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Porfírio: E o dunguismo deu no que deu, aliás, como eu havia previsto

5/7/2010 08:05:06
Pedro Porfírio
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Não pense que estou feliz diante do fiasco da seleção do sargento Dunga, tal como havia previsto na minha coluna do dia 20 de junho, quando ainda tudo eram flores. E mais: para início de conversa, condeno como peça do mau-caratismo em moda o seu linchamento, agora que o leite foi derramado.

Como disse o veterano comentarista Luiz Mendes, 86 anos de idade e na cobertura de copas desde o fatídico 1950, nada podia se esperar de um time comandado por alguém que jamais havia sido antes treinador. "Isso não se podia fazer com um esporte que envolve 190 milhões de brasileiros".

Como uma Copa do Mundo é hoje apenas uma grande exposição internacional de mão de obra especializada, onde cada atleta trata tão somente de sua cotação aos olhos de "empresários" inescrupulosos e patrocinadores insaciáveis, movimentando bilhões de dólares e euros em interesses paralelos, não me surpreende que o evento seja paradoxalmente o sepulcro do bom futebol.

TREINADOR POR INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

Dunga foi forjado por inseminação artificial como treinador sob medida nos tornos do fute-negócios e seus fabricantes sabiam exatamente onde ele poderia chegar. Sua escolha não foi uma opção técnica, mas uma obra da guerra psicológica relacionada com o gesto do Roberto Carlos, o lateral que cuidava de suas meias na hora do gol fatal que tiraria a seleção da Copa de 2006.

Naquele momento, os cartolas da CBF concluíram que o futebol de estrelas e egos desmedidos trazia mais prejuízos do que lucros. O jogador se confundia sem constrangimento com reles mercenários, dos tipos daqueles que Maquiavel já dizia serem inabilitados para ganharem uma guerra.

Era preciso apagar essa idéia: criar a imagem do gladiador, que envolveu até Kaká, com seus ares de presbítero. A escolha de um aprendiz que jamais fora técnico era o primeiro passo. Dunga se notabilizara em campo como o chefe da facção raçuda, que não se rendia e não via limites no afã de evitar a derrota, mesmo que faltasse o mínimo de aptidão técnica. Condição que engendrou xerifes porradores como Felipe Melo ou bravateiros, como Robinho.

Para os cartolas, maiores vilões do futebol, o noviciado inebriante faria do escolhido alguém mais manipulável, consciente ou inconscientemente. Por lógica, o comandante sem currículo seria um bom processador de interesses, independente de suas idiossincrasias.

AS DETERMINANTES JOGADAS DE GRANA

Num contexto mais amplo, o ambiente de uma seleção nacional se tornou tão dependente de jogadas de grana que a escalação de um grupo sofre influências de uma espécie de poder paralelo, mais exuberante do que os dotes eventuais de um treinador, seja ele quem for.

Este, por sua vez, tem de administrar o estrelismo e as ansiedades daqueles que aparecem temporariamente como os melhores produtos em campo. Para alguém que até outro dia estava dentro das quatro linhas, o exacerbar de uma competição de protagonismo surda em relação aos futuros comandados seria inevitável. Isso o próprio sargento Dunga deixou claro quando declarou, após o anúncio da convocação, que só trabalhava com jogadores que assimilassem a condição de subalterno.

Ao escolher o grupo para a batalha final, o vaidoso treinador havia acumulado forças com a escalada de vitórias nos ensaios com público. Ele se achava suficientemente blindado para escolher quem não lhe fizesse sombra, recorrendo a pretextos duvidosos, como notas de bom comportamento e não terem sido experimentados na fase preparatória.

A ARROGÂNCIA DE UM SEMIDEUS

Como é da natureza humana, a vaidade engendrou a arrogância, o sentimento do semideus que há em cada vencedor de uma pugna, por mais pontual que possa parecer.

