Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  qua,   28/outubro/2020     
artigos

Coluna do Taborda: cassação é batata quente nas mãos de deputados

26/1/2012 02:30:28
Gessi Taborda
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    

 



Clique para ampliar
TEM DE CASSAR

Os deputados estaduais rondonienses estão com uma batata quente nas mãos. E dessa vez será difícil agir como no passado recente quando, também, precisaram lidar com deputados envolvidos em esquema de corrupção, pegos em operação policial. Coube ao então deputado Edézio Martelli, na época petista ortodoxo, propor a cassação dos colegas por quebra do decoro parlamentar. Prevaleceu a malandragem e a covardia, livrando todos os deputados daquela legislatura da degola merecida.

A decisão da Juíza Duilia Sgrott Reis, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Porto Velho, complicou ainda mais o meio de campo naquela Casa parlamentar. Com o afastamento do “irmão” de suas funções parlamentares pelo Judiciário e a recomendação favorável a uma faxina no Poder, será muito difícil para os deputados repetir a farsa dos tempos de Edézio, quando entre mortos e feridos escaparam todos. Naquela época, apenas Emílio Paulista, um deputado de Cacoal, renunciou ao mandato.


CORPORATIVISMO

O corporativismo na Assembléia Legislativa rondoniense é imenso. Graças a ele, os deputados evitam se pronunciar sobre os colegas pegos com a boca na botija, roubando dinheiro público, até quando há provas e indícios irrefutáveis colhidos pela polícia judiciária. É assim que até hoje está com cadeira garantida naquela Casa o bizarro Marco Donadon, certamente o primeiro ex-presidente a figurar no mural dos grandes escroques na liderança de desvios milionários das contas do legislativo estadual.

Entretanto as circunstâncias do momento são outras. Dificilmente o corporativismo dos deputados estaduais vai prevalecer. Agora haverá, claro, pressão maior da sociedade, pelo menos nas redes sociais; boa vontade dos órgãos de fiscalização, investigação e controle externo. E dessa vez, na presidência está um novo tipo de político que não aceitará, como acontece no passado, trabalhar pelo engavetamento das denúncias.


RESISTÊNCIA

Pode parecer inacreditável, mas o enorme tusnami que varreu do mapa a pouca credibilidade da Assembléia ainda não parece ser suficiente para ligar o simancol de todos os deputados. Ainda tem ali representantes do povo que resistem a fazer o julgamento político os colegas – que podem ser punidos até com a cassação – que se comportaram como bandidos liderados pelo Ali Babá que bateu asas antes da polícia chegar em seu palacete, para não retornar à cela de segurança máxima da penitenciária federal.

Se esses deputados livres da contaminação direta do vírus da corrupção não assumir as graves atribuições de limpar aquela Casa, permitindo prosperar a prática (antiga) da quebra de decoro (pela prática do roubo contumaz) e atos correlatos estarão (embora não vejam isso agora) colocando a corda no próprio pescoço.


PRESTIGIADO

O povo não esconde sua satisfação com o comportamento do Judiciário rondoniense no combate a quem estava chafurdado nesse pântano fétido da corrupção. Negou, mais uma vez, liberdade ao antigo hortelão da Assembléia, o Batista, que preferiu seguir os desígnios da “Cosa Nostra” jogando na lata de lixo seu antigo caráter de homem simples dos tempos de Amizael Silva.

Batista é, como se viu ao longo dos tempos, dissimulador. Preferiu colocar-se a serviço da bandalha rondoniense, sendo instrumento na degola dos 10 mil, para subir degraus na organização que vem sugando Rondônia a tantos anos. Dançou. Merece o castigo que está tendo e o que virá. Sua situação serve de ensinamento para outros covardes, que se acanalham diante da possibilidade de ganhar um bom quinhão dos espoliados.


NA BAIXA

No geral a população não bota fé nos deputados. Não crê que eles, mesmo diante do clamor de hoje, terão coragem de fazer a faxina exigida por todos. O parlamento rondoniense sempre esteve submetido a interesses distantes do povo. Isso livrou o Marco Donadon de ser preso, de perder o mandato e até mesmo de responder processo. Os deputados preferiram ao longo desses anos blinda-lo. Na cana, no xilindró, só foram parar seus pequenos asseclas. Agora Donadon está de novo na Casa, como deputado. Beneficia-se da celeuma criada em torno da “Lei Ficha Limpa”.

Não está livre da cassação, não se livrou do risco da cadeia. Para ele, responsável pelo primeiro maior rombo da Assembléia, não apenas um caso de denúncia. Ele tem condenação séria no Judiciário e, claro, uma cela está sempre aberta para seu cumprimento de pena.


CONTUNDENTE

O presidente atual da Assembléia, o deputado José Hermínio, tem a característica de ser contundente. Faz parte de seu perfil de político umbilicalmente ligado ao povão. Como a maioria do povo o Hermínio não esconde a sua indignação. A contundência de Hermínio não agrada a vários colegas, especialmente aos que ainda imaginam ser possível por panos quentes para esfriar a batata.

Eles ainda resistem a entender que o deputado José Hermínio é, gostem ou não, quem poderá por fim aos constrangimentos sofrido por todos os membros da Casa, onde obrigados a enfrentar o desconforto de até de transitar pelas ruas de suas cidades, pelos aeroportos, etc.


GOLPE

As idéias ponteadas no mundo político sobre um suposto golpe; que poderia tirar José Hermínio da presidência, anular a eleição onde foi sufragado e realizar outro pleito, para atender interesses de caciques partidários em Rondônia tem raízes podres.

O golpismo virou demodée em toda América. Essa idéia de asno deve ter saído do lixo da própria frustração daqueles que não conseguiram ganhar a disputa na ocasião própria e sonham, agora, com o tapetão. Pior se tudo isso estiver saindo da cabeça de alguém que não agüenta ver na presidência da Casa um ex-retirante de Pernambuco que aqui, vindo de São Paulo, para ser cobrador de ônibus e, em seguida, ser levado pelo povo à vida pública numa carreira vitoriosa e muita perspectiva.


A HORA

Essa é, na verdade, a hora dos parlamentares sem contaminação unirem-se ao novo presidente, perfeitamente identificado com a indignação popular, determinado a recuperar o sadio papel da Assembléia, para criar um novo marco na representação política democrática do estado.

Não é hora dos deputados comprometidos com a ética dar mais palco aos aríetes da corrupção, oferecendo-lhes condição de vítimas. Agora é hora de fortalecer Hermínio e parar com aleivosias contra o presidente que é, legalmente, o sucessor do destemperado, aético e perigoso líder de quadrilha que foi o “irmão” Valter. A memória rondoniense agradece.



Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: