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Porto Velho,  qui,   17/outubro/2019     
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Respeitem quem se insurgiu contra a ditadura

22/2/2010 08:49:10
Pedro Porfírio
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Quem espalha a ficha policial de Dilma é um energúmeno que ainda pensa como nos idos da intolerância. 



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"A ditadura militar foi ação de parcela da oficialidade das Forças Armadas, em nome das classes proprietárias e do imperialismo, contra a população, com destaque para a trabalhadora. Ação que, para se materializar, agrediu violentamente os homens mais dignos de suas próprias fileiras".
Mário Maestri, professor e historiador.


Meu cérebro comprometido com as melhores intenções vive às turras com o cotidiano. Pode até ser que tenha uma tendência para a perplexidade. Mas também estou convencido de que isso é positivo e  só me ocorre pela leitura  rigorosa dos fatos.
Digo isso já meio sem forças ante a tragédia visível que a estupidez forja já na antevéspera de mais uma decisão sucessória. Pelo andar da carruagem, queiramos ou não, teremos uma mulher na Presidência da República. Dilma Rousseff poderá ser eleita já no primeiro turno.
Para isso, não precisa nem fazer campanha. Antes, pelo contrário. Basta deixar que os desnorteados próceres da oposição e os órfãos da ditadura se juntem no mesmo palanque para esbravejarem carcomidos impropérios, ainda subprodutos do lixo autoritário, espargidos nos porões assassinos do DOI-CODI, tentando exprimir ranços amargos à semelhança do solitário alemão, nostálgico dos tempos do nazismo.
Sinceramente, parceiros, não há nada mais deprimente do que esse discurso retrógrado e repugnante, que tenta alcançar a candidata do Sr. Luiz Inácio, por sua atuação no combate ao regime militar ilegal, usurpador, que tanto nos infelicitou, ao promover a destruição da liberdade e a estagnação do pensamento e das idéias.
Ficar dizendo que a jovem Dilma pegou em armas para enfrentar a ditadura militar todo poderosa, entreguista, corrupta, obscurantista, soa aos mais sensatos - que não são poucos - como uma recomendação positiva, um chamado ao conhecimento do punhado de bravos que trocou a tranquilidade de suas vidas resolvidas, futuros promissores, pelo risco do confronto desigual com forças armadas envenenadas e perfiladas na histeria macabra ao gosto do grande império norte-americano.
Tantos quanto os heróis da resistência ao nazifascismo, como os guerreiros de Nelson Mandela, os que se expuseram no combate aos sinistros aparatos da ditadura militar brasileira são vistos e serão sempre lembrados como aqueles que tiveram coragem e convicção para trocarem suas juventudes pelo restabelecimento do regime de direito e até pela eventualidade da construção de uma sociedade mais justa, demonizada naqueles idos tenebrosos, idos de que se envergonham até alguns dos seus protagonistas, como a mesma mídia cúmplice de então, que agora cospe no prato que comeu.
Pela lógica desses epítetos, foram terroristas e como tal devem ser amaldiçoados os maquis da França, os partisans da Itália e todos os grupos de resistência que recorreram às armas e à sabotagem para enfraquecer os arrogantes soldados do III Reich e executaram o ditador Benito Mussolini, contribuindo decisivamente para a vitória dos aliados, encabeçados pela Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos.
É uma pavorosa indignidade apelar para a "ficha policial" de alguém que pagou caro por não aceitar a ditadura que rasgou a Constituição de 1946, derrubou o presidente constitucional, matou opositores em seus porões de torturas e sevícias, esmagou as liberdades, cassou e baniu da vida pública meio mundo, inclusive alguns dos seus aliados, como Carlos Lacerda e Ademar de Barros.
Indignidade cega e burra, diga-se. Porque pensa que consegue com isso criar embaraços para uma candidata que enfrenta as urnas pela primeira vez, logo na disputa do maior cargo republicano.
Eu, pessoalmente, estou enojado com esses e-mails canalhas que pretendem atingir a candidata situacionista com a divulgação da sua ficha juvenil. Quem faz isso ainda não acordou do pesadelo de 20 anos em que a "verdade" era monopólio dos esbirros da ditadura, que caiu de podre,  quando já não merecia o apoio nem dos seus subalternos.
É gente intolerante, nostálgica dos tempos em que o povo vivia sob o terror de um regime que prendia e arrebentava, que reprimia, calava, massacrava e se dedicava com esmero à pior das corrupções, a imposta e conservada pelo medo e pelo silêncio.
Só espero que ainda haja o mínimo de lucidez e maturidade nas oposições, até porque em suas fileiras há muitos que também resistiram aos verdugos, a começar pelo governador José Serra, ex-presidente da UNE, que viveu longos anos no exílio. Se querem ser competitivos, livrem-se desses imbecis nocivos e dispensáveis. Fujam de qualquer identificação com essa tentativa torpe de natureza inquisitorial.
Essa campanha presidencial é tema sério e tem eixos mais decisivos e mais razoáveis: é neles que devem se debruçar os contendores.
Porque, insisto, é muito mais limpa a ficha de quem se insurgiu contra a ditadura, não importa como - e é aos insurgentes que devemos em grande parte o direito de falar e escrever hoje sem medo de ir em cana - do que a folha corrida dos alcaguetes, financiadores e colaboradores do aparato criminoso montado nos porões da repressão ensandecida.
Era só isso que queria dizer hoje. Para que não prosperem sem a repulsa da sociedade pensante e atuante essas peças urdidas pelos fariseus de fancaria, que ainda não desistiram de serem os cavaleiros das trevas. E sofrem coléricos com o fim do arbítrio tétrico dos tanques e das baionetas.



Serra também foi "subversivo".




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