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Advogado considera que a corrupção é a maior desgraça do presente

23/12/2009 19:18:17
Arquilau de Paula
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Arquilau de Paula, um dos mais importantes advogados do Estado de Rondônia, tido como um dos fundadores da Seccional da OAB em nosso Estado, está indignado com os níveis de corrupção que se verifica no Brasil. E para mostrar o que representa esse flagelo na sociedade brasileira, Arquelau distribuiu o seguinte texo sobre o assunto: 


 

Ocorre que muitos pensam que corrupção é somente “meter a mão” no dinheiro público. Talvez, essa seja a mais danosa e a mais covarde, na medida em que, às escondidas, o corrupto não permite que as vítimas se defendam. Ocorre, por exemplo, quando se rouba o dinheiro da merenda escolar (as crianças roubadas não podem se defender e vão passar fome) ou quando se rouba o dinheiro da saúde (os miseráveis doentes não podem se defender e vão sofrer muito ou até partir para sempre para o Oriente Eterno). 

Mas, existem outras formas de corrupção igualmente danosas. Trata-se da corrupção dos costumes e dos valores, que se manifesta de diversas formas; até mesmo através de leis imorais concessivas de privilégios incompatíveis com a República e próprias da Monarquia. Aqui, o corrupto diz: eu estou agindo de acordo com a lei.

Faço essas reflexões natalinas, afastando-me de análise constitucional, fundamentando-me, exclusivamente, nos preceitos religiosos, exatamente por ser Natal. As religiões condenam a corrupção.

Vejamos. A Bíblia condena o corrupto:

“Deus olhou para a terra e viu que ela estava corrompida: toda a criatura seguia na terra o caminho da corrupção”. (Gênesis 6,12)

“Porque vós não abandonareis minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que vosso Santo conheça a corrupção”. (Salmos 15,10)

O Espiritismo condena, também, a corrupção. Li um pequeno trecho de Kardeck, no qual ele rezava com piedade do corrupto vingador, tratando-o como um espírito doente e suicida. Lembremo-nos de Kardec quando coloca no Evangelho Segundo o Espiritismo: "Com o Espiritismo a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão da vida".

Lutero é mais severo com a corrupção. Com base na ética luterana, somos estimulados a reagir com todo rigor e profundidade contra a corrupção, pois deteriora a criação de Deus e a dignidade humana.

O Brasil de hoje clama por reformas, assim como toda a Idade Média estava repleta de movimentos de reformas, que é o desejo de uma sociedade que caminha em direção a um futuro melhor, sem corrupção.

Lutero lutou e, segundo Martin Dreher, “não como mérito diante de Deus, mas como serviço necessário ao mundo e suas instituições”. O professor de Wittenberg era um profeta da penitência, não da penitência monástica. Sua mensagem, sua visão ética não eram distanciadas do mundo. Não pretendia transformar o mundo em um convento, em uma clausura. Destinava-se ao mundo para que ele permanecesse mundo e fosse o que é, a boa criação de Deus.

A crise de honestidade não  é novidade no Brasil. Em 1914, Rui Barbosa já afirmava: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” (Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86). 

(*) Arquilau de Paula é mestre em Direito Constitucional.




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