra que as autoridades internacionais reconhecem a orientação à população como a solução para os problemas relacionados aos medicamentos, tanto no serviço público, quanto privado. Ela citou os ingleses como referência.

Informou que, na Inglaterra, as autoridades exigem a atuação dos farmacêuticos, em todos os lugares onde se lida com produtos farmacêuticos. O resultado é muito positivo e merece destaque na imprensa de todo o mundo, inclusive, no Brasil, ressaltou Lérida Vieira.

Pesquisas realizadas, naquele País, revelam que, de 25% das pessoas que foram orientadas pelos farmacêuticos, 55% disseram que acertaram a forma de tomar o medicamento. Antes, de cada cinco ingleses, um tomava produtos farmacêuticos prescritos pelo médico, de forma errada, e, por isso, sofriam diferentes seqüelas. “Os ingleses estão mostrando que a orientação farmacêutica é que faz a diferença”, destaca.


REAÇÕES

A Diretora do CFF faz o seguinte alerta à população e aos gestores: “Qualquer medicamento, por mais inofensivo que aparenta ser, pode desencadear graves reações indesejáveis. Os problemas são inerentes aos medicamentos. O que controla, ou diminui os riscos é a orientação sobre o seu uso correto aos pacientes”.

Os gestores públicos - e também os do setor privado -, apela Lérida Vieira, precisam ter a sensibilidade para perceber que os serviços farmacêuticos são a alternativa concreta e barata para reverter os números negativos envolvendo o uso do medicamento. “Os candidatos a prefeito devem saber que o Ministério da Saúde criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), com o objetivo de controlar os problemas dentro da saúde pública”, explicou.

Cada núcleo está sendo implantado no Município que firmar parceria com o Ministério. É no NASF, onde irão atuar os farmacêuticos, auxiliando as equipes do PSF (Programa Saúde da Família). Além de evitar danos à saúde, a expectativa é de que os farmacêuticos qualifiquem a gestão em assistência farmacêutica, evitando, também, os desperdícios de medicamentos e os prejuízos vultosos aos cofres públicos.

A Diretora do CFF disse que alguma coisa teria mesmo que ser feita pelo Governo no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). “Os números traduzem muito bem a tragédia que vem acontecendo, no Brasil, relacionada ao uso de medicamentos”, salienta.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), órgão do Ministério da Saúde, fez um estudo recente sobre as intoxicações por medicamentos, no Brasil. Segundo a pesquisa, em 2006, quase 33 mil pessoas foram intoxicadas por fármacos. Entre as causas estão o uso acidental, erros na administração, efeitos adversos, interações entre medicamentos e a automedicação.

Outro dado alarmante da pesquisa da Fiocruz refere-se ao fato de que apenas 25% das pessoas que adquiriram medicamentos foram orientadas sobre o seu uso. A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, informa que só a metade dos pacientes faz uso correto dos medicamentos.

O problema toma uma proporção maior, quando se sabe que os efeitos negativos dos medicamentos afeta diretamente os sistemas público e privado de saúde. Por isso, os hospitais gastam fábulas com pacientes vítimas das substâncias. Alguns têm que ser internados, o que amplia os gastos hospitalares. Nas emergências, 40% dos pacientes são atendidos em decorrência de problemas causados pelo uso de fármacos. Dados do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica de São Paulo) revelam que, naquela capital, de dez casos de intoxicações, quatro têm origem no mau uso de medicamentos.

 ”A situação está ficando insustentável”, adverte a Dra. Lérida Vieira, lembrando que o problema é universal. Nos Estados Unidos, as reações indesejáveis a medicamentos são a quarta causa de morte. Bem maior que a Aids e as doenças pulmonares.


ENTREGUE À SORTE

A Diretora do CFF denuncia que quando um paciente não recebe a devida orientação farmacêutica sobre o uso correto dos medicamentos, tanto no serviço público quanto nas farmácias particulares, é o mesmo que deixá-lo entregue à própria sorte. “É um risco inadmissível, que resulta, quase sempre, em agravos para a saúde”, diz.

No caso das farmácias e drogarias particulares, a situação, segundo a Dra. Lérida, é igualmente preocupante. “Muitos estabelecimentos não mantêm o farmacêutico presente. Com isso, os balcões ficam entregues a leigos. Vários deles agem movidos pelo interesse em ganhar comissões sobre as vendas. No caso, essas farmácias e drogarias funcionam, seguindo apenas a lógica do mercado e jamais a da saúde”, denuncia.

A Conselheira Federal de Farmácia por Rondônia frisa que o acesso ao medicamento não é o bastante. “O paciente precisa ter acesso, também, à orientação, sob pena de o medicamento, que deveria curá-lo, transformar-se em um tóxico letal, muitas vezes”.

Os novos prefeitos, observou Lérida Vieira, terão a chance de desenhar um novo perfil para a saúde dos seus Municípios, no que diz respeito à assistência farmacêutica, pois poderão contar com esta novidade chamada NASF.

“Os prefeitos devem ficar atentos também às farmácias particulares que não mantêm o farmacêutico atuando, pois, no caso, elas estariam disseminando problemas e não saúde junto à população”, concluiu. 


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