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Porto Velho,  qua,   30/setembro/2020     
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Eles podem roubar o quanto quiserem, basta que atirem migalhas ao zé povinho

29/09/2014 09:54:50
Gessi Taborda
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AS MIGALHAS

A ditadura em que vivemos funciona assim: os políticos podem roubar o quanto quiserem, basta dizer que não sabiam de nada; os empreiteiros, banqueiros e grandes empresários podem lucrar o quanto quiserem, desde que financiem as campanhas dos políticos. Ao zé povinho são atiradas migalhas, bolsas, cotas, futebol, cerveja.


A GENTE SE ACOSTUMA

Estou embatucado com a política local. Não, não fiquei satisfeito com o desfile do horário eleitoral, onde em certos aspectos o estelionato eleitoral foi praticado livremente, como se o Ministério Público Eleitoral não estivesse nem ai para essa situação. Vou direto ao assunto: como o eleitor poderá escolher o seu candidato ao Senado se um deles, o mais rico, decidiu fazer uma campanha envolta em promessas de realizações de obras que, por questão de competência legal não faz parte de suas atribuições. E ai as promessas foram em todos os sentidos, inclusive na construção de hospitais, creches, estradas, etc. Se isso não for um estelionato claro, não sei mais o que poderia ser. E o Ministério Público Eleitoral deixou a coisa seguir durante toda a campanha. Por quê?

Esse episódio revela que a gente – enquanto sociedade – se acostuma com os defeitos em vez de saná-los. Certamente o MPE poderia ter tomado por si próprio a iniciativa de impedir a continuada enganação mas não fez e, pelo visto, não foi provocado pelos demais concorrentes a coibir o estelionato.


DEBATE

Assisti o debate realizado na noite de sexta-feira (26) pela TV Candelária. Foi melhor organizado que os anteriores. Algumas posições externadas pelos candidatos absurdas. Por exemplo: o candidato Pimenta de Rondônia tirou da cachola um negócio que batizou como “Congresso do Povo”, uma coisa bizarra que parece liquidar o sistema representativo democrático, colocando o Legislativo numa posição subalterna. Pimenta até tentou, mais uma vez, justificar essa aberração (ou uma simples abstração?) como alguma coisa do tipo “governo do povo”, governo e povo da escolha dele, é claro.

Confúcio, que era um homem singular no passado, demonstrou ter pegado um novo hábito: o de falar mal dos adversários. Acabou, por isso, cedendo um direito de resposta a Expedito Júnior. E o candidato tucano alfinetou: “Nunca fui acordado a 6 horas da manhã na minha casa, com a Polícia Federal realizando a prisão de corrupto”. O governador ficou calado; afinal, ele não tem como desmentir essa ação da PF em seu próprio apartamento.


ACREDITANDO

O que se viu ali naquele cenário do debate da Candelária foi um governador Confúcio que respondeu aos adversários como alguém que passou a acreditar na própria mentira embalada pelo seu marketing eleitoral. E assim, no seu governo não tem corruptos, não tem problemas com a Segurança (nem mesmo nas escolas), não tem problemas com a Educação e muito menos com a Saúde. Ao tratar os concorrentes (especialmente Expedito) como moleques teimosos, realmente Confúcio Moura não se pareceu, nem de longe, com um estadista, como um executivo de alto gabarito.

Uma decepção! O Confúcio de hoje se revelou mais radical ainda, como se tivesse perdido ao longo do mandato de governador aquela candura dos tempos em que foi deputado federal. Sem dar a contribuição que, por sua experiência política deveria, ao debate, Confúcio apenas contribuiu para que nós, analistas, chegássemos à conclusão de que temos burrice demais na disputa da nova gestão rondoniense.


VENCEDOR

Se é para falar de um provável vencedor do tal debate eu me arriscaria a apontar Jaqueline. Foi mais segura, soube construir melhor as frases ditas, demonstrou que tem conhecimento de dados estatísticos e deu opiniões de gente inteligente. A quem a ache arrogante. Mas fazer o que: ninguém é perfeito.


SIMPLES DE ENTENDER

É claro que a política rondoniense está mais para ofidiário do que do que para um convescote acadêmico. A equação é simples de entender. A legislação eleitoral estabelece o sistema do voto proporcional uninominal, modelo que privilegia nomes em lugar de partidos, deixando passar pelo funil das urnas eletrônicas apenas, praticamente, os caciques locais e os que conseguem captar recursos privados para financiar as campanhas, cada vez mais caras, de deputados estaduais, federais e até de vereadores.


