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Porto Velho,  sex,   30/outubro/2020     
reportagem

Ensino falido: sob pressão, professores aprovam alunos despreparados

1/3/2010 09:27:36
Por Aldrin Willy
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A qualidade do ensino em Rondônia anda ruim das pernas, como de resto a do Brasil. Em meio a esse quadro, professores da rede pública e particular reclamam das pressões que sofrem para aprovar alunos que não sabem nada. 



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Cursar um curso superior pensando na carreira do magistério é um sonho cada vez menos acalentado entre os universitários brasileiros. Baixos salários, jornadas estafantes e um ambiente de pressão profissional são algumas das razões apontadas por estudantes e professores ouvidos pela reportagem.

A constatação não é nenhuma novidade. Há tempos essa cantilena chega aos ouvidos de todos, em especial dos gestores públicos. Embora se tenha conseguido alguns avanços nos últimos anos, notadamente no que se refere a aspectos quantitativos, no plano da qualidade do ensino, a realidade ainda é terrivelmente assustadora.

Dados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2008 mostram que os alunos brasileiros pouco avançaram em relação às notas médias de disciplinas como matemática e língua portuguesa em comparação com dados anteriores. A expectativa para os resultados do exame de 2009 não são muito animadoras.

Esse quadro é resultado da combinação de vários fatores. Pensar que o problema da (des)educação será resolvido de modo fácil ou rápido é um total disparate. Uma verdadeira revolução da gestão escolar, passando por uma valorização do papel da família no processo educativo, bem como da eleição da educação como prioridade absoluta do Poder Público são só algumas das medidas há muito receitadas por especialistas para se começar a resolver o problema.

Fora disso, não há muita alternativa, a não ser lamentar o contingente de jovens completamente despreparados que são expelidos todos os anos pelas escolas. A situação chegou a um ponto tal que professores, antes heróicos agentes da mudança, fazem de tudo para sair das salas de aula.

Os alunos, por sua vez, também estão em total falta de motivação. Vão à escola sem saber por que, apenas para cumprir protocolo. Em casa também falta incentivo para se lançarem aos estudos. E, por sobre tudo isso, há os governos que pressionam diretores e coordenadores por aprovações em massa nos colégios, de modo a disfarçar a falência do ensino.

A coação contra professores que não aceitam “facilitar” a aprovação de alunos desqualificados tem, além da pressão governamental, um fundo econômico. Isto é, a escola deixa de receber certos aportes financeiros se tiver um número de estudantes reprovados acima da meta definida no ano anterior. É assim, por exemplo, com algumas verbas do FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.


Uma professora que está há menos de dois anos nos quadros da educação pública confessa ter perdido o estímulo de fazer a diferença que tinha ao ser admitida. Sob a condição de ter a identidade preservada, ela admite que, por pressão dos gestores da escola, aprova alunos que, em condições normais, não teriam a menor condição de passar de ano.

“No meu primeiro ano como professora, adotava uma linha mais rigorosa, com ênfase no verdadeiro aprendizado. Por conta disso, 40% da minha turma não conseguiu ser aprovada”, conta ela. “Aquilo gerou um baita problema para mim. Fui chamada na direção, onde o diretor me perguntou de forma bastante rude: Que diabos que você está querendo?”.

Depois desse e de outros incidentes (se é que podem ser assim definidos), a docente diz que desistiu de lutar contra o sistema que esmaga o bom professor, interessado no verdadeiro aprendizado de seus alunos. “Não temos autoridade para nada. Confunde-se liberdade com indisciplina na sala de aula e nós, professores, ficamos de mãos atadas”. Segundo ela, só mesmo aqueles alunos, por assim dizer, “retardados” são reprovados hoje em dia.

Sandrael de Oliveira dos Santos tem apenas 28 anos. Mas em seus nove anos como professor de Matemática em escolas públicas viveu experiências que o fizeram abrir mão das salas de aula.

Hoje, trabalhando como agente administrativo no Tribunal de Contas do Estado e longe das classes escolares, ele diz estar mais aliviado. Santos diz gostar de dar aulas, mas o sistema educacional é como uma muralha a impedir as pessoas de transpor barreiras. Segundo ele, para se viver como professor, o profissional precisa, literalmente, sacrificar a si mesmo e à própria família para conciliar vários contratos de uma só vez. “E ainda assim, a sobrevivência não é nada fácil”.

Sobre a pressão exercida sobre os professores para que não reprovem muitos alunos, ele diz que, de fato, isso ocorre.

“A própria legislação educacional já traz diretrizes que nos obrigam a facilitar a aprovação do aluno. O problema é quando, para isso, faz-se uso de meios ilegais”, conta.

“Foi o que aconteceu comigo numa escola em que dei aula, em que a coordenadora quis me forçar a passar uma aluna sem que houvesse a menor condição. Não concordei e a situação só foi resolvida quando apelei para os órgãos fiscalizadores”.



Comentários (1)
aqui tambem

O ensino é ruim no Brasil inteiro, com algumas exceções...

George Souza Cruz Santiago - Cuiabá/ MT.
Enviado em: 7/3/2010 17:44:47  [IP: 187.6.73.***]
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