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Taborda: 7 de setembro sem desfile

9/9/2011 09:08:07
Gessi Taborda
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NÃO FUI AO DESFILE
O peso dos anos de uma vida onde foi possível acumular experiências e conviver com nomes expressivos da política brasileira está me transformando num ser cada vez mais cético e avesso às manifestações ufanistas de patriotismo – que tanto encanta às classes dirigentes e especialmente os políticos corruptos desse Brasil – a ponto de não sentir mais o menor interesse em enfrentar as dificuldades climáticas e outras mais para ver o tal “Desfile da Independência”. Assim, preferi ficar hibernando no 7 de Setembro, na certeza de que o patriotismo brasileiro é apenas residual, concentrado em manifestações esporádicas, como atitudes superadas e ingênuas, sem o verdadeiro arrepio cívico-sentimental que toca o brasileiro quando se trata de algo ligado às competições internacionais, capaz de levar às lágrimas quando se ouve o Hino Nacional.

FESTA BONITA
Mesmo sem ir e sem ver algum flash na televisão não me faltou informação de que a festa foi bonita. Lá estava o nosso decano Euro Tourinho documentando, como sempre, os principais lances e anotando com sua invejável perspicácia os lances mais significativos, como a participação do “XVII Grito dos Excluídos”, marcado pela distribuição de panfletos com um tópico do manifesto afirmando que “o regime político brasileiro é um golpe”.

DIFICULDADES
O patriotismo do brasileiro de hoje é mais uma dessas palavras pálidas de exaustão, que acabou perdendo boa parte de seu significado. É como a liberdade, outra palavra tão importante para marcar o 7 de setembro e que no Brasil atual não passa de um chavão.

Como cultuar de forma efetiva uma Pátria onde uma onda destrutiva de corrupção e mazelas praticadas em nome do povo está diante de nossos olhos em episódios como “o mensalão”; como os supersalários dos parlamentares, como a impunidade como praxe para os ladrões do dinheiro do povo e vai por aí afora?

BURRICE OU DOCILIDADE
Em alguns lugares do Brasil uma parcela do povo usou o Sete de Setembro para manifestações contra esse flagelo da corrupção. Em Rondônia, onde essa prática acontece diariamente num desdém à autoridade e instituições criadas para combater esse costume criminoso, faltou o grito “dos patriotas” locais contra os dirigentes acostumados a manobrar para escravizar a população e beneficiar sua “troupe” de rapinagem.

Como cantar aqui o hino republicano – “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós...” – quando na própria Assembléia Legislativa um dirigente faz tudo para usar o Tribunal da Justiça Eleitoral como um seu “Gulag” particular para onde tenta de todo jeito defenestrar servidores de quem não gosta?

A liberdade, como dizia Montesquieu, é filha da igualdade. E só pode existir quando a prática política não ofende os princípios da Constituição e da legislação que garante as liberdades individuais diante de tiranos. Não fosse o brasileiro tão cordial como é, já teríamos por aqui algo parecido como as primaveras do Egito e da Líbia. Não fui ao Sete de Setembro porque ele não parece ter nada a ver com a prática da cidadania, com o desejado projeto de estado e de país.

PRIMEIRA TORRE
A Alta Energia promove nesta sexta-feira (09/09), a partir das 11h, na cidade de Pontes de Lacerda (MT) o ato simbólico de implantação da primeira torre da linha de transmissão que transportará a energia a ser gerada nas Usinas do Madeira, no rio Madeira, em Rondônia. A linha, quando estiver completa, ligará as usinas à subestação Araraquara II, no Interior de São Paulo. Quando as usinas estiverem em pleno funcionamento, terão, juntas, potência de geração de 6.500 MW. Como a região onde as usinas estão sendo implantadas não têm demanda suficiente para absorver toda a energia que será gerada, o excedente será levado por essa linha de transmissão até a subestação Araraquara II, para reforço do abastecimento de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional, particularmente para o Sudeste, a partir de 2013. Trata-se do maior projeto de transmissão do mundo. São duas linhas ponto-a-ponto, em 600 kV com corrente contínua, totalizando 2,4 mil quilômetros de extensão a serem executados num prazo máximo de dois anos. Desse total, 1,5 mil quilômetros estão sob responsabilidade da Alta Energia divididos em dois circuitos: o primeiro com 600 quilômetros entre os municípios de Colorado do Oeste (RO) e Jangada (MT) e o segundo, com 900 quilômetros, entre Colorado do Oeste e Rondonópolis (MT).

FICHA LIMPA TÁ VALENDO
Quem imagina escapar das restrições da Lei Ficha Limpa no pleito eleitoral de 2012 vai quebrar a cara. Pelo menos é o que afirmou o secretário-geral da OAB, Marcus Vinicius, ao abordar o tema juntamente com o presidente da OAB-RO, Hélio Vieira, por ocasião da XI Conferência dos Advogados de Rondônia. Depois de considerar a Lei Ficha Limpa como uma vitória da sociedade, Marcus disse que “a OAB tem certeza de que ela não será colocada de lado nas eleições de 2012”. Marcus Vinicius fez parte da comissão de juristas que elaborou o novo Código de Processo Civil.

SEM TIRADENTES
Se alguém esperava o Tiradentes aqui em Rondônia, pode esquecer. Nosso governador-filósofo aproveitou o feriado de 7 de setembro e escreveu: “Quase ninguém procura saber o significado real do 7 de setembro. Também pudera, faz tanto tempo! Nem vou trazer aqui o Tiradentes. Nem vivo e nem morto. O nosso herói nacional. Nem dizer da sua ousadia de ser um revolucionário. Vamos deixar Tiradentes quieto. Nem da petulância, de certa forma traição aos portugueses do Dom Pedro I, com o seu grito de Independência ou morte”.

A RAPINA POLÍTICA
É isso mesmo que eu quero: diante das últimas notícias, da blindagem de veículos (com o dinheiro público) usada pelas “otoridades”, da discutível e estranha decisão de privatizar a segurança num poder que tem sua própria polícia – e tudo isso acontecendo com o silêncio cúmplice de autoridades e instituições - é necessário chamar a atenção para a lógica da rapina. A rapinagem política se tornou a lógica disseminada da maioria dos seus, digamos, usuários.

A norma parece que é a subtração, sendo os “honestos” pequenos e ridículos gatos pingados. O número de meliantes em ação nas assembléias, câmaras e no Congresso Nacional, nos ministérios e nas repartições, em toda parte – fazendo uma ponderação entre o que acontece, as medidas tomadas e os efeitos penais respectivos – me leva a concluir que, na área política, a defesa do larápio é sempre mais tonitruante, rápida e efetiva que a ação da polícia. No máximo, perde-se o cargo, mas nunca os anéis. O que faz sentido, quando uma cultura determina o que, de fato, deve ser defendido.




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