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Porto Velho,  qua,   1/abril/2020     
reportagem

Dia da Consciência Negra: “Ainda não temos muito o que comemorar”

4/12/2008 15:34:21
Por Aldrin Willy
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A eleição de um negro para a presidência dos EUA foi apenas um dos fatos que este ano marcaram a trajetória dos negros. Apesar disso, em Porto Velho, sua data mais importante ainda não traz grandes motivos de comemoração, diz líder comunitário. 



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“Ninguém ouviu um soluçar de dor, no canto do Brasil. (...) Negro entoou um canto de revolta pelos ares no Quilombo dos Palmares, onde se refugiou. (...) E de guerra em paz, de paz em guerra, todo o povo dessa terra, quando pode cantar, canta de dor”.

As palavras fortes, tiradas da composição de Paulo Cesar Pinheiro, entoadas pela inigualável voz de Clara Nunes, servem para sintetizar o sentimento que ainda paira sobre a questão racial no Brasil.

Sentimento esse corroborado pelo principal agitador cultural da cidade, Carlinhos Maracanã. Para ele, a ascensão social do negro que vem ocorrendo nos últimos tempos é muito tímida e não pode ser medida apenas pela presença de alguns poucos em posições de destaque maior.

Assim, em seu entender, a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, a presença de mais negros nas esferas superiores da Justiça, como Joaquim Barbosa, no Supremo Tribunal Federal (STF), e Benedito Gonçalves, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), não servem de termômetro para avaliar a questão da igualdade de oportunidades entre todas as raças.

“São coisas muito pontuais, que não se refletem na realidade da vida dos milhões de negros pelo país”, avalia. “Você vê negros ministros de governo, sim, mas apenas em pastas ligadas à questão do combate às desigualdades. Não temos um ministro negro na Saúde, Educação, Fazenda ou Justiça, por exemplo. Gente competente no nosso meio te garanto que existe, mas se esbarra na discriminação”.

Ainda há o agravante, pondera Maracanã, de pessoas que são negras, mas não assumem essa condição. “Precisamos trabalhar a questão da conscientização”. Na opinião de Maracanã, para ter início uma mudança, é necessário que os próprios negros se organizem e adquiram consciência sobre sua situação.

“Desde 2003, a Câmara de Vereadores autorizou a criação do Conselho Municipal da Cidadania dos Negros. Entretanto, até hoje esse conselho não saiu do papel porque as comunidades negras que existem não se entendem no sentido de indicar, entre outras coisas, os membros desse conselho”, argumenta Maracanã. O conselho seria importante, conta ele, justamente para promover e reivindicar melhores condições para os negros em todas as esferas da vida social.

Um importante aspecto da conscientização das pessoas passa pela educação escolar. Segundo Maracanã, “a lei hoje já prevê que seja ensinada nas escolas tópicos sobre a história e a cultura negras. Mas ninguém está cumprindo a lei e não há mobilização, nem por parte do Ministério Público, nem de qualquer outro setor no sentido de cobrar que essa história seja passada na sala de aula”.

Além disso, diz o agitador cultural, mesmo importantes personagens da vida brasileira que eram negros têm essa característica, quando não omitida, minimizada. “É como se tentassem varrer para debaixo do tapete a negritude de nomes como Machado de Assis, Lima Barreto, entre tantos outros, só para ficar na literatura”.

A respeito da recém-divulgada pesquisa do Instituto DataFolha, do jornal Folha de S. Paulo, que aponta uma diminuição do preconceito racial no Brasil, Maracanã se mostra descrente. “Se o preconceito diminuiu, como então se explica a discriminação praticada recentemente contra o sambista Dudu Nobre e a mulher dele, a modelo Bombom?”, indaga, referindo-se ao incidente envolvendo comissários de um vôo da companhia aérea American Airlines e o casal famoso.




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