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Porto Velho,  sáb,   4/julho/2020     
reportagem

Estão destruindo nosso patrimônio histórico, constatam jornalistas

2/10/2009 08:25:15
Por Aldrin Willy
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Prefeitura confunde “revitalizar” com “reconstruir” e condena história de patrimônio público de Porto Velho à extinção. 



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As reformas de praças e espaços públicos feitas pela prefeitura de Porto Velho estão deixando perplexos intelectuais e moradores mais antigos da capital rondoniense. Não se trata de mera nostalgia. Mais importante do que reformar, alertam eles, é preservar a memória do povo e da cidade, registrada em seus espaços públicos. 

“Porto Velho vive hoje uma destruição de seus patrimônios histórico-arquitetônicos”, ponderou o jornalista Adaídes Batista dos Santos, o Dadá. Para ele, que também é músico, poeta e compositor, “é preciso observar a preservação no sentido de restauração, não de destruição e fazer outro”. Algo com que, entende ele, os governos, tanto municipal quanto estadual, não têm se preocupado nenhum pouco. 

Dadá falou a Imprensa Popular durante apresentação do cantor e compositor Ernesto Melo, na calçada do “Mercado Cultural”, no centro da capital. O próprio Mercado é um exemplo dessa destruição: o prédio original, quase centenário, foi demolido e, em seu lugar, ergueu-se outro. 

“Quem está fazendo isso” – continuou – “diz que está construindo do mesmo jeito. E isso não é verdade. Estão tirando nossa imagem de infância”. Assim, “se eu tivesse dormido em 1972 e acordasse agora, eu não ia ver a praça que eu vi”, explicou o jornalista, apontando para a Praça Getúlio Vargas, ali em frente, que também foi recentemente “reformada” pela gestão municipal. 

“Ou seja, a nossa memorialização é destruída pelas pessoas que não têm sensibilidade artística e emocional para preservar os nossos monumentos”, completou. 

ATÉ HITLER POUPOU PATRIMÔNIO MUNDIAL 

Outro personagem a se indignar com a postura do poder público em relação às reformas das praças e monumentos da cidade é o também jornalista Zola Xavier. 

Filho de Dionísio Xavier, o “Velho Dió”, um dos personagens que mais marcou a trajetória política de Rondônia, Zola disse que a prefeitura está confundindo a “revitalização” dos locais públicos com “restaurá-los” ou, pior, “reconstruí-los”. 

“Os espaços públicos são documentos históricos, representam um momento histórico daquela comunidade, daquele país”, asseverou. 

“Por exemplo, o Clube da Madrugada, que se tinha na década de 60 em Porto Velho, se reunia na Praça Marechal Rondon. Foi um ponto de resistência cultural e política após o golpe militar de 1964. Aquilo sumiu, aquela memória foi abaixo. É como se tivessem rasgado a página de um livro”, disse, nostálgico, o jornalista. 

Para Zola, não há nada que justifique a “destruição indiscriminada” de monumentos e espaços públicos em pleno andamento na capital. Se a municipalidade e o governo não têm gente competente, com “conhecimento histórico”, Zola considera razoável que, pelo menos, “houvesse a humildade de se fazer audiências públicas para que se buscasse esse conhecimento”. 

Ele lembrou que, num exemplo extremo, nem mesmo Hitler ousou destruir os patrimônios da humanidade. “Até Hitler fez questão de preservar alguns espaços públicos no bombardeio que determinou sobre Londres e Paris”, disse. “O que nós estamos vendo aqui em Porto Velho é uma destruição indiscriminada, como numa tentativa de apagar a memória física”. 

FOTO: Aldrin Willy




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