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Porto Velho,  seg,   6/abril/2020     
reportagem

A VOLTA DOS SANGUESSUGAS: Apesar dos escândalos, Nilton Capixaba está de volta à Câmara dos Deputados

17/10/2010 05:21:03
Por Aldrin Willy
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Com uma votação expressiva, o deputado eleito volta à Câmara baixa, superando as imputações que lhe foram feitas num passado recente, quando seu nome apareceu associado à “máfia das ambulâncias”. 



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Dizem que o brasileiro não sabe votar. E, quando vota, vota mal. Também se diz que o povo tem memória curta. Pelo sim, pelo não, há exemplos ao longo da história que tanto corroboram essa tese quanto a fragilizam.

Mas, no caso do agora deputado federal eleito Nilton Capixaba (PTB), a expressiva votação que o reconduziu ao Congresso Nacional (pouco mais de 52 mil votos) parece confirmar ambos os provérbios.

Sozinho, Capixaba recebeu o equivalente a 7,36% dos votos da população. Foi o terceiro mais votado. Só ficou atrás da deputada federal reeleita Marinha Raupp (PMDB), a mais votada, com 100.589 votos (ou 14,24%), e de Mauro Nazif (PSB), que teve o mandado renovado com 64.792 votos (ou 9,17% do total).


SANGUESSUGAS

O nome de Capixaba foi manchado no cenário nacional em 2006, quando eclodiu o chamado escândalo das “sanguessugas”. Naquela época, o então deputado tinha planos de alçar vôo ao Senado. Mas com a explosão do escândalo, suas pretensões foram por água abaixo. Por conta da má exposição que recebeu em âmbito nacional, Nilton Capixaba não conseguiu nem renovar o mandato de deputado.


Também pudera. Não sem razão, o escândalo que aniquilou, àquela época, as pretensões eleitorais de Capixaba era por demais odioso. Mostrava a que ponto vários políticos do Congresso Nacional chegaram para auferir ganhos para si e para seus chegados. Foram mexer com verbas da saúde, um dos setores mais fragilizados dos serviços públicos oferecidos à população.


MÁFIA DAS AMBULÂNCIAS

A crise da chamada “Máfia das Ambulâncias” teve seu apogeu em maio de 2006, quando a Polícia Federal deflagrou a operação batizada de “Sanguessuga”. O escândalo começou a ser descoberto no final de 2004.

À época, em documento encaminhado ao então ministro da Saúde, Humberto Costa, a Controladoria Geral da União (CGU) o alertou sobre a existência de uma “quadrilha operando em âmbito nacional” para desviar dinheiro público destinado à compra de ambulâncias, detectada em fiscalizações nos municípios escolhidos por meio de sorteio.

Segundo apurou a Polícia Federal, a quadrilha negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas individuais ao Orçamento da União para que fossem destinadas a municípios específicos. Com recursos garantidos, o grupo – que também tinha um integrante ocupando cargo no Ministério da Saúde – manipulava a licitação e fraudava a concorrência valendo-se de empresas de fachada.

Dessa maneira, os preços da licitação eram superfaturados, chegando a ser até 120% superiores aos valores de mercado. O “lucro” do crime era então distribuído entre os participantes do esquema. Três senadores e dezenas de deputados foram acusados de participar do esquema. Entre eles, único de Rondônia, o petebista Nilton Capixaba.

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Ambulâncias, criada no Congresso pouco depois da eclosão do escândalo, recomendou, em seu relatório final, a cassação de Capixaba.

Um detalhe chama a atenção: o relator da CPI era o ex-ministro Amir Lando (PMDB-RO).


NO FANTÁSTICO

Com base eleitoral no interior do estado, Capixaba sofreu um grande golpe naquele ano trágico. Francisco Machado, um assessor lotado em seu gabinete, havia sido preso pela PF na operação “Sanguessuga”.


Até então, mesmo com vários indícios comprometedores, Capixaba havia sido apenas mencionado na investigação da Polícia Federal. Mas sua situação se complicou quando um antigo aliado resolveu botar a boca no trombone.

Foi quando José Eugênio de Souza, ex-prefeito de Cerejeiras, cidade da região do Cone Sul do estado, deu seu depoimento a uma reportagem do “Fantástico”, o programa dominical de maior audiência, exibido pela Rede Globo.

Na matéria, o ex-prefeito acusava Capixaba de estar por trás da empresa Klass Comércio e Representação, que, segundo ele, vendeu ambulâncias a várias cidades rondonienses. O detalhe é que os proprietários dessa empresa eram Darci José Vedoin e Cléia Maria Vedoin, os mesmos donos da Planam, a principal empresa do esquema desmantelado pela operação “Sanguessuga”.

A reportagem do “Fantástico” mostrava que a Klass vendera, por pouco mais de R$ 84 mil, uma ambulância ao município de Cerejeiras. O dinheiro para a transação era fruto de um convênio firmado pelo município com o Ministério da Saúde, cuja verba tinha origem em uma emenda parlamentar apresentada por Capixaba.

De acordo com a PF, a licitação feita para a compra da ambulância era um jogo de cartas marcadas comandado pelo empresário Darci Vedoin, no qual só as empresas ligadas a ele participavam.

Segundo José Eugênio de Souza, após a entrega da ambulância, o próprio Nilton Capixaba ligava para o ex-prefeito, cobrando a liberação do pagamento. “O deputado Nilton Capixaba ligava para o meu gabinete, na prefeitura: prefeito, o senhor precisa pagar a ambulância, que a empresa precisa receber”, contava Souza.
Quando o dinheiro da ambulância foi liberado, ainda segundo o “Fantástico”, foi entregue diretamente ao cunhado e assessor do deputado, Edimilson Martins Gomes, que tinha procuração para representar a empresa Klass.

Procurado, Capixaba negou todas as acusações. “Eu não tenho nenhuma empresa no estado de Rondônia”, disse. “Somos 11 parlamentares [federais] aqui em RO, e todos colocamos emendas na saúde, porque é lei: 30% das emendas é na área da saúde”.

FOTO: Clarim da Amazônia



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