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Porto Velho,  qua,   28/junho/2017     
reportagem

ENSINANDO A ENSINAR: Lingüista repudia pedantismo acadêmico e propõe universidade voltada à sociedade

24/10/2012 04:27:23
Por Edson Lustosa
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Ferrarezi mostra que a linguística pode ter utilidade no ensino básico. 



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Para comemorar a decretação da suspensão do calendário acadêmico do segundo semetre de 2012, nada como recordar um fato marcante do primeiro. Sintaxe para a educação básica é o livro que o doutor em linguística Celso Ferrarezi Júnior lançou em Porto Velho, em evento organizado por professores e alunos do mestrado em letras da Universidade Federal de Rondônia. Bem mais que um simples lançamento de livro, daqueles que só se prestam ao deleite da intelectuália madeirista com suas previsíveis rasgações de seda, o encontro com o lingüista conciliou singeleza e grandiosidade, respectivamente na forma e no conteúdo.

Ferrarezi trouxe a mensagem que a UNIR precisa ouvir, conclamando a comunidade universitária a se voltar para a sociedade, o que seguramente implica abandonar todo e qualquer pedantismo ou fixação umbilical. Noite chuvosa de final de maio, infelizmente não compareceram ao evento todos os que precisavam receber a mensagem do educador, mas estavam ali docentes que, ao longo de décadas, vêm dando a cara dos cursos de letras (vernáculas e estrangeiras) da UNIR: Miguel Nenevê, Odete Burgeile, Socorro Beltrão, Nair do Amaral, Júlio Rocha, dentre outros.
Celso Ferrarezi é licenciado em letras pela UNIR, fez mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutorado em lingüística com enfoque em semântica na UNIR e pós-doutorado em semiótica na Unicamp. Viveu em Rondônia 25 anos, dos quais 21 foram em Guajará-Mirim. Em Porto Velho cursou o magistério (nível médio) e lecionou no ensino básico no Colégio Carmela Dutra. E, quando fala de seu currículo, ressalta essa experiência no cotidiano escolar.

No caso de Ferrarezi, lembrar os tempos de professor do ensino fundamental tem menos ligação com o passado do que com o futuro. Porque toda sua produção intelectual e postura profissional revelam forte determinação em contribuir para algo que, de tão essencial, parece passar despercebido por grande parte dos que mal começam a galgar os degraus do mestrado, doutorado, coisas assim: socializar o domínio da língua.

E o melhor instrumento para isso, pelo menos até que se inaugure outra instituição que substitua a escola, ainda é facilitar o ensino e aprendizado formais.

“Faço questão de estar sempre na escola básica, conversando com os professores do ensino básico” – observa Ferrarezi. Segundo ele, os mestres e doutores perderam a capacidade de enxergar os professores do ensino fundamental e médio como sujeitos que precisam de um material que os auxilie no desempenho de sua função. E se engana quem pensa que essa sua visão deriva de vínculos afetivos decorrentes de sua atuação em escolas. O lingüista aponta números e justifica sua argumentação no plano político e educacional: “há ainda 150 mil professores sem o nível superior; mas vamos, ao longo do mestrado e do doutorado nos habituando a um padrão de produção científica, cuja lógica é diferente da daquele professor que está fazendo um curso de graduação em fins de semana e que precisa de um material que possa facilitar sua compreensão dos conteúdos e aplicação deles no cotidiano escolar.

Ferrarezi refuta que se imponha à instituição de ensino superior um caráter utilitário, mas é enfático em defender uma universidade “minimamente agradecida, que devolva à sociedade os investimentos que ela faz”. Isso se traduziria em programas institucionais que incentivem o tipo de construção do conhecimento em que o “retorno” vá muito além da mera satisfação intelectual dos mestres e doutores. “Espero que a Unir dê uma reviravolta e encontre seu caminho; mas também acho que individualmente muita coisa poderia ser feita”, resumiu Ferrarezi ao final de sua palestra.



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