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Porto Velho,  qua,   28/outubro/2020     
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Artigo: “A educação rondoniense abandonada de vez”

18/6/2009 04:30:29
Victória Bacon
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Em abril de 2009, o INEP, órgão vinculado ao Ministério da Educação responsável por trabalhar com índices e pesquisas educacionais, divulgou o balanço do Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM versão 2008. A situação de Rondônia é tão alarmante que todos os principais jornais de circulação no país destacaram o nome de nosso nobre Estado em suas colunas educacionais e nas manchetes que tratavam sobre o ENEM. Nossa posição em relação ao ranking das escolas públicas é a penúltima do país, apenas superando Tocantins. Mas se formos analisar geograficamente, culturalmente e economicamente, Tocantins é o mais novo estado da federação e ainda sofre grande influência sócio-cultural devido a esta sua jovialidade. Então mais uma justificativa pelo qual Rondônia deveria ter uma posição muito melhor em relação ao ensino público e seu reflexo no ENEM.

A situação é tão crítica que a escola que mais aprova no vestibular da UNIR e, inclusive, premiada no último mês de maio pela SEDUC e pela sua titular professora Marli Cahulla, EEEFM João Bento da Costa, obteve a média de 36,68 na prova objetiva (abaixo da média nacional e da média da Região Norte). A média final no ENEM da referida escola, somada a prova de redação, foi de 47,93, o que significa que a escola que mais aprova no vestibular da UNIR teve uma pontuação abaixo da média 50,0 que é considerada o mínimo para o MEC para que um aluno ou escola possa ter conquistado êxito mínimo no exame.

Então a grande dúvida: Como a escola que mais aprova no vestibular da UNIR teve um índice tão baixo no ENEM?

Deste questionamento poderia surgir uma tese. Significa o quanto a UNIR está atrasada em sua forma de ingresso e seleção de seus acadêmicos. Se uma escola pública é premiada por aprovar tantos alunos no vestibular da mais importante instituição de ensino superior do Estado de Rondônia, significa o quanto a UNIR e a educação pública estadual estão distantes da realidade nacional e se isolam do restante do país.

Por ser uma instituição federal, a UNIR, teria muito a ganhar adotando o ENEM em sua seleção. O ENEM é uma avaliação recomendada por organismos internacionais de educação. Sua prova é elaborada com um grande número de mestres e doutores que sabem e têm conhecimento, através de diagnóstico, como se avaliar o potencial dos alunos brasileiros. A justificativa do reitor da UNIR é que o ENEM iria ferir os alunos da rede pública rondoniense e, estes, não conseguiriam êxito no próximo vestibular. Esta justificativa não foi bem acolhida junto ao MEC. Justificativa irônica e de péssimo agravo a todos os alunos da rede pública de ensino médio. Em vez de utilizar este argumento, o reitor da UNIR deveria chamar a atenção e dar “um puxão de orelha” na SEDUC e no senhor governador para o caos que se encontra a educação pública rondoniense.

Utilizando o ENEM na seleção, começaríamos a perceber como a SEDUC vem tratando a educação de nível médio. A cobrança partiria dos pais, dos alunos e da sociedade. Não há como retardar o estrago se não for diagnosticado onde fica a podridão. Esta podridão está inerte nos diretores de escola, nos representantes de ensino e na própria administração da SEDUC e no governo do estado como um todo. Esta mesma SEDUC se esquiva em tratar o assunto ENEM, pois reconhece que o ENEM é um “calcanhar de Aquiles” para seu sistema e os milhares de apadrinhados na SEDUC. Não há nenhuma política pedagógica sobre o ENEM nas escolas. As que ainda salvam são reduzidíssimas e sem apoio sequer da SEDUC e de seus órgãos ligados ao ensino médio estadual.

Somos um estado da federação. Não podemos esquivar da realidade de que em Rondônia apenas 7% das escolas públicas conseguiram a média acima de 50,0 pontos, como o caso da EEEFM Tiradentes a única a conquistar êxito semelhante a escola privada Classe A que atingiu 66.01, mas ressalvando que na prova de redação a média foi de 59,92. Isto por que foi considerada a melhor escola de Rondônia com uma média ridícula aos padrões de outros estados. No Acre e no Amazonas, que têm semelhanças culturais e sociais em relação à Rondônia, o percentual de escolas públicas com média superior a mínima 50,0 pontos é bem maior que em Rondônia. No Acre são 11,3% das escolas públicas e no Amazonas 10,8%. Estados como Piauí, que tem um dos piores salários pagos aos professores da educação básica, conseguiu êxito de 18% de escolas públicas com média acima de 50,0 pontos mais que o dobro em relação À Rondônia.

Esta realidade do cenário da educação pública em Rondônia só mostra o quanto estamos abandonados e o quanto pagaremos caro por falta de investimento em educação. Não adianta Usinas do Madeira e investimentos em nosso querido Estado se aqueles que estão nos bancos escolares estão abandonados de toda forma de investimento em seu intelecto e em seu preparo como cidadão. Como investir futuramente pós-Usinas do Madeira, se a qualificação da mão-de-obra funcional começa No banco escolar. É certo e sabido que sem educação de qualidade não há futuro promissor para nenhuma civilização. O próprio presidente Lula disse em uma conferência da ONU em 2008: “Se o Brasil tivesse cuidado melhor de sua educação não estaríamos com tantos problemas sociais”. Fica uma lição para todos nós: ou agimos agora para uma educação de qualidade e justa a todos que pagam seus impostos, ou pagaremos um preço muito caro daqui alguns anos. Acorda Rondônia!

 (*) Victória Bacon é professora e pesquisadora em Assuntos Educacionais, em Porto Velho.




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