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Porto Velho,  dom,   13/outubro/2019     
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Coluna do Taborda: mãe é tudo igual

13/05/2012 03:33
Gessi Taborda
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MÃE É TUDO IGUAL

A minha, graças a Deus, está viva. Está caminhando para completar 85 anos e para a minha felicidade continua uma mulher forte. Mais do que comemorar o seu dia nesse domingo, também comemoraremos em família o aniversário do meu filho mui amado, o Aldrin Willy, presidente do Sindicontas. Mas nesse domingo, 13 de maio, data também evocativa da libertação dos escravos, vou focar o papo na homenagem às mães.
A minha, a dona Lael, é do signo de leão, o mesmo meu. Talvez seja por isso que ela é dessas pessoas muito emotivas, embora a mim pareça que todas as mães são iguais. Sei não, mas desde que me entendo por gente sempre achei minha mãe um pouco teatral, apegada a fazer certos dramas, desses inspiradores de boleros imortais.

PARAISO

Para criar os filhos as mães padecem e, ao contrário da conversa poética de “padecer no paraíso”, na maioria das vezes não há paraíso algum. Principalmente nos dias de hoje, quando muitas mães sofrem com os filhos desgarrados que preferiram a adoção de traficantes ou foram levados, pela desagregação das famílias, ao individualismo consumista que acaba desaguando em tragédias no folhetim diário da vida urbana.
Não sei porque estou falando disso. Talvez por lembrar das sentenças promonitórias da maior parte das mães do meu tempo, nas rusgas com os filhos: "Vocês vão ver. Quando eu não estiver mais aqui é que vocês vão me dar valor, sentir minha falta, lembrar que eu tinha razão".
Ta vendo! Não me diga que você também ouve ou ouviu essa frase? Mãe é mesmo tudo igual. Só muda o endereço. E o que é pior: elas sempre têm razão mesmo. Na grande maioria das coisas.


TODOS OS DIAS

Às vezes fico pensando como será triste a partida da minha mãe. Meu pai já foi há anos e sinto até hoje uma imensa saudade dele, lembrando de muitas de suas falas e feitos. Não será diferente no caso de minha mãe, embora à vezes chego a imaginar que vou primeiro, afinal tenho estado meio perrengue e não sou tão resistente como ela.
Baixinha, gordinha, mineira, minha mãe ainda é arretada. Na juventude não gostava e não levava desaforo para casa, de jeito algum. Ainda hoje é de uma intransigência profunda. Essa é uma das características mais fortes que puxei dela, além do tamanho e do peso sempre a ser controlado. Dizem que isso é próprio dos leoninos. Pode ser.

Mamãe na verdade não gostava muito dessas efemérides. Lembro dela dizendo uma vez: "Dia das Mães tem de ser todo dia, porque o que a gente aguenta de malcriação dos filhos!...". Mas falava isso pensando no mundo todo, porque a gente com ela sempre pisou bem miudinho, para evitar que seu chinelo entrasse em ação.

CONSUMISMO

Na verdade, esse monte de lembranças tem vindo à minha cabeça desde que há mais de um mês começaram as campanhas publicitárias chamando e convencendo o pessoal a gastar. É um tal de mãe linda abraçando bebê fofinho, frases de efeito para vender linguiça e cerveja em supermercados, jingles chatos martelando.

Um tal de mãe é isso, mãe só tem uma, avó mãe da mãe. Compre um carro, uma blusinha, uma bolsa, sapato, celular, geladeira.
Se for no shopping tal, e gastar gostoso, a partir de, pode até levar brilhantes. Claro, só se for sorteado um daqueles cupons infernais. O barato agora é mostrar as mães sempre jovens, lindas, cabelos ao vento, dentes brancos, sorridentes, ricas, magras, sem sofrimentos de parto, dinheiro para dar e vender, maridos apaixonados.

SEM ESPAÇO

As mães reais têm mesmo pouco espaço na mídia. A não ser quando se manifestam por seus filhos assassinados ou desaparecidos. Coitadas das mães reais. Devem se sentir um lixo vendo todo esse ataque consumista, toda essa enxurrada de propaganda que não significa nada.
A gente não vê muito aquelas que tiram da própria boca para alimentar os filhos, as mães que são "pais" e paus para toda a obra, as abandonadas, as que não têm com quem nem onde deixar os filhos, as desesperadas porque os filhos seguiram direções contrárias, inclusive à lei.


MÃE REAL

Graças a Deus, a mãe que pretendo homenagear hoje na minha casa, com um almoço especial para ela e meu filho aniversariante sempre foi real e muitas vezes conflituosa. Ela foi, por muito tempo, aquela que trabalhou fora, passando mais tempo distante do filho do que ela própria queria. Então sei o valor das mães da dupla, às vezes tripla, jornada de trabalho.
Essas imagens não vendem perfumes. Entendo. Mas se o Dia é das Mães também não podem ser esquecidas, nem lembradas só na hora das bolsas-família que as transformam em verdadeiras parideiras de salários. A cada filho ganham um pouco mais - parece aquelas ofertas de “Leve 3, pague 1”. E toma sustentar o malandro, que comparece só para fazê-la ser mãe mais uma vez.

É TRISTE

Enfim, por mais que você seja preparado, curtido na vida como eu, datas como essa do Dia das Mães que chegam acompanhadas do tremendo massacre das campanhas publicitárias só servem realmente para nos deixar tristes, muito tristes. Não só quem não tem mãe, ou perdeu a mãe. Também entristece a quem gostaria de poder dar à sua própria mãe todas aquelas coisas. Não há musiquinha doce nem brinde de sanduíche que console.

E o que é pior: se você quiser ir almoçar fora no tal domingo, e não tem mãe, melhor arrumar logo uma postiça, para pelo menos arranjar um lugar na fila. Se tem, já vá se preparando, porque nunca haverá comida igual a dela, quentinha, feita com amor, saborosa. E ela vai fazer você saber disso, resmungando, pondo defeito em tudo, inclusive reclamando do preço da conta e fazendo cálculos do que poderia ter comprado com aquele dinheiro. Principalmente se ela for como a minha, uma mãe real, não dessas de propaganda, principalmente das propagandas ridículas, gritadas nas rádios locais, produzidas por agências que são verdadeira enganação publicitária...




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