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Porto Velho,  seg,   1/junho/2020     
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Sem rumo e sem velas

13/09/2015 09:54
Gessi Taborda
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SEM RUMO E SEM VELAS

Tenho ouvido nos últimos meses algumas confidências de pessoas singulares, que podem ser classificadas como resolvidas na vida profissional e até econômica, sobre sua vontade de desistir do Brasil, de venderem tudo o que conseguiram por aqui e irem-se de vez do país. Triste, mas tudo isso fruto da desesperança na pátria, no estado, cada vez mais sem rumo, sem velas, cada vez descendo mais a ladeira pela irresponsabilidade dos governantes, pela falta de coragem de quem deveria por um ponto final em tanta bandalheira.

COM TRISTEZA

É gente que não se deixa levar mais pelas promessas, pelos discursos de que as coisas vão mudar, de que podemos acreditar que tudo voltará aos eixos. Médicos, empresários com longos anos de batalha dura e honesta, artistas finalmente convencido de que aqui terão de passar a vida remando contra a maré, pessoas intelectualizadas que sentem hoje verdadeiro asco com aquilo que sai diariamente na imprensa, como um diagnóstico de que verdadeiramente não temos mais o político comprometido, com a verdadeira coragem de enfrentar adversidades para mudar o sistema falido. É dessa gente que tenho ouvido o triste desejo de desistirem da pátria do Estado.


FUNDO DO POÇO

Da imprensa rondoniense sobrou pouquíssima coisa digna de ser identificada como veículos comprometidos com interesses populares. E dos que sobraram as manchetes reveladoras do ponto do descalabro que nos cerca, com autoridades esmaecidas; fracas, incapazes de responderem por suas responsabilidades.
Apenas a título de argumentação, vejamos as duas principais manchetes do mais antigo jornal do estado, o Alto Madeira, da semana que passou: “Terrorismo na BR-319” (edição 27.744) e “Mais de 180 dragas atuam ilegalmente no Madeira”, título da edição subsequente.
E não pense o leitor que esse sério assunto motivou alguma manifestação de qualquer autoridade no Estado. É como se eles não se importassem, não estivessem nem ai diante dessa declaração de falência da autoridade pública.

DEPUTADOS CONIVENTES

Sempre há honrosas exceções. Mas no geral, deputados (estaduais e federais) e senadores são coniventes com a pasmaceira, incapazes (devem ter lá seus motivos, às vezes inconfessáveis) de alertar o povo em geral de que realmente estamos todos numa nau sem rumo, sem velas, e sem timoneiro.
E aqueles que não podem ou não têm coragem de desistir da pátria, só resta clamar aos céus que os próximos embates eleitorais tragam mudanças de verdade, com o expurgo dos políticos coniventes e com a eleição de quem esteja verdadeiramente com coragem de fazer a diferença em favor de dias melhores.

COSTUME QUE VEM DE LONGE

Na política, a falta de projeto é contumaz no país. Herança portuguesa, pois, Portugal nunca teve projeto para o Brasil, exceto explorar riquezas naturais economicamente valorizadas. Implantou-se o governo geral pelo temor de perder a terra brasilis para outros conquistadores.


MAU USO

A elevação para reino foi acidental; identicamente, o grito do Ipiranga. Proclamou-se a República atabalhoadamente – um desaire político e social. Anos passam, mas a política não muda; o país continua refém de objetivos espúrios, evidenciados pelo mau uso do poder.


AGORA MESMO

Nenhum partido tem definido um projeto; vexatórias são suas propagandas: frases feitas sem alicerce para produzir resultados. Almejam sensibilizar a população, cuja capacidade de discernimento é menosprezada pela vilania das promessas. E ao eleitor, mais uma vez com a responsabilidade de acertar, tem de estar mais atento, de repudiar a simples propaganda, para não cometer os mesmos últimos erros.



DISCURSO RADICAL

Falemos de Porto Velho. No princípio tivemos de nos contentar com os chamados “prefeitos e governadores nomeados”. E foi nesse cenário que partidos de esquerda como o PT (de Roberto Sobrinho) e o PSB (onde Mauro Nazif dá as cartas) cresceram. Na verdade, só para lembrar, Nazif começou na política tucana. Entrou na esquerda raivosa só depois, quando descobriu que aquilo era a moda.

Pois é, o discurso radical conquistou gente do povo e intelectuais. Porém, ao assumir o poder, descambou ao banditismo, feito facção criminosa. Ratificando que idiotice ou mesmicimidade histórica ainda caracteriza a identidade dos partidos brasileiros.



SENSO DA GANÂNCIA

Nesse momento gente sem nenhuma identificação com a filosofia política está sonhando em conquistar o poder. A maioria só para encher as burras de um limitado dinheiro que, fora das mutretas e das mordomias do poder não conseguiria. Ficar rico, muito rico, é depressa o que leva esse povo à disputa dos votos, para depois manter na quadrilha o contingente de parentes e companheiros. Isso não seria, hoje, uma enorme coincidência com o que ocorre no realismo rondoniense?



ANTIÉTICA

Os males do município, do estado e do país já os conhecem todos: uso político indevido de instituições e empresas estatais; assaltos aos seus cofres; apropriação indébita dos recursos dos trabalhadores; Judiciário intocável, improdutivo e vitalício... Veja se a tragédia dessa novela do transporte urbana de Porto Velho não é um fato anunciado. E nem assim nada, mas nada mesmo, parece pronto para acontecer em defesa dos verdadeiros interesses do povo.



PALAVRA DE ORDEM

A grosso modo, a política brasileira é antiética. Corrupção é palavra de ordem. Coopera para isso a fragilidade das leis e falta de esforços para fortalecê-las. Até porque leis rígidas dificultariam as maracutaias e tribofes dos bandoleiros malocados nos Poderes do Estado. Falta ao país planejamento estratégico existente nas organizações de sucesso, elaborado por equipes multidisciplinares.

Para nós, a grande maioria que não tem como ir viver em lugares mais civilizados, em locais onde roubar ainda é motivo de desonra e até de cadeia, é melhor esperar que as instituições (MPs, TCE, PF, Legislativos, Clubes de Serviço, Sindicatos, entidades representativas, estudiosos, artistas, intelectuais, etc, etc) decidam de verdade a monitorar e cobrar desempenhos.



AO MAR

Esta semana li novamente a reafirmação de que o empresário Mário Português desistiu de vez e participar da política rondoniense. Mário, pelo pouco que se sabe, não tem nada de política em seu DNA, então fez bem em parar com a brincadeira.

Mas o mesmo não pode dizer daquilo que seria a intelligentsia rondoniense, especialmente aqueles com capacidade de contribuir na elaboração de projetos para a capital e para o estado.

Essas são pessoas que precisam abandonar a crítica lamuriante, saírem do limbu academicu, lançarem-se ao mar, içarem as velas desta nau desgovernada, dando-lhe direção, antes que seja tarde.



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