Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  dom,   13/outubro/2019     
artigos

Vamos assistir a entrada de 2015 com a sensação esquisita de que será um ano novo velho e requentado

31/12/2014 12:08:18
Gessi Taborda
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    

 



Clique para ampliar
FELIZ ANO NOVO VELHO

Recebi centenas de mensagens de leitores, empresas, políticos e amigos desejando-me (e à minha família) um maravilhoso novo ano. Até da jovem deputada Mariana Carvalho (e acredito que ele mandou entregar seu cartão ao máximo de residências de Rondônia) recebi uma mensagem falando de realizar sonhos. E olha que este escriba não conversa com essa dondoca há um longo tempo.

Esse ano o escriba não agiu como antes, também repetindo as mensagens de bom natal e felizes festas de novo ano por cartões, e-mails e nem mesmo pelo facebook. Quando muito, o registro desse desejo numa pequena nota da coluna.


CRÔNICA

Mas o tema servirá de crônica nesse último dia do ano. Por que até uma pessoa que não tem conosco qualquer afinidade enche nossa caixa posta de cartões e mensagens desse jaez?

Para exprimir os nossos desejos. Para que aqueles a quem endereçamos os nossos votos saibam que nos preocupamos com eles e que lhes desejamos alegria, felicidade, saúde, bem-estar, amor. Para que serve isso, além de cumprir um ritual, de manter uma tradição? Apenas para manter a cola social que faz de nós uma sociedade em vez de seres isolados?


SUPERSTIÇÃO

Há nestes votos uma superstição implícita. Dizemos “Feliz Ano Novo” como um conjuro, como se as nossas palavras pudessem invocar os lares e os penates e forçá-los a conceder as suas bençãos. Como quando desejamos “as melhoras” a um doente. Não é apenas um desejo pessoal, um sentimento interno e secreto, mas um voto público, um desejo anunciado, quase uma imprecação, quase uma oração.


EU PRIMITIVO

É verdade que dizemos e escrevemos tudo isso mecanicamente, sem pensar, mas as raízes do gesto e das palavras estão por aí. No lançamento de cada “Bom Ano Novo” há uma esperança demiúrgica. Há um eu primitivo que convoca os deuses; que acende uma fogueira na noite e que levanta os braços ao céu; que sonha que os poderes da terra e do fogo estão ao seu alcance.


SIGNIFICADO ESPECIAL

Depois de um Natal magrinho, provocado pelos juros indecentes (50% para o credito pessoal, 196% no cheque especial e mais de 300% no cartão de crédito), pela inflação, pelo endividamento das famílias (25% está inadimplente há mais de 90 dias) vamos assistir a entrada de 2015 com a sensação esquisita de que será um ano novo velho e requentado.

Então dizer “Bom Ano Novo” neste final de 2014 tem um significado especial. Não é um desejo de quietude e de continuidade mas de mudança e de alteração radical deste 2014 de todas as desgraças e de todas as vergonhas, destes acontecimentos de corrupção que nos legará anos de empobrecimento como país, como sociedade.

A festa do réveillon é descrita como a festa da família e da esperança, mas nunca se torturou tanto a esperança e nunca se balizou tanto o sofrimento das famílias como nestes anos do Governo Confúcio Moura, cuja a reeleição sinaliza a consequências que serão duradouras e terríveis, se a Justiça não for célere em concluir os processos em relação ao abuso do pode político e econômico, usado para conseguir esse nova mandato, isso sem falar nas ações decorrentes da corrupção investigadas pelo MPF e Polícia Federal, em fase de conclusão no STJ.



ENTRADA

Vamos assistir a entrada de 2015 com a sensação esquisita de que será um ano novo velho e requentado: mais quatro anos de PMDB mandando em Rondônia, mais quatro anos de pibinho minúsculo e noticiário dominado pela corrupção, além dos habituais problemas da saúde, segurança, educação, etc. etc. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Neste fim de 2014, queremos que muitas coisas mudem. Não para que fique tudo na mesma, mas para que tudo mude.

E no dia da posse para a segunda gestão certamente lá estará discursando o governador para convencer os mais crédulos de que já vivemos no estado do leite e do mel.

Certamente vai nos dizer que fizemos tudo bem ao dar-lhe o segundo mandato e que apesar de seu envolvimento nos escândalos de 2014 agora tudo vai correr bem. Que atravessaremos as dificuldades, e tudo vai ficar ainda melhor, pois o futuro está aberto diante de nós.



ROJÕES DE ESPERANÇA

Estamos nos aproximando do réveillon, se conseguirmos soltar alguns rojões de esperança serão para homenagear a Justiça, que poderá fazer por nós aquilo que não conseguimos fazer pelo voto: uma limpeza, ainda que pequena no ambiente político defenestrando e, oxalá, botando na cadeia uma parte do enorme bando, que há tanto tempo vem roubando o nosso dinheiro.

Neste fim de 2014, dizer “Bom Ano Novo” tem um significado especial porque significa que desejamos algo muito diferente e que temos a coragem de escolher. Sabemos que temos de ter a coragem de escolher algo que não existe pré-fabricado e que vamos ter de fabricá-lo com as nossas mãos.



BECO SEM SAIDA

Sabemos que a política entrou num beco sem saída, com partidos capturados por lógicas clientelares e transformados em centrais de corrupção.

Entraremos no ano em que o ficha limpa Paulo Maluf, receberá R$ 35 mil pelo proporcional aos dias de trabalho em dezembro e também ao vencimento de janeiro, além de R$ 120,7 mil para as atividades de mandato, mais R$ 78 mil para a indicação de servidores para seu gabinete, R$ 3,8 mil de auxílio moradia, além de R$ 38,9 mil para custear passagens, telefone, consultorias, transporte e alimentação, com posse garantida em 1º de fevereiro.

Sabemos que a governança entrou num beco sem saída com a reeleição de um político encalacrado com denúncias de participação direta na roubalheira do estado, com Rondônia capturada por interesses privados. Sabemos que a democracia entrou num beco sem saída, reduzida a eleições que pouco ou nada mudam.



TIMTIM!

Mesmo com todas essas adversidades, brindemos ao novo ano.

Ainda não fui convencido a imaginar Confúcio Moura como um representante do povo com prestígio para esse segundo mandato. Nem acredito que você leitor, como a maioria da população, não vê o governador em seu próximo mandato como guardião do bem comum. Não será um mero discurso de posse que dissipará a imagem de um governante desonesto e mentiroso, dispostos a fazer qualquer coisa para alojar-se no governo com a intenção de sugá-lo ao máximo em proveito próprio.

E nessa virada está esse governo que ganhou mais um mandato com todos os indícios de uma “vitória” obtida pelas vias transversas, anunciando o “novo” secretariado de velhos conhecidos que já está diante do julgamento da opinião pública. Mesmo diante da óbvia constatação de que para esse governo do continuísmo a tal opinião pública tem quase nenhum valor.



É DA TRADIÇÃO

Nesse dia 31 de dezembro comamos bastante uvas, lentilhas, nos vestindo de roupa branca para ir – mesmo com a sensação do engodo – ao réveillon do Nazif com a pornográfica Banda Calypso, já que aqui não temos como pular as Sete Ondas. Afinal é assim que se faz nessa terra onde os políticos mais parecem bandoleiros do velho oeste.
Que todos os orixás torçam por nosso estado e que o Todo Poderoso nos proteja e nos abençoe mais uma vez, ajudando-nos a manter a coragem de fazer diferente nas próximas eleições. E assim, nesse brinde de final de ano, nossos sinceros votos de Bom Ano Novo.



Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: