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Porto Velho,  ter,   14/julho/2020     
reportagem

CRISE EM JIRAU: durante o discurso oficial, só uma voz dissonante

20/3/2011 10:13:04
Por Aldrin Willy
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Na entrevista coletiva dada na tarde de sexta, autoridades se limitaram a passar a idéia de que tudo estava sob controle e que toda confusão nasceu da balbúrdia e indisciplina dos trabalhadores. 



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O clima era de apreensão no início da tarde de sexta-feira (18). Desde o dia anterior, uma leva de operários das obras da Usina de Jirau vinha aportando à capital. Milhares de trabalhadores tomavam conta das ruas centrais de Porto Velho, depois que foram obrigados a deixar o canteiro de obras devido à destruição da estrutura iniciada na terça-feira.

Os trabalhadores, não tendo de início onde ficar, se aglomeravam em vários pontos da cidade. Em meio a isso, começaram a surgir, em blogs e redes sociais da Internet, boatos de vandalismo, saques a lojistas, violências de todo tipo perpetradas pela suposta turba que deu início à destruição em Jirau. Por causa dos boatos, um clima de pavor se instalou entre a população.

Pressionadas, as autoridades decidiram agir em conjunto. Foi assim que prefeito, governador, secretário de segurança, membros do legislativo estadual e federal, além do representante da construtora Camargo Corrêa, formaram a mesa que concedeu, às 15h de sexta-feira, entrevista coletiva. O objetivo, evidente, era um só: passar a imagem de organização, empenho e união por parte das autoridades para resolver o problema. E tudo, claro, com a providencial e altruísta cooperação da empreiteira.

O discurso predominante era de que tudo estava sob controle, e que o clima de pavor reinante na cidade era culpa dos trabalhadores e, inclusive, da imprensa, que ressoou os boatos sobre arrastões e saques.

O prefeito Roberto Sobrinho (à esq.) e o governador Confúcio Moura: prioridade é restabelecer ordem.


Além disso, era também implícito o tom do discurso que colocava sob os trabalhadores toda responsabilidade pelos acontecimentos. Tom esse reafirmado, sobretudo, pela presença do representante da empresa, o engenheiro Renato Penteado, que a toda oportunidade fazia questão de frisar que os incidentes se deram “alheios à nossa vontade” e não continham qualquer conteúdo de “reivindicação trabalhista”.

O deputado petista Hermínio Coelho (foto) chegou um pouco atrasado à coletiva, mas fez questão de fazer uso da palavra. “É um absurdo o que estão fazendo, querendo colocar toda a culpa nos trabalhadores das usinas”, exclamou. “Dizer que lá só tinha vagabundo e bandido é de uma insensibilidade sem tamanho. Você Itamar [Ferreira, hoje secretário de trânsito do prefeito petista Roberto Sobrinho], quando era líder da força sindical é testemunha do quanto esses trabalhadores vêm sofrendo desde o início das obras”. Para Hermínio, a empreiteira “vende uma coisa e entrega outra” ao funcionário que chega aqui acreditando que ganhará bem e terá boas condições de trabalho, mas descobre que a realidade é outra quando entra no canteiro de obras.

O desconforto das autoridades era visível com a incisiva fala de Coelho. Até aquele momento, a grande preocupação das autoridades, em especial do prefeito Roberto Sobrinho, era de “restabelecer a ordem” na cidade e possibilitar o retorno da obra o mais rapidamente possível. “A cidade pode absorver a saída gradual, mas perder, subitamente, mais de 15 mil pessoas é um golpe duro na economia”, disse.

Foi nesse momento que surgiu a pergunta sobre que fim teve uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre as compensações devidas pelas Usinas, conduzida pela Assembléia Legislativa. A essa e outras perguntas do tipo, a resposta era uma só: “Esse não é o momento oportuno para se tratar desse assunto. A prioridade é restabelecer a ordem”.

Uma pergunta, a última, do jornalista Gessi Taborda, editor deste Imprensa Popular e colunista do jornal Alto Madeira, ficou sem resposta:

— Num investimento da ordem de bilhões de reais que se faz aqui, dá para acreditar na competência de uma empresa que permite uma balbúrdia dessas? No caso, essa confusão não nasce da péssima relação de trabalho que ela mantém com seus funcionários? Isso porque existem exemplos de que em outras obras operadas por ela, a exemplo de Santa Catarina, já houve situações semelhantes.

Ainda estamos aguardando os esclarecimentos das operantes autoridades.



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