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Se é que teremos um ano novo em 2010

31/12/2009 21:07:00
Pedro Porfírio
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Pitadas da minha inquietação para você ler, refletir e, se desejar, comentar. 



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"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente".

Carlos Drummond de Andrade, poeta imortal

Passei muitos dias e muitas noites tentando escrever esta que será a última coluna de 2009. Vi-me no mesmo impasse que reduziu minha produção rotineira. Não me entendia sobre o tema e nem mesmo sabia por onde começar.

De certa forma, o caos se abateu sobre meu cérebro invariavelmente nervoso. No diagnóstico, a mais angustiante sensação de impotência. A idéia de uma inutilidade imersa num pântano atormentador.
Seria hora de parar? Perguntei-me mais de uma vez.

Render-me jamais, respondia.

Diante de mim, no entanto, um quadro traiçoeiro e torpe faz-me permanecer afogado em dúvidas. Dúvidas atrozes, diria.

Não tenho barômetro, nem termômetro. À distância, vou de um extremo a outro na minha própria medição de cada passo, de cada palavra, de cada opinião.

Temo pelo volume avassalador de pessoas empedernidas. Que parecem blindadas por todo tipo de defesa, construída inconscientemente com ingredientes da intolerância e a férrea convicção de que só existe uma verdade - a sua.

Pessoas a quem agradamos, quando afinados com suas idéias pétreas. A quem ofendemos quando tocamos em alguma fenda que povoa suas fantasias e alimenta sua razão de viver.

Poucos, cada vez mais raros, são os que aceitam reavaliar o que acumularam como únicas e incontestáveis verdades. Parece que estamos num ambiente de torcidas apaixonadas, para as quais o juiz não erra, se marcar um gol de impedimento a seu favor. Mas deve ser linchado se cometer um descuido que prejudique suas cores.

Ao longo da minha vida, procurei encontrar a resposta mais consistente em qualquer conflito. E nunca me senti fraco ao reconhecer que certa opinião não era bem o que pensava.

Acho mesmo que errei mais do que acertei, em função do meu voluntarismo e da precipitação nas atitudes, movidas muitas vezes pelo emocional.

Mas confortou-me a certeza de que sempre agi de boa fé, procurando fazer da minha capacidade de comunicação, da facilidade de escrever e falar um exercício de doação, alimentada pelo mais puro idealismo.

Só não sei se ainda estou sincronizado com o tempo. Se não estou escrevendo para mim mesmo, como sobrevivente de um sonho que acabou.

Se estou apenas vomitando a pusilanimidade e a hipocrisia dos homens, como rejeição inevitável imposta exclusivamente pela minha natureza, por minhas vulcânicas idiossincrasias. 

Seja o que for, neste momento em que o calendário  vira o ano, compartimentando artificialmente nossas vidas, faço votos para que saiamos todos de nossas balizas defensivas e busquemos no porvir mais do que a satisfação de nossas próprias ansiedades. De nossas ambições instintivas.

Há tanto que podemos mudar para o bem de toda a humanidade, da qual, se quisermos,  seremos mais do que  mero grão de areia. 

Há injustiças e perversidades que nossa voz pode coibir. 

Há males que não se sustentam, senão pela nossa omissão e pela leitura personalista que fazemos dos acontecimentos.

Às vezes, há gestos tão simples que podem ser decisivos.

Como parar para pensar o porque de vândalos se dedicarem como ofício a danificarem estátuas e a picharem prédios e monumentos sem qualquer mensagem, a não ser a aberração que parece ser a essência destes dias destituídos de valores e de compromissos.

Porque, se quanto a mim, ver tais pichações se afigura de uma gravidade deprimente, para a maioria das pessoas, no entanto, passam como se parte de uma leve aquarela lúgubre incorporada naturalmente à vida das cidades.

Talvez seja isso que me abala a própria alma crítica, afetando a expectativa de que mudar para melhor e alcançar a sociedade justa e verdadeiramente humana ainda é possível.




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