SIMPLES LEGENDAS

Os partidos são apenas legendas, onde legalmente têm de se abrigar os candidatos. Nada mais do que isso. Para as prefeituras e governos estaduais e federal, a lógica segue o mesmo trilho, beneficiando quem tem capacidade de arrecadação de recursos financeiros e de formação de coalizões partidárias de apoio, em que a moeda de troca são nacos de poder - cargos na máquina pública - e não programas de governo.

Com este modelo não iremos a lugar algum. Boa parte dos políticos brasileiros são cria deste modelo e não sobreviveriam com a mesma facilidade fora dele. Por isso, a reforma política, que nos livraria desta arapuca, não passa no Congresso Nacional. Por isso, é correto dizer que somente a pressão da sociedade mudará o sistema. E mais certo, ainda, é concluir que a mudança só acontecerá no dia em que a sociedade compreender que é este o x do problema.

Enquanto não tivermos a bendita reforma política o que veremos é exatamente aquilo que acontece agora, nessas eleições. Em lugar de programas em torno dos quais se organizem os partidos e seus filiados para disputar a preferência do eleitorado e conduzir os destinos do país, a articulação política continuará se concentrando em torno das oportunidades de angariar benefícios próprios - enriquecimento e caixa dois para a eleição seguinte -, como acontece hoje.


CONFIANÇA

O principal problema enfrentando pelas instituições rondonienses é a falta de credibilidade. Confúcio pode perder as eleições porque seu governo perdeu a credibilidade, por problemas internos e pelo envolvimento de membros da alta cúpula em atos ilícitos, motivando operações policiais que levaram para a cadeia alguns integrantes do alto escalão da gestão confuciana.

Então não adianta esse governo anunciar programa de metas para nada, pois ele perdeu a credibilidade. E por isso não consegue reduzir sua rejeição popular.

A credibilidade de outras instituições está também sendo corroída. Esse é o caso, por exemplo, do Legislativo. Ele precisa iniciar um novo tempo, estancando todos os esquemas de esbanjamento de recursos, reduzindo ao máximo a contratação de servidores comissionados e adotando, de imediato, o concurso público para as próximas contratações, tendo em visto que isso diminui as possibilidades da corrupção aumentar.


PROMISCUIDADE

Recuperar a confiança das instituições é fundamental para se reencontrar o rumo da economia que gera empregos e bem estar social para todos.

A credibilidade das instituições públicas está sendo esgarçada, tanto pela ação do governo estranha às suas atividades finalísticas, quanto pela promiscuidade entre interesses privados e públicos.

Para encontrar o rumo da economia, o primeiro dever do próximo governador é a recuperação da credibilidade das instituições públicas, sob os princípios da ética, da transparência e sob o primado do interesse público.



HORIZONTE ESCURO

A disputa eleitoral desse ano ainda não está definida. Todos os profissionais da crônica política admite que teremos um outro turno para a decisão final. O segundo turno, como se sabe, é uma outra eleição, onde os dois candidatos terão o mesmo tempo de TV para realizar sua campanha.

A disputa entre os dois candidatos se tornará mais acirrada do que foi até agora.

Vença quem vencer, o próximo governador enfrentará momentos difíceis no primeiro ano de mandato. O grau da dificuldade (bem como o tempo de duração da crise) pode variar de acordo com a conjuntura internacional, com a reação da economia nacional, ou com a competência dos novos membros que irão participar a da administração do novo governador. Mas a verdade é que o ano de 2015 exigirá uma dose de sacrifício que não combina com o otimismo das promessas de campanha. Os candidatos agem como a cigarra da fábula, que cantam quando deveriam se preparar para as dificuldades que estão por vir.



UNS DOIS ANOS

Principalmente se não houver superação econômica do complexo energético do Rio Madeira (afastando-o do quadro falimentar), o estado de Rondônia terá pela frente quase dois anos de borrasca antes de a situação se normalizar, a economia recuperar o fôlego e voltar a funcionar com vigor.

O próximo governante terá de ser mais do que um gestor do dia a dia. Precisará de capacidade para atrair investimentos públicos e privados capazes de gerar empregos e reduzir o pessimismo existente entre a juventude em relação ao nosso futuro próximo.



E HAJA DINHEIRO

Comparativamente, nossos juízes estão muito bem remunerados. Surpreende a benesse do auxílio-moradia ser concedida sem discussão dos nossos deputados, pois, além de injusta, criará um precedente perigosíssimo. Não podemos ignorar o problema da estada nas comarcas interioranas, mas essa certamente não foi a melhor solução. Além do rombo nos cofres públicos, promotores, servidores, delegados e uma gama imensa se achará no direito de reivindicar a prebenda. E haja dinheiro público.



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