Dunga pode não ter cultura, mas reúne outras qualidades compensatórias, como a capacidade de percepção e o preparo para o conflito. Isso o levou a administrar suas ambiguidades e sujeições de forma a tirar proveito dos que imaginavam poder usá-lo incondicionalmente.

Ao final dos três anos vestibulares, ele já havia adquirido uma armadura própria, com a qual se sentia em condições de ombrear-se aos patrões. O episódio em que barrou a repórter da Tv Globo se insere dentro desse quadro novo. Os jornalistas negociaram as matérias exclusivas com "as pessoas erradas". Se tivessem conversado diretamente com ele, certamente a reação seria outra. Uma vez na boca do lobo, ninguém poderia ter mais autoridade do que ele para decidir sobre hábitos de sua tropa. A entrevista que o goleiro Júlio Cesar deu à Globo no final do jogo contra a Holanda mostra que, nesse caso, os repórteres devem ter se entendido com a pessoa certa, mesmo porque, afinal, naquele momento, a casa acabava de cair.

JOGO SUJO DOS BODES EXPIATÓRIOS

O pior que acontece depois da queda é o jogo sujo dos bodes expiatórios e a precipitação na adoção de corretivos. Não há exagero em dizer que praticamente todo o povo brasileiro estava entristecido quando o juiz apitou o final do jogo.

E mais do que o povo brasileiro: os negociantes começavam a contabilizar os prejuízos provocados pela desclassificação "prematura". É muito dinheiro em jogo. Muita cobrança que deverá ser debitada nas costas de alguém.

Porque nessa área os "investidores" não trabalham com cálculos de risco. Sabendo das paixões desenfreadas dos consumidores pelo futebol, multiplicam suas expectativas de vendas e pegam pesado. Em alguns segmentos, não há do que se queixar, apesar da desclassificação. Apesar do frio, o consumo de cerveja dobrou durante a Copa; as vendas de televisores tiveram um incremento superior a 50% em relação a outros eventos, como natal e dia das mães.

Agora, já se fala no contrário do contrário. Se o aprendiz de treinador cristalizava a mediocridade grupal disciplinada, o espírito de ordem unida, o confinamento em cárcere privado, já se fala no renascer das estrelas individualistas, no relaxamento dos hábitos. O isolamento e a abstenção dos prazeres não compensaram, admitem após o fiasco.

A MANIPULAÇÃO DAS PAIXÕES CONTINUA


É uma lástima. O apaixonado sentimento futebolístico do povo brasileiro será mais uma vez trabalhado no processo de manipulação sistemática. Enquanto isso, a cartolagem continuará com a mão na massa, envolvida até a medula no mais impune ambiente de corrupção protegida que palmilha a cordilheira dos podres poderes.

Dessa copa desastrosa, ficará para o cidadão comum a imagem de desespero de uma tropa em retirada: um Robinho dando decisão no adversário e um Felipe Melo pisando com toda a raiva do mundo na perna do colega, como se tais gestos brotassem daquele discurso patrioteiro que o sargentão pronunciou, com seu adjunto, ao contrariar o país inteiro com a não convocação dos craques que poderiam ter sido mais competentes no único jogo em que sua tropa enfrentou uma seleção de verdade.

Só espero que meus parceiros tirem suas próprias lições do acontecido. E abram seus olhos para além dos códigos internalizados como únicas referências de avaliação.

Para além, muito além, desse campo de batalha forjado há uma vida real que precisa ser encarada com a mesma paixão e o mesmo envolvimento produzido pela disputa glamourizada de uma bola de futebol.



Comentários (1)
A LUTA CONTINUA/2014

Meus parabéns ao dunga e demais membros da seleção brasiliera,E lamentar a derrota para uma grande seleção Holanda.Criticar é facil o dificil é fazer.a luta continua.

JOELSON CHAVES DE QUEIROZ - PORTO VELHO/ RO.
Enviado em: 5/7/2010 13:59:35  [IP: 189.74.148.***]
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