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Porto Velho,  qui,   17/outubro/2019     
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Ser polido e estudado não é sinônimo de bajular vagabundo, responde Hermínio a Tomás Correia

02/12/2013 14:36:26
Gessi Taborda
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LINGUAGEM PESADA

A última manifestação pública do presidente da Assembleia Legislativa rondoniense, deputado José Hermínio, feita em Jaru, respondendo discurso do presidente do PMDB estadual, Tomas Correia, reafirmou sua posição de maior oposicionista ao governo do PMDB encontrado em todo o segmento político. Nenhum outro político costuma usar a linguagem pesada desse político saído do sertão pernambucano para desconstruir o governo de Confúcio Moura, nem mesmo línguas soltas, como o é o caso do senador (ainda) Ivo Cassol.

No discurso de Jarú não faltaram expressões ditas por José Hermínio como “governo infiltrado por ratos” e por pessoas descompromissadas. E, respondendo diretamente a Tomas Correia, o parlamentar reafirmou: “Se para ser educado, ter estudo, tenho que bajular vagabundo, eu prefiro ficar este peão, pois não quero este tipo de educação. Jamais vou defender políticos pilantras, que mentem e enganam o povo todo dia”, disse.


OPINIÃO PÚBLICA

O deputado José Hermínio não é personagem de frequentar rodas de salão, especialmente aquelas dominadas pela tal “zelite” arrogante sempre se acreditando sacrossanta, mesmo diante das mais graves denúncias de fraudes, corrupção e desvios, o que para o pernambucano Hermínio é imperdoável e precisa ser tratada na base da chibata.

E assim Hermínio a radical réplica a Tomas Correia: “Não fui eleito para puxar saco de governantes e sim para defender o povo exigindo que o dinheiro público seja bem aplicado!”.

E de forma mais clara, olhando nos olhos de Tomas Correia (também nordestino) e disse: “Lamentavelmente esse cidadão tem o hábito de defender gente ruim, como Valdir Raupp, responsável pela falência do Beron e, consequentemente, pela dívida maldita que o povo rondoniense continua pagando. Mesmo após o pagamento de um bilhão e trezentos milhões dessa catástrofe advinda do governo de Raupp”.

No mesmo tom, Hermínio fez o disparo final: “O Expedito Junior, o Valdir Raupp e o Confúcio Moura são a desgraça deste Estado”.



INTUIÇÃO

Até agora José Hermínio vinha conquistando boa parte da “opinião pública” com sua linguagem que não escamoteia os desvios de quem está no comando do Executivo. Foi assim, por exemplo, com seu trabalho de desconstrução do ex-prefeito, conhecido como Bob Ali-Babá.

A feroz campanha disparada diariamente contra esse sujeito quase levou o deputado a disputar a prefeitura, com amplas chances de vitória. Ele, por acertos partidários, acabou abrindo mão de seu espaço para Mariana Carvalho.

Em política é muito comum isso: a mesma boca que beija, também morde. Ou seja: a opinião pública é volúvel. Ouvir a opinião pública não é fácil. É preciso capacidade intuitiva.


SEM ESCONDER

O governador rondoniense (muito mais letrado do que Hermínio) comete erros primários para seu projeto político. Um deles é imaginar que tendo o controle da mídia (os jornalões e as redes de TV e rádio) terá grandes chances de aprovação popular. Ora, a propaganda exacerbada pode não escamotear os fracassos.

E como o governo se conduz, dá para ter certeza de que ele não percebeu, ainda, o tamanho do sentimento de insatisfação da população do estado, principalmente do segmento dos servidores públicos de áreas sensíveis como a Saúde, a Educação e a Segurança Pública.

A dificuldade de compreender o momento histórico (com o advento das hidrelétricas do Madeira, as expectativas da população era de um enorme crescimento da chamada economia sustentada e isso não aconteceu em Rondônia), expôs a ansiedade e o medo do governo que ai está diante das dificuldades (daí a troca sem critérios em pastas como Saúde e Educação, etc,etc) reduziram suas chances (que eram pequenas) de sucesso.


