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Porto Velho,  dom,   20/agosto/2017     
política

Eles não são santos nem demônios. Tampouco são os melhores

25/10/2012 05:26:32
Por Aldrin Taborda
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Uma cidade que sobreviveu a 8 anos de desmandos da gestão petista à frente da prefeitura, certamente passará fácil por mais quatro de Lindomar Garçon ou Mauro Nazif. 



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Porto Velho é uma cidade abençoada em vários sentidos, mas com uma terrível falta de sorte na escolha dos homens que são guindados a traçar-lhe o destino. Foi assim com boa parte dos prefeitos que já passaram pelo Palácio Tancredo Neves, sem falar dos inúmeros vereadores, salvo honrosas exceções, que já pisaram na Câmara.

As experiências mais recentes comprovam o azar da capital. Antecessor de Roberto Sobrinho no Paço Municipal, Carlinhos Camurça deixou muito a desejar como gestor público. Antes dele, o saudoso Chiquilito Erse, se transformou numa espécie de mito de Porto Velho.

Mas o azar ficou escancarado mesmo com a passagem do petista Roberto Sobrinho, que se despede da prefeitura no final do ano. Para o grande infortúnio da cidade, a gestão petista coincidiu com, talvez, o período de maior abundância de recursos financeiros que a Capital conheceu em longos anos.

Era a oportunidade certa para que um político de visão e gestor competente transformasse de vez a feia aparência de Porto Velho, conferindo-lhe contornos dignos de uma Capital de Estado.

Mas, infelizmente, como todos estão cansados de saber, a coisa tomou outro rumo e Porto Velho perdeu sua chance de ouro de se tornar a cidade que todos almejam ela venha a ser um dia.

Os dois nomes postos ao escrutínio da população neste segundo turno, dos quais um será escolhido para comandar a cidade pelos próximos quatro anos, não deixam ninguém menos afoito com o que nos reserva o futuro próximo.

Tanto Mauro Nazif quanto Lindomar Garçon têm em si vários traços que geram no eleitor alguma desconfiança em relação ao que, cada um a seu modo, vêm prometendo.

Garçon é o típico político matreiro, de fala mansa, que sabe como poucos expressar-se na linguagem dos mais humildes. Disso vem colhendo, nas últimas eleições, seu considerável sucesso eleitoral.

Nazif, por sua vez, faz mais a pose do intelectual austero e incorruptível. O médico também não resiste em posar de franciscano desapegado dos bens materiais. E, ainda, vira e mexe aparece em meio a alvoroçadas confusões, com direito a repreensão policial e tudo o mais, com estudantes ou servidores públicos, para parecer-lhes solidário. Dessa forma de agir, Mauro Nazif também tem colhido grande sucesso nas urnas, já tendo ocupado todos os cargos no Legislativo, salvo senador.

PÁLIDA CAPA

Mas Garçon e Nazif, sob a pálida capa que os encobre, têm traços que ambos gostariam de ver afastados do conhecimento público.

Em tempos eleitorais, os próprios candidatos (ou suas equipes) saem à cata de nódoas de um e de outro. E o resultado não demora vem à tona, no horário eleitoral, ou por meio das redes sociais.

Nesse passo, quem sai perdendo é o eleitor, quando não lhe são oferecidas informações verdadeiras. Um breve retrospecto, com fundamento na realidade, pode ajudar a preencher a lacuna.

De qualquer modo, é o próprio eleitor quem deve decidir se as informações são relevantes ou não para escolher o candidato que, no seu entender, melhor atenderá os anseios da capital.

GARÇON

O candidato à Prefeitura pelo Partido Verde não é novato na política. Garçon já exerceu os cargos de vereador e prefeito por duas vezes em Candeias do Jamari, ocupando também uma cadeira na Câmara dos Deputados, à qual foi reconduzido para mais um mandato, apesar de tê-lo perdido em virtude de nova totalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO).

