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Porto Velho,  qua,   22/janeiro/2020     
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Editorial: No Brasil, cartório sempre foi coisa de amigos

01/03/2010 05:37
Jornal Imprensa Popular
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Um trem da alegria proposto pelo próprio governo. 


 

Pelo menos aqui no estado rondoniense esse é um assunto que não freqüenta nenhuma roda política. Todo mundo finge que não vê ou que isso não tem importância. Afinal, os políticos de hoje são praticamente os mesmos que aceitaram criar um selo e torná-lo obrigatório em todos os documentos e feitos cartorários no estado. Assim, nem os tais documentos legalmente graciosos são verdadeiramente de graça. O usuário tem de pagar pelos selos criados por lei estadual.

Por uma questão de justeza, deve-se lembrar da tentativa do deputado Jesualdo Pires em pôr um paradeiro nessa cobrança vergonhosa. O assunto morreu no nascedouro e nada mudou nos cartórios.

Agora que o carnaval acabou e que os políticos retornam às suas atividades parlamentares (depois o enorme sacrifício de visitar as (???) bases), na Câmara, em Brasília, nossos deputados (incluindo, é claro, os eleitos por Rondônia) tentarão de tudo para aprovar a emenda constitucional que efetiva, sem essas formalidades moralistas de concurso, cinco mil titulares de cartórios. Existe gente que passou em concurso e aguarda nomeação. Talvez tenham de continuar esperando.

Quem propôs o trem da alegria dos cartórios sem nomeação é o mesmo Governo que fala em multar severamente empresas envolvidas em corrupção, naturalmente após um rigoroso inquérito. Tanto Dilma quanto Lula, cultores do idioma, sabem que rigoroso inquérito não significa inquérito rigoroso: é o contrário.

Essa é uma das atividades premiadas que sempre serviu para atender quem acostumou-se a ficar rico com as benesses do poder e dos melhores cargos públicos sem fazer maiores esforços.

Assim, também em Rondônia – se um dia a realidade vier a público – vai se saber que cartório sempre serviu para enriquecer amigos e parentes. Quando o escritor Fernando Sabino casou com a filha do governador mineiro Benedicto Valladares, ganhou um cartório de presente. Quando se separou, devolveu o cartório. Se não era mais parente, por que ficaria com o cartório? Foi o reconhecimento público do toma lá, dá cá. Pelo jeito, tudo continua igual.

Pelo menos enquanto o povo rondoniense não eleger deputados com suficiente independência para agir em favor do povo, mesmo desagradando fortes personagens togados.

Se a próxima legislatura for semelhante à atual, a população continuará pagando a peso de ouro os feitos cartorários – mesmo aqueles que deveriam ser totalmente gratuitos – através do tal selo da ilegalidade, criado com o beneplácito dos legisladores estaduais.

Publicado na edição nº 127, de 28/02/2010.




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