PRECONCEITO

José Hermínio está sofrendo agora pela falta de pragmatismo e também pelo preconceito de uma sociedade conservadora, que prefere vê-lo como um migrante bronco do sertão pernambucano, com a ousadia de imaginar, agora, ser possível chegar ao poder estadual.

E por autenticidade, o deputado Hermínio acaba sendo confundido como o homem de trato áspero, arrogante e grosseiro, que mexe até com a sensibilidade do Tomas Correia (nordestino que frequentou a escola e se aposentou como procurador de Justiça), despertando o preconceito do establishment, para o qual ele não pode, de jeito nenhum, vencer uma eleição do tamanho da de governador.


ATÉ NO PARTIDO

Certamente o deputado José Hermínio tem motivos para desconfiar do próprio partido. Não pelo simples fato do anúncio antecipado feito por Expedito sobre uma suposta aliança com o PSD.

Na verdade esse sentimento preconceituoso contra o “tipo nordestino caipira” tem influência no partido escolhido por Hermínio ao deixar o PT. É por isso que ele segue sendo, também, a voz solitária no enfrentamento aos desmandos governamentais dentro do próprio partido.

Há uma crescente hostilização a esse brasileiro que abraçou aqui em Rondônia a luta sindical pelo trabalhador e foi abraçado pelos mais humildes, garantindo-lhe uma invejável carreira de vitórias políticas.

Hermínio está na pequena relação dos políticos rondonienses que cumpriu suas obrigações institucionais e políticas, combatendo a corrupção sem quartel. Mais do que isso, indo para o PSD deixou claro que superou a ideologização compulsiva do passado.

Mesmo assim, num partido em que o comando regional está nas mãos de Moreira Mendes, suas chances de sucesso se reduzem, pois há muito mais afinidades de Moreira com o miliardário prefeito de Ouro Preto, Alex Testoni.


HIPERATIVO

Se o governo do “filósofo de Ariquemes” também tem chances de sucesso reduzidas exatamente por ter prometido aos rondonienses, na campanha passada, fazer do estado o paraíso (pelo menos da região) em seus 4 anos de gestão e está entregando uma espécie de inferno ou, vá lá, de limbo, pela adoção de postura contemplativa, no caso do político Hermínio o que conta é a hiperatividade, ou seja, excessos de iniciativas.

Se esse tipo de governança não for muito bem explicado – para além do mero populismo – gera um clima de insegurança e apreensão junto à classe média conservadora.

Confúcio Moura começou a governar e a tentar uma comunicação com o povo através de um blogue pessoal na internet. Deu zebra e não poderia ter dado outra coisa.


ESPÍRITO DA COISA

Não dá para vaticinar sobre o desfecho final da campanha. Há coisas fáceis de ser constatadas: o governo de Confúcio Moura apoiou-se no devaneio do retorno, sem compreender que governos bem-sucedidos são os que, de forma pragmática, olham para o futuro, promovem reformas estruturais profundas, são cientes das suas limitações, trabalham sem estardalhaço e têm consciência clara das restrições e oportunidades do momento histórico.

Ele é percebido como um governo monótono ou sem graça. Para os servidores públicos, Confúcio não é confiável e por isso merece o desprezo da categoria que – nas eleições passadas – foi fundamental para sua vitória.


EQUILÍBRIO
Se Hermínio vencer os obstáculos colocados na construção de sua candidatura ao governo, precisará assumir um discurso menos radical. Entre a opinião pública há um sentimento pela busca de maior equilíbrio institucional e capacidade de negociação dos conflitos inerentes à governança e o seu relacionamento com a sociedade.



Comentários (1)
ARROCHA O NÓ

Um dia ainda vamos ver uma pessoa colocar Rondonia onde ela merece. E essa pessoa, não pode ter compromissos com ladrões sanguessugas, que só pensam em enriquecer suas gerações futuras. Então essa pessoa governará por 8 anos, sempre cercando-se de pessoas também de ilibada conduta na área do executivo, legislativo e judiciário. Nosso estado tem jeito. Temos apenas que começar

francisco nunes - porto velho/ RO.
Enviado em: 11/01/2014 18:16:21  [IP: 186.218.116.***]
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