Ele enfrentou algumas denúncias por improbidade e outras mazelas que afligem a política nacional. Garçon, já deputado federal, chegou a ser relacionado como ficha-suja, quando contra ele pesavam apurações judiciais, no Supremo Tribunal Federal (STF), por suposta prática de falsificação de documento público, improbidade administrativa e crimes eleitorais (Ação Penal 462, Inquérito 2598 e Inquérito 2753). Das três imputações, duas foram julgadas improcedentes pela Justiça (AP 462 e Inq 2753).

Quanto ao Inquérito 2598, com a saída de Garçon da Câmara dos Deputados, o STF perdeu competência para julgar o caso e o devolveu à Justiça Eleitoral rondoniense. Ali, o único inquérito que existia contra Garçon foi arquivado em 2005 (Inq Nº 35).

De concreto mesmo, Garçon sofreu uma condenação, já sem efeitos. Trata-se do processo 0181617-62.2004.8.22.0001, no qual o candidato foi condenado por ter contratado uma servidora comissionada que, em vez de dar expediente na prefeitura, trabalhava como empregada doméstica na casa do então prefeito de Candeias, o que teria provocado dano de R$ 3.197,61 ao município.

Condenado em primeira instância ao ressarcimento do dano, multa em cinco vezes esse valor, perda da função pública e inelegibilidade por 8 anos, o candidato recorreu ao Tribunal de Justiça, que manteve a condenação, mas livrou Garçon das penalidades de perda do cargo e inelegibilidade.

MAURO

Como Garçon, Mauro Nazif não é nenhuma novidade no cenário político rondoniense. Pelo contrário, está no páreo há mais de duas décadas. Inicialmente filiado ao PSDB, foi vereador em Porto Velho por duas legislaturas (1989 a 1993), deputado estadual em três mandatos (1993 a 2002) e, já no seu atual partido (PSB), ocupa pela segunda vez uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde está desde 2007.

Nazif sempre gostou de mostrar-se como um sujeito sério, honesto e inimigo implacável da corrupção e da bandidagem política. O político também a todo tempo procurou apresentar-se solidário na defesa dos fracos e oprimidos (aí inclusos estudantes, servidores públicos, etc.).

E, durante muito tempo, esforçou-se para esconder sua riqueza, andando num carro velho e mal conservado pelas ruas da capital. Segundo a declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, o doutor Mauro é um milionário: o total de seu patrimônio vale R$ 1.048.472,61.

Muitos entusiastas de Nazif ficaram desapontados quando o político começou a dar mostras de sua incoerência política. A mais marcante se deu justamente numa disputa a prefeito de Porto Velho, nas eleições de 2004. À época, o candidato aliou-se ao então prefeito, Carlinhos Camurça, que indicou a vice (Ruth Morimoto) da chapa de Nazif.

A bizarra aliança foi um duro golpe naqueles que acreditavam, com fervor, na pureza ideológica de Nazif, já que Camurça chegou a ser um de seus mais notórios desafetos políticos, contra quem Mauro, em períodos anteriores, desferia duras críticas. O médico não se recuperou do desgaste causado por sua incoerência e o resultado foi a primeira vitória do petista Roberto Sobrinho.

Embora não goste de falar no assunto, Nazif também tem seus processos. De acordo com dados disponibilizados pelo Judiciário rondoniense, o candidato tem um processo em aberto e outros 32 já extintos, nos quais figurou, no mais das vezes, como autor. Chama atenção, no conjunto, as ações de execução fiscal que o candidato enfrentou — uma ainda está em aberto —, nas quais é cobrado pelo pagamento de tributos municipais (confira reportagem nesta edição).

Os detratores de Nazif, para atingi-lo, costumam fazer referência a seu irmão, Gilson, que, como o político, figura numa lista extensa de processos: 30, dos quais seis ainda em tramitação, de acordo com o TJ. Num deles (processo 0077251-22.2007.822.0015), junto com Edna Pereira da Silva, Gilson é alvo de cobrança do Fisco estadual em mais de meio milhão de reais por tributos não pagos pela empresa Mercantil Del Norte Ltda.

Evidente que Mauro não pode nem deve responder pelas estrepolias do irmão. Mas, numa possível gestão do candidato pessebista, existe a possibilidade de Gilson ser guindado à condição de secretário. Só se espera que não seja das finanças.



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