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Porto Velho,  sex,   22/novembro/2019     
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Ainda é demais esperar que Mandela sirva de inspiração a nossos políticos; por aqui, o modelo é outro

11/12/2013 14:31:14
Gessi Taborda
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TUDO IMPROVISADO

É espantoso como a gestão de Mauro Nazif vai sendo marcada pela improvisação, num desprezo total pelo planejamento. Até mesmo em coisas prosaicas como uma decoração natalina os auxiliares do andar de cima do dr. Mauro agem como se não soubessem o que vai acontecer.

Tudo é improvisado. Agora, já no limiar do natal, há informes de que a prefeitura vai repassar uma grana para o CDL cuidar da decoração natalina nas principais ruas da cidade. Mas não há detalhes desse assunto. Pelo que se ouve, o dinheiro a ser entregue ao CDL não dá prá fazer nada majestoso. Vamos ficar, mais uma vez, com aquela coisa chinfrim de sempre.


MINA DE DINHEIRO

E como tudo é na base do improviso; ninguém sabe realmente em que vai dar, por exemplo, a decisão do prefeito de cobrar pelo estacionamento regulamentado anunciado para o centro. Ninguém sabe se a empresa que vai explorar “essa mina de dinheiro” foi escolhida em processo de licitação ampla. Ninguém sabe se serão colocados parquímetros. Enfim, os vereadores têm toda razão em evitar uma nova fábrica de multas contra os contribuintes de Porto Velho, sufocados com a enorme carga tributária. Como tudo é no improviso, ninguém falar sobre os impactos que tal medida terá no trânsito, e muito menos quanto dinheiro público vai para as mãos do “empresário” escolhido.


COMO É DOMINGO

Eu estava decidido a não falar sobre a “viagem” de Nelson Mandela. Por isso a coluna de sábado não fez nenhuma menção a ele. Mas hoje é domingo e não há por que mudar de opinião.

Por que não falei nada sobre a partida desse grande estadista? Primeiro, porque muito já está sendo dito, e por pessoas que sabem muito mais da história da África do Sul do que eu. Segundo, porque a enxurrada de elogios a Mandela inclui homenagens que me deixam embasbacado. Gente que mantém ou defende coisas odiosas dizendo que acha Mandela o máximo. É o famoso tributo que o vício presta à virtude. Chega a dar vergonha.


PAIXÃO

Sou apaixonado por política, e escrevo sobre isso. Sou apaixonado pela democracia. Pela liberdade, e pela justiça. E Mandela simboliza todas essas coisas como pouca gente nos últimos cem anos.

Li o comentário de um ilustre rondoniense dizendo que Mandela não era santo, era político. Eu vou mais além: Mandela é um símbolo da política. Quando era possível negociar, negociou. Quando não era possível, não negociou. A cada momento, teve a sabedoria de escolher quais armas usaria. E quanto teve a oportunidade não usou arma alguma. Pôde vingar-se, e não quis. Bem diferente daquilo que vejo hoje, com tristeza, em Rondônia.



AH! O NOSSO FILÓSOFO

Como seria importante que nossos políticos se inspirassem em Mandela. Ele preferiu unir a dividir o povo africano. Ele pode fazer o que quisesse, mas preferiu fazer o justo. Eis por que hoje se chora sua perda, enquanto a maior parte dos políticos é odiada em vida e até mesmo na morte.

E se Mandela tivesse a mesma visão estreita de conhecidos políticos rondonienses, como o nosso filósofo caipira? Num continente marcado pela guerra civil e pela substituição de um tirano por seu opositor igualmente tirânico, certamente não construiria uma democracia constitucional em que há eleições periódicas, convivência mais ou menos pacífica e alternância de poder. Só isso já podia ser o suficiente. Mas ele fez mais, exatamente pela enorme diferença de nossos políticos atuais.


SÍMBOLO DE JUSTIÇA

Creio que o símbolo maior de Mandela é a justiça. Ele soube identificar a injustiça contra os negros no momento em que ela era óbvia. Mas soube identificar também mais tarde, já no poder, o que seria injusto com os demais. Soube lutar pela justiça quando ele era o injustiçado, e soube lutar por ela quando chegou o momento de estar no comando de um país e já não era mais o ofendido.

Essa deveria ser a primeira virtude de nossos políticos, daqueles que pretendem dirigir esse promissor estado rondoniense. A virtude da justiça. Se os governantes muitas vezes são execrados não é tanto porque odiamos quem está no poder. Nem é por serem de uma ou outra ideologia, ou por serem homens ou mulheres, ou sabe-se lá o que mais. É porque os consideramos injustos. É porque compactuam com injustiças. É porque deixam que aquilo que e obviamente injusto prevaleça.


ELOGIO E DENÚNCIA

Elogiar Mandela para um brasileiro (de verdade, e não da boca para fora) equivale a denunciar o fato de que milhões de pessoas no Brasil vivem em condições subumanas em favelas. Prestar uma verdadeira homenagem a Mandela seria melhorar o SUS para que ele não fosse subfinanciado. Seria dar creches públicas a todas as crianças de famílias pobres. Seria melhorar o salário mínimo.

Seria impedir que as prisões fossem superlotadas. Seria tomar medidas para reduzir a criminalidade. Seria, é claro, e principalmente, acreditar que todos somos iguais e temos direito às mesmas liberdades, e proteger os mais fracos contra o abuso, a exploração e o preconceito.


A BOA POLÍTICA

Quando você vir um político elogiar Mandela, pense por quais dessas coisas ele está lutando. Ou se está apenas tentando se apropriar da luta de um homem que ficou por quase três décadas encarcerado em nome da liberdade alheia.
Mas pense também que Mandela representa uma excelente notícia. A notícia de que é possível a um político combater a injustiça, ser fiel a princípios e trabalhar pelo bem comum mesmo ao custo de seu bem-estar e de sua vida. Mandela significa que a política não é esse antro que costumamos ver ou pensar. Pode ser, sim, também, o espaço da justiça. E (por que não?) um caminho para o crescimento das famílias, da solidariedade. A política exercida ao estilo Ali-Babá, como moradores de Porto Velho conheceram por longos anos, não passa de ação de mafiosos e ladrões das esperanças do povo.



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